João 14:16-26
Um dos textos centrais, o de Efésios 4:30, fala-nos de importantes verdades. A primeira relaciona-se diretamente com o tema desta lição. Refiro-me ao fato de que a frase, "não entristeçais o Espírito de Deus", mostra que o Espírito Santo é uma Pessoa, e não apenas uma influência ou poder impessoal. Não se pode entristecer uma influência ou poder impessoal, não é mesmo?
A segunda verdade é que, se somos cristãos de verdade, fomos selados no Espírito Santo "para o dia da redenção" - quer dizer, temos no próprio espírito de Deus a garantia da nossa salvação para a vida eterna.
A terceira verdade é a do perigo que corremos de entristecer o Espírito Santo, o que os israelitas fizeram no passado, trazendo sobre si, funestas consequências (ver Is 63:10).
O mundo está constantemente ofendendo o Pai e o Filho e o Espírito Santo. E nós corremos o risco de seguir a onda do mundo.
Quanto às ofensas específicas ao Espírito Santo, há muitas maneiras de entristecê-lo e, embora o pecado imperdoável seja um só, expressa-se de diversos modos.
É sábio recordar e mentalizar advertências bíblicas como as de Ex 20:7 ("Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão...") e Mt 12:31,32,("... a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada...").
1- DIFICULDADES DESTE ESTUDO
Vejamos algumas dificuldades próprias do estudo da doutrina do Espírito Santo.
A primeira é a aparência, porque o Espírito Santo parecer ser impessoal. Essa dificuldade não existe ou pelo menos é muito menor, com relação ao Pai e ao Filho.
As referências bíblicas ao Espírito Santo descrevem-no com nomes e símbolos que dão a impressão de que ele é um poder impessoal. Ele é chamado fôlego, sopro, vento, poder, fogo azeite ou óleo. Ver, por exemplo, Gn 2:7; Sl 33:6; Jo 3:5-8; Lc 24:49; At 2:1-4 comparado com Mt 3:11.
Quanto à expressão "os sete espíritos de Deus" (Ap 4:5), note-se que, para os judeus, o número sete é de significação sagrada e expressa poder completo e multiforme. Portanto, a expressão "os sete espíritos de Deus" refere-se ao poder infinito e multiforme de Deus.
Segunda dificuldade: Várias saudações do novo Testamento incluem apelativos dirigidos ao Pai e ao Filho, omitindo o Espírito Santo. Exemplos: Ef 1:2; I Ts 3:11-13.
Terceira dificuldade: O nome que a Bíblia dá à terceira Pessoa da Trindade é "Espírito Santo". Pois, o vocábulo "espírito" é do gênero neutro, em grego (pneüma). Os vocábulos do gênero neutro naturalmente não se aplicam a pessoas, e, sim, a coisas.
Quarta dificuldade para o estudo da doutrina da Pessoa do Espírito Santo: Se quem faz esse estudo não estiver preparado, verá contradições entre as seguintes passagens: Jo 7:39 (O Espírito não fora dado); Jo 1:32 (João Batista vira o Espírito descer como pomba sobre Jesus, no Seu batismo); At 4:25 (declara que Davi escreveu o Salmo 2 inspirado pelo Espírito Santo).
As contradições são aparentes. Na Bíblia vemos que o Espírito Santo age de diferentes maneiras, com maior ou menor intensidade, e com vários propósitos dentro do plano de salvação.
Quanto à salvação dos homens, por exemplo, o Espírito age agora e agiu nos tempos anteriores ao Novo Testamento. Quanto à missão dos discípulos de Cristo, o Espírito Santo foi dado depois da ascensão de Jesus.
Veremos a seguir argumentos bíblicos que mostram que o Espírito é uma Pessoa divina — isto é, que comprovam a personalidade e a divindade do Espírito Santo.
2 - A PERSONALIDADE DO ESPÍRITO SANTO
(1) A Bíblia se refere ao Espírito Santo com expressões e termos apropriados para uma personalidade. Exemplo:
Pneüma
É substantivo neutro. Contudo, em Jo 16:13-14, o pronome pessoal masculino ekeinos é usado com referência ao Espírito Santo. A tradução literal da frase inicial do versículo 13 é: quando vier, porém, aquele, o Espírito da verdade. Em Ef 1:14, havendo-se mencionado o Espírito Santo no versículo anterior, é empregado o pronome relativo masculino hos (o qual).
Parákletos
O Espírito é chamado Parácleto (parákletos) em Jo 14:26; 15:26; 16:7. Parácleto é alguém chamado para estar ao lado de outrem para lhe dar consolo, ajuda, defesa. É palavra que não poder ser traduzida por "consolo" nem pode ser entendida como expressando alguma influência impessoal e abstrata. Jesus disse que o Espírito seria Seu Substituto como "outro Consolador" (Jo 14:16). Isto reforça a verdade de que o Espírito é uma Pessoa, pois uma influência abstrata não pode substituir uma pessoa concreta. O mesmo vocábulo (paraklétos), traduzido por Advogado, é empregado com referência à Pessoa de Jesus Cristo em 1 Jo 2:1.
(2) A Escritura atribui características pessoais ao Espírito Santo. Exemplos:
- Inteligência (Jo 14:26; 15:26; Rm 8:16);
- Vontade (At 16:7; 1 Co 12:11);
- Sentimentos (Is 63:10; Ef 4:30) próprios de uma personalidade;
- Sonda, fala, testifica, ordena, ensina, luta, cria, intercede, ressuscita mortos, etc. (Gn 1:2; 6:3; Lc 12:12; Jo 14:26; 15:26; 16:8; At 8:29; 13:2; Rm 8:11; 1 Co 2:10,11).
(3) O Espírito Santo mantém relações pessoais com outros. Com o Pai e o Filho (Mt 28:19; 2Co 13:13; 1 Pe 1:1,2; Jd 20,21); com Cristo (Jo 16:14); com os apóstolos e presbíteros (At 15:28); com os crentes em geral (Rm 8:11,16).
(4) Há passagens que distinguem entre o Espírito e o Seu poder, como Lc 1:35; 4:14; At 10:38; Rm 15:13; 1 Co 2:4. Estas passagens seriam tautológicas se o Espírito fosse apenas uma virtude ou um poder ou uma influência abstrata. Veja-se, por exemplo, Lc 4:14:"Então Jesus, no poder do Espírito, regressou para a Galiléia...". Substituindo "Espírito" por "poder", eis o resultado: "Jesus, no poder do poder, regressou...".
3 - A DIVINDADE DO ESPÍRITO SANTO
Eis os principais argumentos bíblicos em favor da divindade de Cristo:
O Espírito Santo recebe nomes divinos: Ex 17:7, vide Hb 3:7-9, identificado com o Senhor (Iavé); At 5:3,4 Deus; 1 Co 3:16,17, Deus; 2 Co 3:18, Senhor; 2 Tm 3:16 (vide 2 Pe 1:21), Deus.
O Espírito possui perfeições divinas: onipresença (Sl 139-10), onisciência (Is 40:13,14; Rm 11:34), onipotência (Lc 1:35; Rm 15:19; 1 Co 12:11), eternidade (Hb 9:14). Tenha-se em conta igualmente o magnífico fruto do Espírito, constituído de virtudes esplêndidas, indubitavelmente perfeitas em sua origem: Gl 5:22,23.
O Espírito Santo realiza obras divinas: criação (comunicação da vida), Gn 1:2; Jó 33:4; Sl 33:6; renovação providencial, Sl 104:30; regeneração, Jo 3:5,6 (ver Jo 1:13); Tt 3:5; ressurreição de mortos, Rm 8:11; inspiração da Escritura, 1 Pe 1:19-21 (ver 2 Tm 3:16).
Alusões ao Senhor (Iavé) no Velho Testamento, são dirigidas ao Espírito Santo no Novo: Ex 17:7, Sl 95:7-9 e Hb 3:7-9; Is 6:8-10 e At 28:25-27.
O Espírito Santo compartilha honra e ações com o Pai e o Filho: Mt 28:19, a grande comissão e o batismo; 1 Co 12:4-6, dons e serviços da igreja; 2 Co 13:13, a bênção apostólica.
CONCLUSÃO
O Texto de João 14 faz parte das últimas instruções dadas por Jesus, antes da Sua crucificação. Em meio às instruções, garantiu Ele que não deixaria os Seus discípulos órfãos, mas rogaria ao Pai e Este enviaria "outro Consolador".
Jesus fora o seu Consolador corporalmente presente. Indo-se Ele, ficaria uma lacuna. Esta seria preenchida pelo Espírito Santo, o "outro Consolador", o "outro Parácleto".
Corporalmente, a presença de Jesus era limitada no tempo e no espaço. Por Seu Santo Espírito, a presença do Senhor, Sua companhia consoladora é permanente universal. Não sofre as limitações de tempo e espaço.
É gloriosa bênção viver na Comunhão do Espírito!
Autor: REV. ODAIR OLIVETTI, REV. NELSON D.B. MARINO
Lista de estudos da série
1. O poder revelado em Elohim e El – Estudo Bíblico sobre os Nomes de Deus (AT 1)
2. Jeová, o nome sagrado do Deus redentor – Estudo Bíblico sobre os Nomes de Deus (AT 2)
3. Kyrios e Patér e a revelação íntima de Deus – Estudo Bíblico sobre os Nomes de Deus (NT)
4. A soberania e os atributos exclusivos de Deus – Estudo Bíblico sobre a Natureza Divina
5. Amor e justiça, os atributos de Deus em nós – Estudo Bíblico sobre Atributos Comunicáveis
6. Entendendo a doutrina bíblica da Trindade – Estudo Bíblico sobre o Deus Triúno
7. A pessoa divina do Espírito Santo, nosso Consolador – Estudo Bíblico sobre a Terceira Pessoa
8. A poderosa ação do Espírito Santo em sua vida – Estudo Bíblico sobre a Obra do Espírito
9. A perfeita humanidade de Jesus e nossa salvação – Estudo Bíblico sobre a Pessoa de Cristo (1)
10. As provas irrefutáveis da divindade de Jesus – Estudo Bíblico sobre a Pessoa de Cristo (2)
11. Jesus, nosso exemplo perfeito de caráter e conduta – Estudo Bíblico sobre a Vida de Cristo
12. Jesus, o único e perfeito mediador da nova aliança – Estudo Bíblico sobre a Obra de C
