Gênesis 12.3 – Apocalipse 7.9
Introdução
Olhando para alguns dos nossos antepassados espirituais do período pós-reforma, descobrimos que o zelo missionário que trouxe à Igreja um dos seus períodos mais ricos, teve como base alimentadora a fidelidade à sã doutrina.
Grandes gigantes da fé que viveram aquela fase histórica do cristianismo, plantaram sementes da obra missionária protestante que ainda frutificam.
Para a Igreja de hoje não será diferente; o zelo missionário e o ardor evangelístico só podem ser verdadeiros e duradouros se estiverem alicerçados na visão correta das Escrituras Sagradas com preservação da pureza e saúde do Evangelho.
Por outro lado, vários movimentos missionários correm o risco de se perder se negligenciarem este sólido caminho.
Uma atividade missionária bíblica revela a vitalidade da Igreja e reflete crescimento natural.
1 - MOVIMENTO HISTÓRICO DE GRANDE FERVOR E ZELO MISSIONÁRIO
Entusiasmo e zelo evangelístico são elementos que podiam ser encontrados em muitos dos reformadores.
Calvino, Reformador em Genebra, movido por uma aguda consciência missionária e estimulado pela sua visão da soberania de Deus, não só enviou dezenas de missionários à França, sua pátria, como também enviou os Huguenotes ao Brasil acompanhados de vários pastores que se tornaram os primeiros missionários protestantes em terras brasileiras.
Estes selaram com sangue a sua fidelidade a Cristo plantando com sacrifício sementes da obra missionária que como exemplo haveriam de frutificar ao longo dos séculos.
Na Inglaterra, no ano de 1643, nasceu o sólido e bíblico corpo doutrinário conhecido como Confissão de Fé de Westminster, que ainda hoje é adotado pela Igreja Presbiteriana do Brasil.
Este padrão de doutrina tornou-se a base de lançamento dos mais nobres movimentos missionários e de reavivamento que se tornaram responsáveis pelo crescimento da Igreja no período pós-reforma.
Essa visão teológica estava presente e influenciadora quando em 1649 se formava na Inglaterra a Sociedade Missionária, que foi chamada de Sociedade para a Propagação do Evangelho na Nova Inglaterra.
Esta nova e primeira Sociedade, com propósitos evangelísticos, era uma resposta ao desejo de crescimento e evangelização demonstrados pela Igreja que já se estruturava no continente americano do norte.
2 - CHEGANDO AO PERÍODO MODERNO
No final do século XVIII nasce na Inglaterra o movimento Missionário Moderno, o qual se torna bastante vigoroso no século seguinte.
O período anterior a esse grande despertamento, detectava uma Igreja sem vitalidade. O racionalismo na Inglaterra e na Holanda parecia haver detido o abençoado avanço da Reforma. Na Inglaterra a Igreja oficial era atacada pelo vírus do indiferentismo ariano.
Um falso calvinismo antinomiano (graça contra a lei) imperava entre denominações não anglicanas. A Escócia Presbiteriana unida à Inglaterra recebia a influência religiosa dos "Moderates".
A boa doutrina calvinista da Graça e o vigor da pregação evangélica apenas sobreviviam através da presença das comunidades pietistas que se expressavam em grupos de boa teologia reformada, como acontecia com os puritanos.
As bases do ressurgimento missionário estava no Reavivamento Evangélico. Foi ele como que o resultado da intercessão de cristãos como John Ryland que escreveu:
"O grande objetivo da oração é que o Espírito Santo possa ser derramado sobre os nossos ministros e Igrejas, que os pecadores possam ser convertidos e o nome de Deus glorificado; deixar que a missão divina do Redentor seja amorosamente lembrada e que permita a expansão do Evangelho pelas mais longínquas terras habitadas no globo".
O exemplo missionário dos morávios a partir de 1732 na figura do Conde Zinzendorf, teve grande influência. Os novos descobrimentos no Pacífico pelas viagens de James Cook provocaram o zelo e convicção missionária do ousado William Carey, o artesão que chegou a ser considerado o pai das missões modernas.
Após o ano de 1850 já se podia ver a presença missionária protestante no Japão, China e África, num crescente desenvolvimento e formação de mais Sociedades Missionárias.
Esta operação Missões, já havia chegado na Escócia como fruto do seu grande despertamento religioso e estava destinada a se fortificar cada vez mais.
Nesse luminoso século XIX o Cristianismo teve um crescimento abençoado e vertiginoso. Não foi excedido ainda em nenhuma fase de sua história. É o período que se denominou a "era protestante".
3 - A IMPORTÂNCIA DA DOUTRINA PARA A OBRA MISSIONÁRIA EVANGELÍSTICA
O grande evangelista do século passado, Charles Spurgeon, sempre enfatizou a importância da doutrina no trabalho evangelístico. Ele, como os reformadores e puritanos e os grandes pregadores e missionários do passado, pregavam todo o conselho de Deus.
Spurgeon dizia que não se devia deixar de lado as doutrinas do evangelho, quando se estivesse evangelizando, "pois é justamente quando mais deverão proclamar as doutrinas da graça".
Hoje se pensa que pregar as doutrinas fundamentais da fé cristã não converterá o incrédulo, e sim o afastará. Mas não foi assim durante 1800 anos.
Paulo pregou em Éfeso todo o conselho de Deus e a Igreja cresceu pregando as verdades doutrinárias de Jesus e dos apóstolos; Calvino, John Knox (século XVI), os puritanos (século XVII), Whitefield, Howell Harris, Daniel Rowlands, Jonathan Edwards, os missionários John Elliot e David Brainerd (século XVIII), Charles Spurgeon, Asahel Nettleton e os missionários William Carey e David Livingstone (Século XIX), todos pregaram as doutrinas da graça (o calvinismo) trazendo milhares de pessoas a Cristo.
O batista Spurgeon dizia que sua "opinião pessoal é que não há tal coisa como pregação de Cristo, e este crucificado, a menos que se pregue aquilo que se chama calvinismo. É apelido chamar isso de calvinismo; pois calvinismo é o evangelho, e nada mais... Há algo nestas doutrinas que penetra diretamente na alma humana... O grande sistema conhecido como as doutrinas da graça (calvinismo) coloca diante da mente dos homens... Deus, e não o homem. O esquema de doutrina, como um todo, é voltado para Deus".
Asahel Nettleton, presbiteriano, contemporâneo de Finney, evangelista na Nova Inglaterra foi o instrumento de Deus para ganhar 30 mil pessoas para Cristo, pregando a mensagem profunda do calvinismo e sem aceitar as inovações de Finney (apelos por decisão — a chamada até à frente). Ele mesmo disse: "Tenho visto igrejas serem enfraquecidas por repetidas excitações, em que havia apenas emoção, sem instrução..."
Conclusão
E nós na Igreja de hoje? Que pontos bíblicos teremos para uma correta evangelização?
A Bíblia e a História nos ensinam que o entusiasmo evangelístico, zelo e amor por missões, o desejo de crescimento real e constante da Igreja, só são verdadeiros e duradouros se por base estiver o nosso conhecimento das Escrituras Sagradas, e fidelidade as suas doutrinas cujo legado está em nossas mãos.
Com este alicerce a Igreja poderá de fato crescer exercendo sempre um papel transformador e despoluente na sociedade. Seria isto um crescimento em latitude e em profundidade.
"Mas, infelizmente, hoje o evangelho é apresentado de uma forma em que o homem pecador é considerado capaz de responder positivamente ao convite do Evangelho por seu livre arbítrio (como se ainda o tivesse (Jo 6.44- 65) — os puritanos chamavam de "o grande ídolo do livre-arbítrio"), por suas próprias capacidades que estão apenas adormecidas. O que se trava, então, é uma luta entre o pecador e o pregador.
Se este usar técnicas especiais, habilidosas, poderá despertar estas capacidades "adormecidas" e não só conseguir a conversão do pecador, mas até um avivamento. Estes eram os pensamentos de Finney.
Isso gerou um evangelismo pragmático onde homens inteligentes, usando técnicas habilidosas, podem persuadir as pessoas a virem a Cristo — produzem os resultados. Isso gera resultados temporários, com um descompasso entre o ato de se ir à frente atendendo ao apelo e o número dos que ficam na Igreja".
Aplicação individual
Na sua avaliação, tem faltado em você esse zelo missionário que tanto mobilizou aqueles homens do passado? Qual seria o motivo? Que tal ler Gênesis 12.3 novamente e conversar com Deus: "Obrigado, Senhor, porque também sou filho de Abraão em Jesus Cristo.
Obrigado, Senhor, pelo privilégio e oportunidade, tal qual Abraão teve, de ser uma bênção para as pessoas ao redor anunciando a tua Palavra" E agora, vamos achar alguns cananeus e falar-lhe do Evangelho.
Lista de estudos da série
1. O Segredo dos Apóstolos – Estudo Bíblico sobre O Crescimento da Igreja Primitiva2. Sobrevivendo à Perseguição – Estudo Bíblico sobre O Crescimento da Igreja Até a Reforma
3. A Volta da Verdade – Estudo Bíblico sobre O Crescimento da Igreja Pela Reforma
4. A Era dos Gigantes – Estudo Bíblico sobre O Crescimento da Igreja e Missões
5. Como o Evangelho Chegou Aqui – Estudo Bíblico sobre O Crescimento da Igreja no Brasil
6. Planejamento Humano ou Divino? – Estudo Bíblico sobre O Crescimento da Igreja Hoje
7. Cuidado com o Fogo Estranho – Estudo Bíblico sobre O Crescimento da Igreja e Métodos Modernos
8. Mitos da Batalha Espiritual – Estudo Bíblico sobre O Crescimento da Igreja e o Misticismo
9. Vencendo o Verdadeiro Inimigo – Estudo Bíblico sobre O Crescimento da Igreja e a Batalha Real
10. O Verdadeiro Poder do Espírito – Estudo Bíblico sobre O Crescimento da Igreja e os Dons
11. Santidade no Trabalho – Estudo Bíblico sobre O Crescimento da Igreja e a Sua Profissão
12. O Triunfo Final de Cristo – Estudo Bíblico sobre O Crescimento da Igreja e o Futuro
13. Sua Missão Pessoal – Estudo Bíblico sobre O Crescimento da Igreja e Você
