A perfeita humanidade de Jesus e nossa salvação - Estudo Bíblico sobre a Pessoa de Cristo

1 Timóteo 2:1-7

Vejamos alguns pontos salientes das passagens da leitura e do texto básico desta lição. Em 1 Tm 2:1-7 temos a afirmação clara de que Jesus é homem:

  • Lc 2:1-7 descreve o nascimento natural (a concepção foi sobrenatural) de Jesus, o primeiro de vários filhos e filhas de Maria;
  • Lc 3:23-38 declara a idade de Jesus ao começar a Seu ministério público - informação que faz pensar no desenvolvimento natural da infância e mocidade de Jesus;
  • Em Mc 6:1-6 vemos que os conterrâneos de Jesus não viam nele um ser sobrenatural, e se referem a Seus pais, irmãos e irmãs;
  • Jo 11:31-38 mostra a reação emocional, humana, de Jesus, ao ver Maria e amigos de Lázaro chorando;
  • No Sl 22:1-19 temos uma descrição profética do Crucificado, começando com o Seu clamor intensamente humano (Sl 22:1; Mt 27:46);
  • Lc 23:13-38 descreve a crucificação de Jesus.

A declaração que vem na parte final do versículo 5 é que tem relação direta com o assunto desta lição, "Jesus Cristo, homem". Noutras passagens o apóstolo Paulo afirma com clareza a plena divindade de Cristo.

Aqui, com a mesma clareza, afirma a plena humanidade do Senhor Jesus. Ele faz esta afirmação numa passagem em que apresenta Jesus como o único "Mediador entre Deus e os homens". Jesus Cristo não poderia ser o Mediador, se não fosse um ser humano real e completo.

1 - A NATUREZA HUMANA DE JESUS

Ao afirmar, no texto central, que Jesus nasceu de mulher e sob a lei, o apóstolo Paulo afirma que Jesus tem natureza humana verdadeira. Aquilo que os olhos dos apóstolos contemplaram e suas mãos apalparam quanto ao Verbo da vida (1 Jo 1:1) não era apenas uma enganosa aparência de homem, mas, sim, homem de verdade.

Vejamos algumas passagens bíblicas que mostram que a natureza humana de Cristo é real e completa.

Homem. Há passagens em que Jesus é explicitamente chamado homem. Em Rm 5:15 Paulo faz referência à "graça de um só homem, Jesus Cristo"; em 1 Co 15:21 o mesmo apóstolo, falando da ressurreição dos mortos; e em 1 Tm 2:5 refere-se a "Cristo Jesus, homem".

A encarnação. Na encarnação Jesus fez-se homem, pois "carne" significa natureza humana nestas passagens: Jo 1:14; 1 Tm 3:16; 1 Jo 4:2; 2 Jo 7.

Corpo e alma. Falando de Jesus, a Bíblia faz referência aos dois elementos essenciais da natureza humana, corpo e alma ou corpo e espírito. Exemplo: Mt 26:26,28,38 - "Isto é o meu corpo"; "Isto é o meu sangue"; "A minha alma está profundamente triste"; Lc 23:46 - "Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito! E, tendo dito isto, expirou"; Lc 24:39 - disse Jesus, logo após a Sua ressurreição: "Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; Apalpai-me e verificai, porque um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho".

Condições e experiências humanas. Há referências bíblicas ao desenvolvimento de Jesus, às Suas necessidades, aos Seus sentimentos e aos Seus sofrimentos humanos. Exemplos: Lc 2:42,52 - "Crescia o menino... crescia Jesus..."; Hb 2:10,18 - "...aperfeiçoasse por meio de sofrimentos o Autor da Salvação deles... naquilo que ele mesmo sofreu, sendo tentado..."; Hb 5:8 - "embora sendo Filho aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu"; Jo 11:33,35 - "comoveu-se"; "Jesus chorou".

2 - JESUS NÃO PECOU NEM PODERIA PECAR

A natureza humana de Jesus teve na terra realidade e integridade natural, e também integridade moral, perfeição moral. Ele não pecou. A Escritura dá testemunho de que Ele de fato não pecou, e os registros bíblicos são tais que nos autorizam a pensar que Jesus resistiu como homem ao pecado, recebendo a ajuda espiritual que está disponível a todos os homens.

Mas é fato, igualmente, que Ele não poderia pecar. A pura e simples possibilidade de Jesus pecar destruiria a segurança da Sua obra como Redentor e Mediador.

A União fundamental das naturezas divina e humana na pessoa de Cristo garantiu a Sua impecabilidade. Eis alguns argumentos bíblicos:

1. No anúncio do nascimento de Jesus a Maria, disse-lhe o anjo:"...o ente santo que há de nascer, será chamado Filho de Deus"(Lc 1:35).

2. No duro diálogo de Jesus com os Judeus impenitentes, Ele lhes fez um desafio que nenhum outro ser humano pode fazer: "Quem dentre vós me convence de pecado?", isto é, quem dentre vós poderá fazer de mim um réu convicto de pecado? (Jo 8:46).

3. Em Jo 14:30 Jesus declara que o príncipe do mundo (o maligno) nada tem nele. A certos Judeus chamou filhos do diabo (Jo 8:44); a Pedro Jesus chamou Satanás (Mt 16:23); mas em Jesus, nem de longe, nem por sombra, nem por uma fração de segundo se poderia achar alguma coisa semelhante a Satanás ou que pertencesse a Satanás.

4. Em 2 Co 5:21 vemos que Jesus foi feito pecado, por Deus, mas Jesus não conheceu, não experimentou pecado: "Àquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus". Foi feito pecado judicialmente, mas moralmente estava isento e imune do pecado.

5. Ver ainda: Hb 4:15; 9:14; 1 Pe 2:22; 1 Jo 3:4.

6. Jesus ensinou os Seus a orar pedindo perdão, e orou rogando ao Pai que perdoasse outros, mas não consta que alguma vez orasse pedindo perdão para pecados Seus.

7. O título preferido de Jesus, "Filho do homem", expressa resumidamente verdades estupendas como estas: Jesus é o filho, isto é, é Deus; Jesus é o filho do homem, isto é, é homem; Jesus é o Filho do homem, isto é, nele se realiza a expressão perfeita da humanidade. E esta perfeição só existe por Sua impecabilidade.

CONCLUSÃO

Creio que a lição deixou claro o ensino da verdadeira e completa humanidade de Jesus - e que deixou claro que este ensino é bíblico.

Concluo salientando o sofrimento vicário, isto é, substitutivo de Jesus (em nosso lugar). Faço esse destaque transcrevendo pequena parte de um poema no qual procurarei exaltar Senhor Jesus como incomparável.

Seu sofrimento foi incomparável principalmente porque Ele se identificou tanto conosco, que, na Cruz, o Pai viu nele o nosso pecado!

...jamais se viu alguém sofrer como Cristo Jesus sofreu na terra.
Na renúncia da glória, padeceu a humilhação de Seu divino Ser.
Humilhou-se no próprio nascimento e na vida que teve de homem-servo.
Mas na infamante cruz da qual pendeu culminou Seu terrível sofrimento.

(O. Olivetti, Preito ao Incomparável, Canto I, quadras 4 e 5).

Autor: REV. ODAIR OLIVETTI, REV. NELSON D.B. MARINO


Lista de estudos da série

1. O poder revelado em Elohim e El – Estudo Bíblico sobre os Nomes de Deus (AT 1)

2. Jeová, o nome sagrado do Deus redentor – Estudo Bíblico sobre os Nomes de Deus (AT 2)

3. Kyrios e Patér e a revelação íntima de Deus – Estudo Bíblico sobre os Nomes de Deus (NT)

4. A soberania e os atributos exclusivos de Deus – Estudo Bíblico sobre a Natureza Divina

5. Amor e justiça, os atributos de Deus em nós – Estudo Bíblico sobre Atributos Comunicáveis

6. Entendendo a doutrina bíblica da Trindade – Estudo Bíblico sobre o Deus Triúno

7. A pessoa divina do Espírito Santo, nosso Consolador – Estudo Bíblico sobre a Terceira Pessoa

8. A poderosa ação do Espírito Santo em sua vida – Estudo Bíblico sobre a Obra do Espírito

9. A perfeita humanidade de Jesus e nossa salvação – Estudo Bíblico sobre a Pessoa de Cristo (1)

10. As provas irrefutáveis da divindade de Jesus – Estudo Bíblico sobre a Pessoa de Cristo (2)

11. Jesus, nosso exemplo perfeito de caráter e conduta – Estudo Bíblico sobre a Vida de Cristo

12. Jesus, o único e perfeito mediador da nova aliança – Estudo Bíblico sobre a Obra de C

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