Lembra-te do teu Criador




Lembra-te do teu criador nos dias da tua mocidade. Essas palavras são de Salomão no livro de Eclesiastes 12:1. Salomão continua dizendo, para justificar o conselho, antes que venham os maus dias dos quais dirás: não tenho neles contentamento.


Essas palavras são um esforço de Salomão procurando orientar para a velhice, para que a velhice não seja um castigo, mas uma fase normal na vida das pessoas. A obediência a esse conselho será uma preparação para uma velhice feliz, apesar das contingências naturais da fase.

Aos jovens que lerem este artigo é um apelo a que se vejam no futuro, depois dos setenta anos. Aos velhos é um apelo a que comprovem a razão do autor ao escrever essas palavras. Salomão passa então, a descrever o que acontece na velhice e que transforma essa fase nos maus dias em que não se encontra contentamento.

  • No dia em que tremerem os guardas da casa - o enfraquecimento dos braços. 
  • E se curvarem os homens outrora fortes - as pernas que se tornam trôpegas. 
  • E cessarem os moedores por já serem poucos - os dentes, naturais, é claro, pois Salomão não contava ainda com os recursos das modernas próteses. 
  • E se escurecerem os que olham pelas janelas - os olhos que se enfraquecem e se cansam. 
  • No dia em que não puderes falar em voz alta - enfraquecimento da voz que se torna trêmula. 
  • E te levantares à voz das aves - idoso acorda cedo, dispensa até despertador. 
  • E todas as harmonias, filhas da música diminuírem - os ouvidos já misturados com ruídos, e zumbidos constantes que impedem uma boa audição. 
  • Quando temeres o que é alto - falta de equilíbrio que leva os idosos a evitarem as alturas. 
  • Quando florescer a amendoeira - o embranquecimento dos cabelos. 
  • Quando o gafanhoto for um peso e te perecer o apetite - os idosos sabem o que isso significa, os moços irão saber se tiverem a ventura de chegar até lá. 
  • Antes que se rompa o fio de prata - a esperança. 
  • E se despedace o fio de ouro - perda de todos os valores morais.
  • E se quebre o cântaro junto à fonte e se desfaça a roda junto ao poço - destruição total, a morte. 
  • Então arremata Salomão. - E o pó volte ao pó como era e o espírito volte a Deus que o deu.



Há dias comentando esse texto de Eclesiastes, um amigo me disse espantado: mas tem tudo isso escrito na Bíblia? - Claro que tem, respondi. Na Bíblia você encontrará coisas que você nunca pensou existir. 

Então nos lembramos do conselho inicial: - Lembra-te do teu criador. Por quê? Porque a velhice sendo um estado de espírito, quanto mais em paz estiver o espírito, mais feliz será essa fase da vida. Não há nada mais depressivo do que a consciência de males praticados, de faltas cometidas e sem perdão. 

O peso da consciência é o maior flagelo de uma pessoa, seja na idade que for. Quando se chega à velhice com a alma despojada desse peso, então se torna fácil encarar e viver nessa fase tão temida pela maioria das pessoas, mas tão gratificante para quem chega a ela com a consciência de ter vivido bem a mocidade.

Lembrar-se do Criador é lembrar-se das virtudes desse Criador. Lembrar-se de Deus na mocidade é lembrar do amor, porque Deus é amor; é lembrar-se da bondade porque Deus é bom; é lembrar-se da justiça porque Deus é justo; é lembrar-se da humildade porque Deus é humilde; é lembrar-se da santidade porque Deus é santo.

Lembrar-se do Criador é preparar uma velhice feliz porque essa lembrança é que vai determinar a maneira de viver sob a orientação do Deus criador que nos fez para a felicidade. Para gozarmos as boas dádivas da mocidade e de todas as idades, dádivas proporcionadas a nós pela bondade desse Criador. Lembrar-se do Criador é viver com Deus e viver com Deus é suplantar o tempo.

Vale a pena essa preparação: "Lembra-te do teu Criador, nos dias da tua mocidade".

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Samuel Barbosa é pastor jubilado da Igreja Presbiteriana do Brasil. Formou-se em teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul em 1960. Posteriormente graduou-se em Letras, Pedagogia, Supervisão Escolar e Especialização em Língua Portuguesa com produtiva carreira acadêmica. Pastoreou as igrejas presbiterianas de Apiaí, Correias e Itararé entre 1961 e 1962. Foi pastor da Igreja Presbiteriana de Itararé durante 32 anos até sua jubilação. Presidiu o Presbitério de Itapetininga por 22 anos e é pastor emérito das Igrejas Presbiterianas de Itararé e Itaberá. 
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