Jesus, o único e perfeito mediador da nova aliança - Estudo Bíblico sobre Jesus

João 14:1-14

O título desta lição já afirma que, na religião bíblica, cristã, só Jesus é o Mediador entre Deus e os homens. A religião dominante em nossa pátria apregoa muitos intermediários entre Deus e os homens.

Apesar de dizer que Jesus é o Salvador dos pecadores e o Mediador entre estes e Deus, na verdade ela afirma a existência de tantos mediadores que, na prática, Jesus Cristo fica diminuído na devoção do povo.

Isso tudo, além de ser contrário à Palavra de Deus e de ofender a Trindade Santa, não dá segurança aos corações, porque os falsos mediadores não têm competência junto ao trono de Deus, e Jesus não é procurado com aquela confiança exclusiva que Ele requer e só Ele merece.

Pois bem, os ensinamentos que procuramos transmitir aqui são bíblicos, e podemos contar com a bênção do seu divino Autor para o estudo deles e para nossa edificação na fé e no testemunho de Cristo.

1 - VOCÊ CONHECE BEM ESSAS PALAVRAS?

1. Mediador

Esta palavra tem, na Bíblia, duas classes de sentidos: Numa, significa intermediário e interceptor; na outra, significa fiança, garantia, fiador. Quando aparece na Bíblia em português a palavra "Mediador", como em 1 Tm 2:5, os dois tipos de sentidos estão nela: Intermediário e Fiador.

2. Fiador

Quando é preciso dar ênfase à garantia de cumprimento da aliança de Deus, como em Hb 7:22, é usada a palavra "Fiador".

3. Expiação

Esta palavra não aparece no Novo Testamento em português. No lugar dela aparece a palavra reconciliação, e o verbo reconciliar, como em Rm 5:11; 11:15 e 2 Co 5:18-19. Ora, não pode haver reconciliação sem expiação.

4. Reconciliação

Ver a explicação dada no item anterior. Um exame de Rm 5:10,11 e 2 Co 5:18-21 mostra que a expiação e a reconciliação são muito relacionadas uma com a outra. A reconciliação do pecador com Deus depende da morte expiatória de Cristo e de Sua vitória sobre a morte.

5. Propiciação

O sentido simples desta palavra em português é apaziguamento. Propiciar é apaziguar, tornar Deus propício, favorável. Este sentido, porém, é mais próprio para as religiões pagãs.

Na Bíblia ela inclui a ideia de expiação para perdão de pecados. É preciso ter isso em mente para compreender o sentido bíblico de "propiciação" e também de "propiciatório" (ver Hb 9:5). "Propiciatório" poderia ser traduzido por "lugar de misericórdia" ou "lugar de perdão".

Vê-se, pois, que a mediação de Cristo, entre Deus e os homens, inclui a expiação da culpa pelo pecado, a substituição do pecador, a garantia do resultado e a reconciliação do pecador com Deus.

Além disso, como sacerdote (Hb 7:26-28), o Mediador intercede por aqueles em favor dos quais fez a expiação (Hb 7:25). - A Epístola aos Hebreus, principalmente nos capítulos 5 a 10, fala da perfeição da obra mediadora de Cristo, contrastada com a do sacerdócio do Velho Testamento.

2 - MEDIAÇÃO PERFEITA

A mediação de Cristo é infalível e perfeita, basicamente por duas razões: Sua Pessoa, e a abrangência da Sua obra como Mediador.

1. Sua Pessoa

O fato de ser Jesus Cristo o Filho de Deus e o Filho do homem, garante a eficiência da Sua obra como Mediador. Já foi dita alguma coisa a respeito, nas lições 9 e 10, que tratam da Pessoa de Cristo - perfeitamente homem e Deus. Vou acrescentar algo aqui, servindo-me de um pronunciamento de Louis Berkhof sobre a necessidade da humanidade e da divindade de Jesus Cristo.

Vejamos:

a) "A necessidade de Sua humanidade. Visto que o homem pecou, era-lhe necessário sofrer a pena. Além disso, o cumprimento da pena envolvia sofrimento de corpo e alma que somente o homem pode sofrer, Jo 12:27; At 3:18; Hb 2:14; 9:22.

Era necessário que Cristo assumisse a natureza humana, não somente com as suas propriedades essenciais, mas também com todas as fraquezas a que está sujeita desde a Queda, e, assim, devia descer às profundezas da degradação na qual o homem caíra, pois um pecador que perdera o direito à própria vida certamente não poderia expiar culpa em favor dos outros, Hb 7:26.

Somente um Mediador verdadeiramente humano, que tivesse conhecimento experimental dos males da humanidade e tivesse passado por todas as tentações, poderia penetrar empaticamente todas as experiências, provações e tentações do homem, Hb 2:17,18; 4:15 a 5:2, e constituir-se um exemplo humano e perfeito para os Seus seguidores, Mt 11:29; Mc 10:39; Jo 13:13-15; Fp 2:5-8; Hb 12:2-4; 1 Pe 2:21.

b) A necessidade de Sua divindade. No plano divino de salvação era absolutamente essencial que o Mediador também fosse Deus. Era necessário para que (1) oferecesse um sacrifício de valor infinito e prestasse perfeita obediência à lei de Deus; (2) levasse redentoramente sobre Si a ira de Deus, isto é, de modo que libertasse outros da maldição da lei; e (3) pudesse aplicar os frutos da Sua obra realizada aos que O aceitam pela fé.

O homem, com sua vida arruinada, não pode cumprir a pena do pecado, nem prestar perfeita obediência a Deus. Pode sofrer a ira de Deus e, a não ser pela graça redentora de Deus, terá de sofrê-la eternamente, mas não sofrê-la de modo a abrir um caminho de livramento, Sl 49:7-10; 130:3." (Sist. Theol. Berk., p. 319).

2. Abrangência

A mediação de Cristo é ampla e total, abrangendo todas as áreas vinculadas à obra de redenção. Menciono ligeiramente as seguintes áreas: revelação, ofícios, representação, morte.

Área da revelação. Quanto a este ponto, transcrevo o que disse Nagelsbach, comentando Is 6:3: Cristo "é o único Meio e, portanto, é também o Mediador de toda e cada revelação" (Lange's Commentary). Ver Jo 1:18; 14:9; Hb 1:1,2.

Área dos Ofícios. Restrinjo-me, neste item, a transcrever a Seção I do Capítulo VIII da Confissão de Fé, sobre Cristo como o Mediador:

"I. Aprouve a Deus, em Seu eterno propósito, escolher e ordenar o Senhor Jesus, Seu Filho Unigênito, para ser o Mediador entre Deus e o homem, o Profeta, Sacerdote e Rei, o Cabeça e Salvador de Sua igreja, o Herdeiro de todas as coisas e o Juiz do mundo; e deu-lhe desde toda a eternidade um povo para ser Sua semente e para, no devido tempo, ser por Ele remido, chamado, justificado, santificado, e glorificado".

Como Chefe da igreja e do universo, Cristo é o Cabeça, mas, como Redentor, Senhor e Guia do Seu povo, Ele é a Cabeça.

Quanto aos ofícios do Mediador, o de Profeta relaciona-se com a revelação; o de Sacerdote, com o de Intermediário, Sacrifício, Intercessor e Substituto; o de Rei, com o domínio salvífico de Cristo sobre o Seu povo.

Área da representação. Cristo representa Deus e o homem na obra de redenção. Como Deus, fica assegurada a eficácia do sacrifício e da meditação; como homem, fica assegurado o caráter substitutivo, de modo que o Seu sacrifício é expiatório e vicário.

Área da morte. A expiação do pecado e da culpa fundamenta a mediação do Redentor. Com o Seu sacrifício, Cristo satisfaz a justiça de Deus ferida pelo pecado, resgata o pecador da escravidão do pecado e estabelece a reconciliação de Deus com o homem. Seu sangue é o sangue da "nova aliança" (Lc 22:20) o que dá a Cristo a qualidade de Mediador e Fiador de "superior aliança" (Hb 7:22; 8:6; 9:15).

O adjetivo que qualifica "aliança", tanto em Lc 22:20 como em Hb 9:15, é kainé, feminino de kainós, e não néa, fem., de néos. É importante isso, porque néos quer dizer "novo" no sentido de "outro", ao passo que kainós é novo no sentido qualitativo.

Quer dizer que a aliança não é outra, mas a mesma aliança feita com Abraão e sua descendência espiritual, só que revestida de novas qualidades, como segurança, infalibilidade, perfeição.

3. O CARÁTER DO MEDIADOR

Nos versículos 1 a 3 vemos uma afirmação de autoridade e confiabilidade divina: "Credes em Deus, crede também em mim", consoladoras promessas: "vou preparar-vos lugar... voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que onde eu estou estejais vós também" (sendo que Cristo estava na terra, quando disse essas palavras, e, ao mesmo tempo estava no céu; ver Jo 3:12,13); e uma garantia de veracidade: "Se assim não fora, eu vo-lo teria dito".

O Mediador pode ser Mediador porque tem autoridade divina, merece a mesma fé que Deus merece, faz promessas que ninguém mais pode fazer e, apesar desta condição infinitamente alta em que está, sujeita-se a uma prova de caráter que poderia dispensar soberanamente: "Se assim não fora, eu vo-lo teria dito".

É como se dissera: Se estas coisas não fossem verdadeiras, eu não vos enganaria com mentiras e falsas promessas.

Nós, pobres mortais, que não encontramos em nada nem ninguém base para segurança real, temos em Cristo segurança absoluta porque Ele é o Mediador e o Fiador da aliança de Deus com o Seu povo.

4. A Exclusividade do Mediador

Depois de referir-se ao Seu destino e ao caminho para lá (versículo 4), Jesus identifica o destino com o caminho (versículo 6). Seguir a Cristo é ir para Deus, é ir para o céu.

Estar com Cristo é estar com Deus, é estar no céu. A diferença entre a realidade presente do crente e a do porvir das atrações de outros caminhos de outros destinos ou ideais.

O fato de que Jesus Cristo é o único Mediador é estabelecido duplamente nesta passagem:

Primeiro, com a afirmação de que Ele é o caminho (Vers. 4,6). Não um caminho dentre vários, mas o caminho;

Segundo, com a peremptória declaração de Cristo "ninguém vem ao Pai senão por mim" (vers. 6). Recorrer a outros mediadores e medianeiros, como também a outros meios de salvação é espezinhar a verdade do Evangelho e ofender com sombria blasfêmia o caráter santo e divino do Filho de Deus - Jesus Cristo, "o caminho, e a verdade, e a vida".

5. A Infalibilidade do Mediador

Nos versículos 9 a 11 há um extraordinário reforço das verdades contidas nos versículos 1 a 3. Jesus declara a Sua identidade com o Pai - identidade comprovável por Sua Pessoa ("Quem me vê a mim, vê o Pai"), por Suas palavras, confirmadas pelas obras realizadas pelo Pai, e pelas Suas obras, que são as mesmas realizadas pelo Pai. É evidente que isso tudo mostra que o Mediador é infalível - e infalível é a Sua mediação.

6. A Continuidade da Mediação

A obra mediadora fundamental foi realizada objetivamente por Cristo em Sua vida e ministério, em Sua morte e em Sua ressurreição - que confirmou a sua validade. 

Mas, o Mediador continua agindo em favor dos Seus: capacita-os para o serviço (versículo 12) e atende às suas orações quando feitas em Seu nome (vers. 13-15). É claro que pedir algo em nome de Jesus não é somente pensar ou dizer isso: é de fato confiar no Mediador, identificar-se com Ele e Sua vontade (1 Jo 5:14) e confiar-se a Ele (Jo 8:12).

CONCLUSÃO

Vimos que Jesus realizou uma extraordinária e perfeita obra mediadora em nosso favor, expiando os nossos pecados e a nossa culpa, representando a Deus e a nós nessa expiação, morrendo por nós e ressuscitando - selando e garantindo assim, com o Seu sangue e com a Sua vitória sobre a morte, a aliança da graça. 

Por essa morte, Deus se faz nosso Deus para sempre, e faz de nós Seus filhos e Seu povo. Como nos enchem de trêmulo amor, gratidão e devoto enlevo passagens como as de Jo 3:16, 14:1-3, Rm 8:31-39 e 2 Co 5:17-21!

Autor: REV. ODAIR OLIVETTI, REV. NELSON D.B. MARINO


Lista de estudos da série

1. O poder revelado em Elohim e El – Estudo Bíblico sobre os Nomes de Deus (AT 1)

2. Jeová, o nome sagrado do Deus redentor – Estudo Bíblico sobre os Nomes de Deus (AT 2)

3. Kyrios e Patér e a revelação íntima de Deus – Estudo Bíblico sobre os Nomes de Deus (NT)

4. A soberania e os atributos exclusivos de Deus – Estudo Bíblico sobre a Natureza Divina

5. Amor e justiça, os atributos de Deus em nós – Estudo Bíblico sobre Atributos Comunicáveis

6. Entendendo a doutrina bíblica da Trindade – Estudo Bíblico sobre o Deus Triúno

7. A pessoa divina do Espírito Santo, nosso Consolador – Estudo Bíblico sobre a Terceira Pessoa

8. A poderosa ação do Espírito Santo em sua vida – Estudo Bíblico sobre a Obra do Espírito

9. A perfeita humanidade de Jesus e nossa salvação – Estudo Bíblico sobre a Pessoa de Cristo (1)

10. As provas irrefutáveis da divindade de Jesus – Estudo Bíblico sobre a Pessoa de Cristo (2)

11. Jesus, nosso exemplo perfeito de caráter e conduta – Estudo Bíblico sobre a Vida de Cristo

12. Jesus, o único e perfeito mediador da nova aliança – Estudo Bíblico sobre a Obra de C

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