Jó 25:1-6
A Literatura universal é pródiga em registros de pensadores que exprimiram conceitos a respeito do ser humano. Tais conceitos, não raro, revelam aspectos da sua personalidade, constituição, inclinação e comportamento.
Na lição de hoje estudaremos, de forma bastante resumida, algumas concepções que julgamos oportunas para uma melhor compreensão do ser humano.
1 - O SER HUMANO É UM SER RELIGIOSO
A constatação da religiosidade humana é descrita em todas as disciplinas que tratam da história e comportamento humanos.
Na Antiguidade, encontramos o testemunho eloquente do grande orador romano, Cícero (106-43 aC), que escreveu em Da Natureza dos Deuses:
"Não há povo tão bárbaro, não há gente tão brutal e selvagem, que não tenha arraigada em si a convicção de que há Deus."
Podemos ler, também, nos escritos antigos, críticas referentes ao fato de que os seres humanos faziam os seus deuses à sua imagem, os quais nada podiam realizar.
Heráclito, de Éfeso (cerca de 540-480 aC), diz:
"Dirigem também suas orações a estátuas, como se fosse possível conversar com edifícios, ignorando o que são os deuses e os heróis."
Xenófanes, de Cólofon (cerca de 576-480 aC), escreveu:
"Mas os mortais imaginam que os deuses são engendrados, têm vestimentas, voz e forma semelhantes a eles. Tivessem os bois, os cavalos e os leões mãos, e pudessem, com elas, pintar e produzir obras como os homens, os cavalos pintariam figuras de deuses semelhantes a cavalos, e os bois, semelhantes a bois... Os etíopes dizem que os seus deuses são negros e de nariz chato; os trácios dizem que têm olhos azuis e cabelos vermelhos."
Estes comentários servem para indicar o lugar do sagrado, na vida humana. O ser humano é o único que é capaz de buscar uma relação com o transcendente; a religiosidade é exclusividade da humanidade.
O ser humano é um ser religioso, porque foi criado por Deus; e Deus o criou para que tivesse um relacionamento pessoal com Ele.
Eclesiastes 3:11
"Tudo fez Deus formoso em seu devido tempo; também pôs a eternidade no coração do homem, sem que este possa descobrir as obras que Deus fez desde o princípio até ao fim"
Por isso, há uma predisposição natural no ser humano para a religião; e todas as vezes que não se encontra o Deus verdadeiro, a pessoa se entrega às suas paixões pecaminosas e idolátricas (Rm 1.18-32; At 17.24-29).
2 - O SER HUMANO É UM SER SOCIAL
"O ser humano é naturalmente um animal político, destinado a viver em sociedade." O que Aristóteles (384-322 aC) está dizendo em A Política é que o ser humano é um ser social e, consequentemente, político (Pólis, de onde vem política, no grego, significa cidade).
O ser humano vive em sociedade porque já nasce dentro dela e também com predisposição à sociabilidade, e é dentro dela que se torna o que é, formando a sua personalidade.
Notemos que Deus criou o homem e disse: "Não é bom que o homem esteja só: far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea" (Gn 2.18).
Não é propósito de Deus que o ser humano viva só. O ficar só é compreensível e até desejável em certas circunstâncias, como para a meditação e oração; porém, não deve ser o cotidiano (Mt 17.1; Mc 3.14; Lc 10.1; Ec 4.9-12).
A Igreja Primitiva tinha como uma de suas características básicas a união (At 2.42), que era resultado da doutrina.
O efeito disso é que, pela operação de Deus, a Igreja crescia (At 2.47). A sociabilidade da igreja deve ser algo natural, como resultado da comunhão que existe entre os membros, manifestando-se de forma espontânea, mas não sufocante.
3 - O SER HUMANO É UM SER PENSANTE
René Descartes (1596-1650), Pai da Filosofia Moderna, após escrever a sua célebre frase "eu penso, logo existo" em Discurso do Método, conclui que ele, como ser humano, era "uma substância cuja essência ou natureza consiste apenas em pensar".
Blaise Pascal (1623-1662), adversário da Filosofia de Descartes, também admitia o pensamento como algo essencial ao ser humano, dizendo:
"O homem não passa de um caniço, o mais fraco da natureza, mas é um caniço pensante (...) Toda a nossa dignidade consiste, pois, no pensamento (...) Trabalhemos, pois, para bem pensar; eis o princípio da moral."
Jesus Cristo mostrou ao povo que as pessoas, por mais simples que sejam, sabem raciocinar, e isto era evidente na interpretação das condições climáticas. Todavia, Ele os recrimina por não estarem usando desta capacidade para discernir o que era justo no que se referia ao próprio Cristo (Lc 12.54-57).
Devemos usar nossa razão para avaliar o que aprendemos; a razão foi-nos dada por Deus para que a usemos de forma correta a fim de glorificá-lo através da compreensão e prática da verdade.
4 - O SER HUMANO É UM SER COGNOSCITIVO
Com isto queremos dizer que o ser humano é um ser que tem a capacidade de conhecer. Aristóteles (384-322 aC) percebeu isto, e disse em sua Metafísica: "Todos os homens têm, por natureza, desejo de conhecer.”
O desejo de conhecer é inato, todavia ele pode e deve ser estimulado, visto ser ele o exercício do pensamento. Jesus, quando se referiu ao exame das Escrituras, feito pelas pessoas, disse que elas assim faziam, porque julgavam ter nela a vida eterna (Jo 5.39); e acrescenta um novo motivo: "E são elas mesmas que testificam de mim."
A Igreja deve usar do desejo de conhecer que é inerente ao ser humano, para despertar nele o desejo de conhecer a Deus, sendo conduzido a Ele não por vã curiosidade, mas com fé e em atitude de adoração e prontidão para servir (Rm 10.9-15).
IMPLICAÇÕES DOUTRINÁRIAS E PRÁTICAS
1. Deus é o Senhor de toda a verdade; por isso, não devemos ter medo de usar de toda e qualquer ciência para a obra de Deus, tendo como elemento avaliador e regulador a Palavra de Deus.
2. O ser humano longe de Deus sente um vazio, mas não sabe como preenchê-lo. A mensagem do Evangelho é a única que pode preencher o vazio e dar significado à sua vida (Jo 5.40; 10.10; 14.6).
3. A pessoa, apesar de estar corrompida pelo pecado, consegue, pela Graça de Deus, ter discernimento a respeito de si e do mundo; todavia, não o tem tido esse discernimento no que se refere às realidades espirituais: Ele está morto (Ef 2.1,5).
4. A Igreja foi formada por Deus para viver e agir no mundo sem, contudo, aceitar os princípios mundanos. Ela não se amolda ao mundo, mas se transforma (Rm 12.1,2).
5. O nosso desejo de conhecer não deve ser conduzido para indevidas especulações da Palavra de Deus, nem para ceder àqueles que só se interessam por ela com o fim de especular a respeito da cor de Adão, do nome da esposa de Caim ou sobre o sexo dos anjos.
A Palavra de Deus foi-nos dada para que pratiquemos os seus ensinamentos (Dt 29.29; Js 1.8; Tg 1.22-27), tenhamos fé e esperança em Deus (Jo 20.30,31; Rm 15.4) e O glorifiquemos (Ef 1.12-14; 2 Tm 3.15-17).
Autor: HERMINSTEN MAIA P. DA COSTA
Lista de estudos da série
1. O plano perfeito por trás da criação2. Quem realmente está no controle de todas as coisas?
3. O código secreto que prova a existência de um Criador
4. O poder que criou o universo com uma única palavra
5. Existe vida além da matéria?
6. As lições surpreendentes que os animais nos ensinam sobre Deus
7. O segredo divino escondido em cada semente
8. A origem da vida segundo seu verdadeiro Autor
9. Você foi criado para ser um reflexo de Deus na Terra
10. Como a Bíblia define o ser humano
11. As 4 verdades sobre o ser humano que os antigos já sabiam
12. O que as filosofias modernas escondem sobre quem você é
13. A verdade sobre por que você não pode salvar a si mesmo
