Mitos da Batalha Espiritual - Estudo Bíblico sobre O Crescimento da Igreja e o Misticismo


Colossenses 2.1-23

Introdução

Muitos dos conceitos da "batalha espiritual" alcançaram popularidade mundial através de dois romances escritos pelo novelista evangélico Frank Peretti intitulados Este Mundo Tenebroso.

Em ambas as obras Peretti narra a história da luta espiritual de uma comunidade de cristãos contra espíritos malignos locais que tentam dominar cidades pequenas do interior dos Estados Unidos.

Esses livros não são livros de teologia; foram escritos como ficção. Entretanto, têm difundido as ideias da "batalha espiritual" pelo mundo todo, mais do que qualquer outra coisa. Além disto, tem sido recebido por muitos evangélicos como uma palavra do Espírito Santo à Igreja cristã moderna.

1 - A ORIGEM E DIFUSÃO DO MODERNO MOVIMENTO DE "BATALHA ESPIRITUAL"

Aparentemente, as ideias principais da "batalha espiritual" eram conhecidas desde o início do século. Já nas três primeiras décadas, o missionário inglês James O. Fraser, trabalhando em meio ao povo tribal Lisu, na China, um povo envolvido com magia negra, espiritismo e animismo, utilizou estratégias como dar ordens em voz alta a Satanás e seus demônios, para quebrar o domínio destes espíritos sobre os Lisu.

Partindo de sua experiência no campo missionário Fraser desenvolveu na base da "tentativa e erro" alguns métodos de combater pela oração a influência dos espíritos malignos que atormentavam estes povos tribais.

O que convenceu Fraser de que estava no caminho certo foi que "funcionava". Fraser era um obreiro relativamente desconhecido, e sua prática permaneceu na obscuridade, até que se tornasse mais conhecida do público evangélico, através da publicação de sua biografia pela esposa de Howard Taylor em 1956.

Desde a década de sessenta a "batalha espiritual" vem ganhando aceitação no mundo todo. Existem algumas ramificações do movimento, e seus proponentes nem sempre concordam entre si. 

Entretanto, compartilham de uma base teológica ampla e comum a todos, o que justifica identificar suas posições como parte deste movimento mundial de "batalha espiritual".

Existe uma variedade da "batalha espiritual", possivelmente a que tem ganhado mais popularidade no Brasil. Ela se identifica com a Escola de Missões Mundiais do Seminário de Fuller, e os nomes de C. Peter Wagner, John Wimber e Wayne Grudem.

Esta variedade de "batalha espiritual" nasceu na esteira do que ficou conhecido como a Terceira Onda do Espírito - uma corrente carismática que prega o ressurgimento nas igrejas cristãs locais dos sinais e prodígios ocorridos no período apostólico.

Esta linha de "batalha espiritual" está intimamente associada a um outro movimento, cujo mais conhecido expoente é também C. Peter Wagner, que é o "movimento de crescimento de igreja" (veja as lições 6 e 7), com ênfases em missões ao terceiro mundo acompanhada de "sinais e prodígios".

Um ensino característico desta linha de "batalha espiritual" é a noção recente de "espíritos territoriais", ou seja, demônios que mantém determinadas regiões geográficas debaixo do controle da incredulidade e do pecado.

Uma variação que tem ganhado muita popularidade no Brasil tem como principal ênfase a "quebra de maldições hereditárias", um ensino que afirma que os pecados, vícios, e pactos demoníacos cometidos pelos antepassados dos crentes afetam negativamente a sua existência presente, sendo a "quebra" destas maldições o caminho para a libertação.

Através de literatura, mídia e conferências, as idéias da "batalha espiritual" têm sido espalhadas pelo Brasil afora. Hoje, multidões de evangélicos brasileiros são atraídos aos simpósios de "batalha espiritual", e consomem a farta literatura sobre o assunto que abarrota as prateleiras das livrarias evangélicas.

2 - OS PRINCIPAIS ENSINOS DO MOVIMENTO DA "BATALHA ESPIRITUAL"

A. Todo mal é demoníaco

A mais fundamental doutrina da "batalha espiritual" é que todos os males que acometem as pessoas, a sociedade, a Igreja, e os cristãos individualmente, são produzidos diretamente por demônios, os quais se instalam nas vidas destas pessoas (crentes ou descrentes) e nas estruturas sociais, políticas e econômicas. Portanto, a estratégia principal da Igreja para ajudar as pessoas é sempre confrontar e expelir estas entidades malignas.

De acordo com esta abordagem, os demônios são responsáveis pela dor, sofrimento e miséria que encontramos ao nosso redor — o que inclui doenças, relacionamentos estragados, desemprego, fome, opressão, injustiça social, corrupção, entre outros.

Mais que isto, eles são responsáveis igualmente pelo mal moral, por pecados como prostituição, lascívia, imoralidade, adultério, desonestidade, embriagues, pelos vícios, e por todos os distúrbios morais de comportamento.

Consequentemente, em sua ação pastoral, missionária e evangelística, a Igreja deve sempre empregar o método de expulsão de demônios para libertar as pessoas e a sociedade destes males.

B. Espíritos Territoriais e Potestades locais

Uma segunda noção característica da "batalha espiritual" é a de espíritos territoriais. Como o nome já sugere, esta ideia gira em torno da crença de que Satanás tem designado um demônio, ou vários deles, para cada unidade geopolítica do mundo. Esses espíritos malignos ocupam e controlam os territórios geográficos debaixo da sua responsabilidade.

Uma outra passagem frequentemente citada é Marcos 5.10, onde os espíritos imundos, ao serem comandados por Jesus a sair do geraseno, pedem para não serem enviados "para fora do país".

Segundo Itioka, a razão era que "seriam punidos por estar invadindo território alheio". Entretanto, esta afirmação não encontra respaldo na passagem e nem no seu contexto.

Curiosamente, Mateus omite este pedido dos demônios, e Lucas traz o pedido dos demônios como sendo que Jesus não os mandasse "sair para o abismo" (Lc 8.31). Não há nada nas passagens que sugira invasão de território já ocupado por outros espíritos malignos.

Segundo os defensores deste conceito, os demônios que governam essas regiões influenciam e controlam seus moradores através dos ensinos da nova era, do espiritismo, da astrologia, do satanismo, do uso de pirâmides, cristais, bruxaria, macumba, mágica, feitiçaria, prática da adivinhação, ou qualquer outra atividade relacionada com o ocultismo.

O propósito dessas entidades espirituais malignas é cegar as pessoas que habitam nas áreas sob seu controle, e levá-las à perdição, impedindo que sejam alcançadas com a verdade do Evangelho.

Partindo deste princípio, tem sido sugerido que a famosa janela 10/40 — as nações fechadas para o Evangelho localizadas entre as latitudes 10 e 40 norte — é uma imensa fortaleza demoníaca, a última a ser conquistada antes da vinda do Senhor.

C. A resistência dos "espíritos territoriais" à obra da Igreja

Estes espíritos territoriais oferecem total resistência aos esforços da Igreja em evangelizar aquela área específica, cegando as pessoas ou oprimindo os crentes. Alguns proponentes da "batalha espiritual" acreditam que mesmo crentes verdadeiros podem ficar endemoninhados.

Tais espíritos malignos, no ensino da "batalha espiritual", atacam os pregadores, promovem pecado e divisão na Igreja, semeiam a confusão, e fazem tudo o que lhes for possível, para abortar os projetos evangelísticos de uma igreja numa determinada área geográfica sob o seu controle.

O resultado é que a Igreja não pode avançar, porque estes poderes estabelecem uma barreira, uma fortaleza, no caminho da Igreja.

Segundo alguns líderes do movimento, o quartel general destas hostes, que corresponde ao "trono de Satanás" mencionado em Apocalipse 2.13, está localizada em uma posição geográfica naquela região, de onde o "príncipe" daquela região dá suas ordens aos espíritos malignos subordinados.

Ainda de acordo com a "batalha espiritual", a Igreja não pode evangelizar com sucesso enquanto não neutralizar estas forças espirituais cósmicas. Essa é a primeira tarefa da Igreja.

Ela deve, pela "batalha espiritual", atacar estas forças espirituais, e desalojá-las de onde estão instaladas. Ao invés de ficar na defensiva, os crentes têm de partir para o ataque, invadir os territórios ocupados por estas hostes, derrubar as suas fortalezas, e neutralizar toda influência maligna naquela região. Só assim poderão ganhar as pessoas para Cristo, e levar o Evangelho aos que estão debaixo do domínio do maligno.

D. A igreja no ataque

Para que possam vencer os espíritos malignos, os crentes têm, antes de mais nada, que aprender as táticas de "batalha espiritual" dizem eles. Nenhum crente pode engajar-se na batalha "sem mais nem menos".

Peter Wagner afirma que são poucos os crentes que estão preparados e dá um aviso: "Se você não sabe o que está fazendo... Satanás vai devorá-lo no café da manhã". Assim, para não serem devorados no café da manhã do diabo, os cristãos têm de ler os livros escritos pelos peritos em "batalha espiritual", frequentar as suas conferências e simpósios, e aprender com os experts todas as estratégias espirituais para assaltar as fortalezas do diabo e derrubá-las.

Quais são estas novas estratégias que a Igreja tem de aprender? Tentaremos citar de forma resumida os pontos básicos a serem aprendidos nestes seminários e conferências, e através dos livros escritos pelos peritos no assunto.

E. Mapeamento espiritual

A igreja tem de "mapear" espiritualmente a área a ser evangelizada, antes de eventualmente começar seus esforços evangelísticos. Esta técnica consiste em localizar as concentrações estratégicas dos demônios, as fortalezas malignas de uma localidade. Inclui também a descoberta de seus nomes, e as razões pelas quais se concentram ali.

O "mapeamento espiritual" é uma "radiografia" de uma cidade, obtida através de estudo cuidadosa de sua história, localização, nome, e hábitos sociais. O alvo é identificar as potestades espirituais malignas responsáveis por ela. O perfil das cidades corresponderá aos espíritos malignos por elas responsáveis.

Um dos objetivos do mapeamento é localizar o "trono de Satanás", o local onde a potestade responsável pela área tem seu quartel-general. Como localizá-lo? Uma igreja local deve tomar o mapa da cidade ou zona a ser evangelizada, e com ele na mão, deve orar sobre cada um dos quadrados que delimitam uma área.

Quando sentirem profunda opressão e resistência espiritual ao orar sobre uma determinada área, deverão marcar cuidadosamente aquela área, pois é ali que está localizado o trono de Satanás. 

A igreja então deverá iniciar naquela região especifica um grupo de guerreiros de oração, os quais, pela oração da fé, devem declarar a queda do trono de Satanás. Quando isso ocorrer, a cidade ficará liberta e a Igreja poderá evangelizar e ganhar a cidade inteira para Cristo.

Uma ilustração desta crença é a experiência narrada por Timothy Warner de um uruguaio que morava perto da fronteira com o Brasil. Ele ganhou um folheto evangelístico em sua terra, sem qualquer interesse em seu conteúdo. 

Quando cruzou a fronteira com o Brasil, imediatamente se converteu! A explicação de Warner é que no território brasileiro os demônios estavam "amarrados", enquanto que, no lado uruguaio, não.

F. Demonização das estruturas e a "oração de guerra"

O conceito da demonização das estruturas tem importante papel na cosmovisão do movimento. Robert Linthicum descreve as cidades como sendo habitação do mal pessoal, do mal sistêmico, e dos principados e potestades.

Outros autores ainda falam do principado e potestade que está nas estruturas sociais do Brasil. Apesar de não haver qualquer evidência bíblica a este favor, Wagner insiste que "estruturas sociais... podem, e são frequentemente demonizadas por personalidades demoníacas extremamente perniciosas e dominadoras, as quais chamo de 'espíritos territoriais".

É crucial que a Igreja, uma vez que "mapeou" a região a ser evangelizada, que determine pela oração a queda das fortalezas entrincheiradas nestas regiões e estruturas, e isto em voz alta, com fé, declarando em nome de Jesus que aquela fortaleza está derrubada, e que aquele poder maligno está anulado.

Pela "palavra da fé", os crentes determinam a vitória de Cristo sobre a região identificada, e por fim, declaram que a cidade pertence a Cristo.

O princípio que está por detrás dessa estratégia, consciente ou não, é o da confissão positiva. Entretanto, tem sido chamada de "oração de guerra".

O conceito de "oração de guerra" foi popularizado por Wagner em seu livro Warfare Prayer ("Oração de Guerra").

O conceito é de que a oração funciona como uma arma, através da qual a Igreja pode neutralizar a ação dos demônios. 

Grupos se concentram e fazem correntes de oração para derrubar determinadas fortalezas, e neutralizar os poderes malignos entrincheirados em um determinado território, ou nas estruturas sociais, políticas, e mesmo eclesiásticas. Isto se chama "guerra estratégica pela oração".

Nesta oração, é essencial que se mencione os nomes das potestades da área, e que se determine que estão amarradas em nome de Jesus.

A Igreja pode "amarrar" pela "oração de guerra", não somente os demônios que controlam as estruturas e os sistemas sociais, mas particularmente os espíritos malignos supostamente responsáveis por desvios morais de comportamento, como o "demônio da embriagues", "demônios dos vícios", ou "demônios das drogas". O método é vocalizar a ordem: "Eu te amarro em nome de Jesus!" e então declarar que o demônio está "amarrado".

É muito importante neste confronto identificar o nome do demônio. Isto se faz conjurando-o, em nome de Jesus, a responder a estas indagações.

Há registros de diálogos demorados de obreiros da "batalha espiritual" com pessoas endemoninhadas, onde o obreiro conversa com as entidades malignas que supostamente infestam a pessoa, para identificar quem são, de onde vêm, para finalmente amarrá-los, repreendê-los, e mandá-los de volta para o abismo.

G. Aconselhamento ekbalístico

O aconselhamento e o cuidado pastoral pelas pessoas, dentro das ideias da "batalha espiritual", parte do princípio que demônios podem abrigar-se na vida de alguém, quer essa pessoa seja crente ou não, e produzir dor, sofrimento, doenças, e desvios morais de comportamento.

O termo "possessão demoníaca" é geralmente evitado. O termo usado é via de regra "demonização". Nos gabinetes de aconselhamento de pastores e especialistas adeptos do movimento, o paciente é "libertado" dos desvios de comportamento, dos problemas físicos e psicológicos, através da expulsão dos demônios responsáveis.

Em casos graves e reincidentes, o paciente é orientado a praticar a "autolibertação", ou seja, a expelir demônios do seu próprio corpo, se o mal causado por eles se mostra muito frequente e resistente.

Nesta técnica da "batalha espiritual", quase todos os problemas das pessoas (crentes, inclusive) se resolvem através da expulsão dos demônios alojados em suas vidas.

H. Quebra de maldições hereditárias

Uma outra técnica que os crentes devem aprender é a quebra de maldições. Acredita-se que as pragas, maldições ou palavras más proferidas contra nós têm o poder de nos tornar infelizes, de perturbar nossas vidas.

Através desta maldições lançadas contra nós, que podem incluir frases dos nossos pais como "menino, vai para o diabo que te carregue!", os demônios recebem autoridade para entrar em nossas vidas e torná-las em miséria, dor e sofrimento. 

Mesmo um verdadeiro crente pode deixar de alcançar a plena felicidade, caso não quebre as maldições que foram lançadas contra ele. O processo consiste em localizar e identificar estas maldições, e anulá-las "em nome de Jesus".

Uma outra técnica aborda as maldições hereditárias, aquelas que herdamos dos nossos pais e antepassados, através dos seus pecados não confessados, ou de pactos com demônios que porventura tenham feito. Este conceito baseia-se em Êxodo 20.5, onde Deus afirma que castiga a maldade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração.

A libertação, segundo alguns aderentes da "batalha espiritual", consiste em traçarmos uma árvore genealógica da nossa família, identificarmos as pragas, maldições, pecados e pactos com demônios feitos por eles no passado, e anulá-los, quebrando-os, e rejeitando-se os pecados dos nossos progenitores.

3 - COM O QUE PODEMOS CONCORDAR?

A - A realidade das forças do mal

A ênfase dada na "batalha espiritual" à atuação de Satanás e seus anjos nos dias de hoje vem nos conscientizar da realidade, do poder, e da atuação das hostes espirituais da maldade.

Isto é algo necessário, pois a Igreja é sempre tentada a perder a visão espiritual, a deixar de discernir além do que é visível a olhos humanos, limitando-se a perceber somente o que é palpável, tangível, sem enxergar além das realidades concretas.

Os crentes são tentados a ficar totalmente indiferentes para as realidades espirituais, e por esta razão, deixam de orar como deveriam. 

Ou podem ficar totalmente materialistas, preocupados apenas com o que comer e beber, como se divertir, ter um bom emprego, subir na vida, casar, ter filhos e ganhar sua aposentadoria no final. E se esquecem de que há uma batalha ocorrendo neste exato momento, que existem poderes espirituais do mal que estão vindo contra a Igreja.

Assim, de tempos em tempos Deus usa movimentos, como a "batalha espiritual" em nossos dias, para fustigar a Igreja, e para dizer-lhe que ela não está dando a devida importância à realidade da atuação e poder destas forças.

Evidentemente não devemos dar atenção excessiva aos demônios. Porém, não devemos ignorar sua realidade e atuação. Devemos estar conscientes destes poderes. Devemos ter uma perspectiva bíblica lúcida sobre o tema.

B. Preocupação evangelística

A "batalha espiritual" tem demonstrado por vezes acentuado zelo evangelístico. Estão interessados em atingir as pessoas com o Evangelho. Pensam que através da "batalha espiritual" poderão atingir e libertar aquelas pessoas que não têm Cristo.

Temos que reconhecer o zelo e fervor destas pessoas, que servem quase que como um julgamento sobre a mornidão, indiferença e comodismo que por vezes domina as igrejas evangélicas tradicionais.

C. Ênfase à oração

Por fim, vê-se no movimento uma ênfase à oração que é bem vinda. A Igreja tem de orar, senão não vai progredir, não vai avançar, não vai crescer. Quanto à isto, todos os evangélicos concordam. E nisto os defensores da "batalha espiritual" estão certos.

Jesus e os apóstolos nos deixaram o exemplo de como através da oração a Igreja vive neste mundo e nele participa do eterno propósito de Deus. 

Infelizmente e frequentemente a Igreja não ora como devia. Muitos evangélicos das igrejas históricas não vão às reuniões de oração mesmo tendo condições para tal; poucos oram em casa, com suas famílias e amigos.

Ainda outros limitam-se apenas a uma "reza" antes das refeições, e outra antes de dormir. Falta oração fervorosa, poderosa, que sai do íntimo do coração. Neste ponto, o movimento vem nos repreender, e nos conclamar a uma vida mais intensa de oração, visto que temos inimigos tão formidáveis, poderosos e traiçoeiros.

CONCLUSÃO

O pragmatismo tem penetrado profundamente nas igrejas evangélicas, produzindo estragos tremendos. Mas será que devemos ser pragmáticos como cristãos? Vamos usar certas coisas no culto e na vida cristã apenas porque elas "funcionam"? Ou vamos usar porque são bíblicas?

Existem muitos métodos, empregados pelas seitas, que "funcionam" — do contrário, as seitas não teriam tantos adeptos ao redor do mundo. Mas a pergunta certa é, qual o fundamento bíblico para estes métodos?

Se o propósito é encher a igreja de pessoas, existem muitas coisas que podem ser feitas pelos pastores para terem suas igrejas repletas. Mas, tais fórmulas são bíblicas? O pragmatismo abre caminho para outros erros e nos fará pensar que os fins justificam os meios.

Mas a preocupação mais forte é que algumas ênfases do movimento ameaçam direta ou indiretamente a suficiência de Cristo e do Evangelho. A Bíblia nos diz que o Evangelho é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê. 

Ensinamos que se uma pessoa está em Cristo, ela faz parte da nova criação de Deus (2 Co 5.17); não há mais condenação para ela (Rm 8.1); seus pecados foram perdoados e houve um rompimento com o passado, pois o crente foi transportado do império das trevas para o reino de Cristo (Cl 1.13).

Ela não mais pertence a este mundo, que se desfaz, mas à época vindoura que já raiou no presente. Portanto, Satanás, apesar de tentar o crente ao pecado, e de lhe dificultar a vida, já não tem mais nenhuma autoridade, nenhum direito sobre ele: nas palavras do apóstolo João, "o maligno não lhe toca" (1 Jo 5.18). A obra de Cristo é completa e perfeita.

APLICAÇÃO INDIVIDUAL

Abra a Bíblia em Efésios 6 e comece a ler a partir do verso 13. Avalie sinceramente. O que está faltando na sua armadura, soldado do exército de Deus? 

Depois de uma avaliação diante de Deus, peça a ele em oração para que o ajude a vestir as partes que faltam. Não desanime se estiver se sentindo atrasado para a batalha. Muitos companheiros seus o aguardam.

O TRONO DE SATANÁS - CONSIDERAÇÕES

Examinemos o caso do "trono de Satanás". Isto é mencionado apenas uma vez nas Escrituras, em Ap 2.13. Nesta passagem o Senhor Jesus se refere à cidade de Pérgamo, onde havia uma igreja cristã, como sendo o local do trono de Satanás, o local onde o maligno habitava. 

A referência certamente é a algo em Pérgamo que era extremamente hostil e perigoso para a fé cristã, e que já tinha feito vítimas como o fiel Antipas (2.13). Não é difícil identificar esta ameaça: Pérgamo era o centro do culto ao Imperador na Ásia. O templo dedicado ao Imperador naquela cidade era o mais antigo de toda a Ásia. 

Num ambiente destes, a vida dos cristãos corria constante perigo. Além do mais, eles sabiam que por detrás da idolatria estavam os demônios (1 Co 10.20). A expressão "trono de Satanás" não indicava que havia em Pérgamo um trono espiritual onde Satanás se assentava, e de onde controlava outros espíritos malignos. 

Ela indica que Satanás dominava naquela cidade através do culto ao Imperador. Embora Satanás rodeie e passeie por toda a terra (Jó 1.7), seu assento é nos lugares famosos pela idolatria, imoralidade e violência. 

Na carta à Igreja de Esmirna, os judeus perseguidores dos cristãos são chamados "sinagoga de Satanás" (Ap 2.9). Segue-se que havia em Esmirna uma "sinagoga" de demônios? É evidente que não, pois a expressão é usada figuradamente para expressar o caráter maligno dos judeus perseguidores.

COMO PAULO ENFRENTOU SATANÁS

Satanás barrou o caminho do apóstolo e tentou destruir a obra que ele deixara para trás em Tessalônica (1 Ts 2.18, 3.5). Como reagiriam a essa ação demoníaca os modernos proponentes da batalha espiritual? 

O apóstolo Paulo não se deixou intimidar por estas coisas. Ele estava consciente de que o Senhor, que é fiel, haveria de confirmar e guardar os tessalonicenses do maligno (2 Ts 3.3). Isto não significava, para Paulo, que as barreiras colocadas por Satanás haveriam de ruir ao simples som de sua voz de comando! Ele tomou algumas providências para enfrentar este contra-ataque de Satanás.

Primeiro, Paulo passou a perseverar em oração dia e noite para que Deus dirigisse o seu caminho até os tessalonicenses (1 Ts 3.10-11). Embora ele orasse com o "máximo empenho", não fez qualquer reivindicação a Deus, nem lhe deu ordens, nem decretou na oração que o caminho estava aberto. Ele simplesmente se submeteu à vontade soberana de Deus quanto ao tempo e ao modo de voltar a ver seus queridos filhos na fé.

Segundo, Paulo orou com igual fervor para que, durante a sua ausência, o Senhor fizesse crescer o amor deles uns para com os outros e os preservasse irrepreensíveis na santidade (1 Ts 3.12-13).

Terceiro, Paulo enviou Timóteo à Tessalônica. Já que ele não podia ir, talvez Timóteo conseguisse chegar até à igreja. A missão de Timóteo era fortalecer-lhes o ânimo e dar-lhes notícias de Paulo (1 Tm 3.1-5). Timóteo conseguiu furar o bloqueio satânico, esteve com os irmãos em Tessalônica, e regressou trazendo boas notícias a Paulo (1 Ts 3.6-8).

Quarto, o apóstolo escreveu duas cartas para fortalecer o ânimo deles, para desmascarar o falso ensino que havia surgido, para preveni-los contra os prodígios de mentira, e para responder à perguntas que eles haviam enviado através de Timóteo.



Lista de estudos da série

1. O Segredo dos Apóstolos – Estudo Bíblico sobre O Crescimento da Igreja Primitiva

2. Sobrevivendo à Perseguição – Estudo Bíblico sobre O Crescimento da Igreja Até a Reforma

3. A Volta da Verdade – Estudo Bíblico sobre O Crescimento da Igreja Pela Reforma

4. A Era dos Gigantes – Estudo Bíblico sobre O Crescimento da Igreja e Missões

5. Como o Evangelho Chegou Aqui – Estudo Bíblico sobre O Crescimento da Igreja no Brasil

6. Planejamento Humano ou Divino? – Estudo Bíblico sobre O Crescimento da Igreja Hoje

7. Cuidado com o Fogo Estranho – Estudo Bíblico sobre O Crescimento da Igreja e Métodos Modernos

8. Mitos da Batalha Espiritual – Estudo Bíblico sobre O Crescimento da Igreja e o Misticismo

9. Vencendo o Verdadeiro Inimigo – Estudo Bíblico sobre O Crescimento da Igreja e a Batalha Real

10. O Verdadeiro Poder do Espírito – Estudo Bíblico sobre O Crescimento da Igreja e os Dons

11. Santidade no Trabalho – Estudo Bíblico sobre O Crescimento da Igreja e a Sua Profissão

12. O Triunfo Final de Cristo – Estudo Bíblico sobre O Crescimento da Igreja e o Futuro

13. Sua Missão Pessoal – Estudo Bíblico sobre O Crescimento da Igreja e Você

Semeando Vida

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