Neemias 3 e 4
Chegou a hora de colocar a mão na massa. Havia muito trabalho a ser feito e muitos obstáculos a vencer. Seria realmente possível reconstruir os muros de Jerusalém? E os inimigos, como combatê-los e não deixá-los atrapalhar a obra?
Aprenderemos importantes lições sobre como trabalhar e agir ainda hoje, especialmente no reino de Deus.
I. A OBRA FOI CONDUZIDA POR MEIO DA COOPERAÇÃO DE MUITOS (3.1-32)
A única forma de realizar uma tarefa monumental como a que Neemias se propôs a fazer é com o esforço cooperativo, ou seja, mediante a união de várias pessoas trabalhando pelo objetivo comum.
O capítulo 3 de Neemias consiste, em sua maior parte, de uma lista de nomes e lugares. Ele é geralmente pulado pelos leitores que consideram tais relações como uma interrupção desnecessária do curso normal da história e que nada contém de útil ou espiritual.
Entretanto, se olharmos mais atentamente, perceberemos que o capítulo nos ensina sobre a importância de utilizar o esforço cooperativo quando lidamos com tarefas difíceis.
Este princípio fica evidente se observamos a expressão "junto a ele" e outras semelhantes usadas cerca de trinta vezes. Neemias reuniu uma grande variedade de pessoas e as colocou para trabalhar ao lado uns dos outros para cumprir aquela grande tarefa num espaço mínimo de tempo.
Esses trabalhadores eram homens e mulheres de diferentes origens sociais e profissionais: sacerdotes, ourives, perfumistas, governantes, servos do templo, mercadores, etc. As diferenças socioeconômicas não impediram o povo de unir-se e trabalhar lado a lado.
Houve, naturalmente, exceções. Os nobres de Tecoa se recusaram a ajudar. Mas isso não chegou a manchar o belo quadro que se formou quando o povo, colocando de lado todas as possíveis barreiras, dispôs-se para o trabalho.
A mistura de trabalhadores também fica evidente quando reparamos que ele vieram de nove cidades diferentes: Jericó, Gibeão, Mispa, Meronote, Zanoa, Bete-Haquerém, Bete-Zur, Queila e Tecoa. Um grupo social e geograficamente diverso de pessoas de Deus trabalhando ombro a ombro para alcançar um objetivo comum.
De que maneira mais Neemias poderia realizar a tremenda tarefa de reedificar os muros e as portas de Jerusalém? O capítulo três é um recurso visual divino ilustrando o que é unidade no meio da diversidade.
Para que a obra de Deus seja efetivamente realizada em nossos dias, precisamos, da mesma forma, da ativa cooperação de variados trabalhadores e não apenas de indivíduos dispostos.
O Novo Testamento reforça este princípio para a igreja quando diz:
Efésios 4:16
...todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor.
II. A OBRA FOI FEITA ENFRENTANDO GRANDE OPOSIÇÃO (4.1-23)
Não pense que Neemias e o povo de Deus começaram a sua obra num mundo de sonhos e sem problemas.
Eles se viram imediatamente diante de oposição vinda de todos os lados. O capítulo 4 lista quatro tipos de oposição e registra as soluções correspondentes para cada uma. Talvez você possa identificar situações paralelas que enfrenta atualmente.
A. RIDICULARIZAÇÃO (VS.1-3)
Sambalá e Tobias se desagradaram quando ouviram sobre o projeto de Neemias e imediatamente começaram a fazer-lhe aberta oposição (cf. 2.10,19,20). Como a obra prosseguiu e os trabalhadores se organizaram, a ridicularização tomou um novo fervor.
Veja como Sambalá zombou dos trabalhadores fazendo uma série de perguntas sarcásticas:
Neemias 4:2
Que fazem esses fracos judeus? Permitir-se-lhes-á isso? Sacrificarão? Darão cabo da obra num só dia? Renascerão, acaso, dos montões de pó as pedras que foram queimadas?
Logo em seguida, seu companheiro Tobias emendou:
Neemias 4:3
Ainda que edifiquem, vindo uma raposa, derribará o seu muro de pedra.
Parece que dá para vê-los rindo e gargalhando, divertindo-se às custas do povo de Deus. Que dura situação! Quão constrangedoras e desanimadoras eram aquelas risadas! Como dói vermos as pessoas rindo e zombando de nós.
Note que os judeus não seguiram o natural rumo de procurar vingança ou explodir com uma irada retaliação. Em vez disso, eles imediatamente se voltaram ao Senhor em oração. Colocaram toda aquela situação sob os cuidados de Deus confiando que ele agiria em seu favor, livrando-os de tão desagradáveis inimigos.
Eles também lidaram com a ridicularização com a determinação de ir adiante de todo o coração. "Assim, edificamos o muro, e todo o muro fechou até a metade de sua altura; porque o povo tinha ânimo para trabalhar" (v.6).
Queira Deus que a igreja de nossos dias esteja da mesma forma motivada a trabalhar sem se distrair ou desencorajar facilmente para que a causa do reino de Deus avance.
B. AMEAÇAS (VS.7,8)
Os adversários não se entregaram facilmente, mas após a ridicularização vieram com uma oposição mais forte — desta vez em forma de uma ameaça de ação militar.
Neemias 4:7-8
...ouvindo Sambalá e Tobias, os arábios, os amonitas e os asdoditas que a reparação dos muros de Jerusalém ia avante e que já se começavam a fechar-lhe as brechas, ficaram sobremodo irados. Ajuntaram-se todos de comum acordo para virem atacar Jerusalém e suscitar confusão ali.
Como Neemias e o povo de Deus lidaram com essa ameaça de ataque? "...nós oramos ao nosso Deus e, como proteção, pusemos guarda contra eles, de dia e de noite" (v.9). Novamente, sua primeira resposta foi orar e então eles suplementaram sua oração com a colocação de guardas.
Eles demonstraram uma saudável combinação de piedade e praticidade em vez de isolar as duas e optar por um lado só. A igreja de hoje precisa de homens e mulheres que possuem a mesma combinação de fé e ação.
C. NEGATIVISMO (V.10)
Uma oposição adicional aparece no verso 10. Dessa vez, entretanto, a pressão vinha de dentro do próprio campo do Senhor e não de inimigos externos. Alguns do povo protestaram: "Já desfaleceram as forças dos carregadores, e os escombros são muitos; de maneira que não podemos edificar o muro" (v.10).
Facilmente eles esqueceram as promessas da aliança com Deus e de como sua mão os tinha providencialmente guardado até ali.
Em vez de regozijar-se porque metade da obra já havia sido realizada, eles, de forma pessimista, olharam para o que ainda tinha que ser feito e concluíram que a obra era grande demais. Entretanto, Neemias não se entregou, confiou em Deus e continuou a fazer a obra.
Esperamos que os cristãos de hoje vejam que Deus está completando a sua obra e não se concentrem nas oposições e dificuldades humanas! Neemias tinha uma visão positiva a respeito do que Deus poderia fazer e, assim, persistia em seu trabalho.
D. ATAQUE INESPERADO (VS.11,12)
Um último tipo de oposição, o perigo de um ataque inesperado, é assim descrito: "Disseram, porém, os nossos inimigos: Nada saberão disto, nem verão, até que entremos no meio deles e os matemos; assim, faremos cessar a obra" (v.11).
Por dez vezes os judeus que moravam nas proximidades vieram e disseram: "De todos os lugares onde moram, subirão contra nós" (v.12). Você pode imaginar a tensão provocada por um ataque iminente de tais proporções?
Neemias encontrou uma tripla solução para o perigo de um ataque súbito.
Primeiro, ele colocou guardas em locais estratégicos ao longo do muro.
Segundo, ele instruiu aos trabalhadores a ter armas à mão juntamente com suas ferramentas de construção. Eles estavam prontos para entrar em ação no exato momento em que ouvissem o som de uma trombeta.
A terceira solução de Neemias foi proclamar a grandeza da Deus. "...não os temais; lembrai-vos do Senhor, grande e temível, e pelejai pelos vossos irmãos, vossos filhos, vossas filhas, vossa mulher e vossa casa" (v.14). Neemias possuía uma elevada apreciação pelo Deus que torna seus problemas em situações solucionáveis.
Tendo visto a mão de Deus mover o coração do grande monarca persa e motivar o povo a completar metade do muro, Neemias era capaz de encarar a oposição de um ataque inesperado lembrando o povo acerca da grandeza do Deus a quem eles pertenciam.
Aqui encontramos um lembrete perpétuo para o povo de Deus. Quando enfrentar pressões, mantenha sua perspectiva lembrando que Deus é grande e temível e que ele não é vencido por problemas de qualquer magnitude. Sua soberania transcende o maior dos obstáculos.
1 João 4:4
...maior é aquele que está em vós do que aquele que está no mundo.
Conclusão
Para reconstruir os muros de Jerusalém, Neemias contou com uma diversificada cooperação do povo. Embora alguns se recusassem a participar, a maioria se dispôs a ajudar e assim foi possível realizar o projeto.
Ao mesmo tempo, foi necessária muita oração, ação e perseverança para superar todas as formas de oposição que surgiram. Que em nosso desafio de edificar o reino de Deus tenhamos a mesma disposição e atitude.
Aplicação
Qual tem sido a sua participação no esforço cooperativo de edificar a igreja? E a sua reação à oposição à obra e ao reino de Deus, qual é?
Autor: DARIO DE ARAÚJO CARDOSO
Lista de estudos da série
1. O erro fatal que destruiu uma nação – Estudo Bíblico sobre 2 Crônicas 362. A oração secreta que iniciou uma revolução – Estudo Bíblico sobre Neemias 1
3. Como Deus age nos bastidores do poder – Estudo Bíblico sobre Neemias 2:1-9
4. Os 3 segredos de um líder antes de agir – Estudo Bíblico sobre Neemias 2:11-20
5. A fórmula infalível para vencer oposição e zombaria – Estudo Bíblico sobre Neemias 3 e 4
6. O inimigo interno: o que fazer quando o problema está dentro de casa? – Estudo Bíblico sobre Neemias 5
7. Distração, difamação e intimidação: as 3 armas do inimigo contra você – Estudo Bíblico sobre Neemias 6
8. Por que muros fortes não bastam para proteger uma cidade – Estudo Bíblico sobre Neemias 7
9. A verdadeira necessidade de um povo avivado – Estudo Bíblico sobre Neemias 8
10. Os 4 passos essenciais para uma genuína renovação espiritual – Estudo Bíblico sobre Neemias 9
11. As 3 promessas que todo crente deveria fazer e cumprir – Estudo Bíblico sobre Neemias 9:38-10:39
12. A anatomia da verdadeira celebração cristã – Estudo Bíblico sobre Neemias 11 e 12
13. Cuidado! A ruína pode voltar quando você relaxa – Estudo Bíblico sobre Neemias 13
