Sua casa está pronta mas e a de Deus? A mensagem urgente do profeta Ageu - Estudo Bíblico sobre Prioridades


Mateus 6:24 e 12:30

Objetivo da Lição: Incentivar o aluno a priorizar o trabalho de Deus em sua vida.

INTRODUÇÃO

Se você deseja ser rico - dê! Se você deseja ser pobre - retenha! Se você deseja abundância - espalhe! Se você deseja passar necessidade - entesoure!" (Ralph Neighbour).

Este pensamento revela uma grande verdade: não existe coisa alguma que possamos conservar. Se não dermos o que possuímos agora, perderemos o privilégio de dar, pois um dia tudo o que temos será dado.

A geração de crentes que viveu na época da reconstrução do templo, 520 A.C. não tinha consciência desta verdade. 

Cada pessoa corria para construir seu patrimônio particular, enquanto a Casa do Senhor permanecia em ruínas. Durante quase vinte anos a reconstrução do templo ficou parada.

Então, Deus levantou dois profetas, Ageu e Zacarias, para incentivar novamente a construção. A exortação profética deu êxito e o segundo templo, o de Zorobabel, foi erguido em apenas cinco anos.

Antes de passarmos ao estudo das profecias de Ageu, gostaríamos de fazer três perguntas:

1. Será que as fortunas pessoais obtidas com o empobrecimento da alma não se constituem em maldição na vida?
2. Qual a relação existente entre prosperidade econômica e fidelidade a Deus?
3. É certo priorizar a melhoria de nossa casa com prejuízo da Casa do Senhor?

1. O DESAFIO - AGEU 1.1-11

Ageu era um profeta popular. Ele não precisava ser apresentado, pois todos o conheciam como "Ageu, o Profeta" (Esdras 5:1 e 6:14). Provavelmente ele nasceu dia de festa, e por isto foi chamado de Ageu, "Minha Festa".

O seu livro é constituído por quatro profecias, dadas num período aproximado de 15 semanas ou quatro meses, durante o segundo ano de Dario I (521-486 A.C.). Cada profecia começa com a fórmula literária "Veio a Palavra do Senhor" (1:1; 2:1; 2:10 e 2:20).

Naquele tempo não havia rei em Israel, e as iniciativas deveriam ser tomadas pelo governador Zorobabel, bisneto do rei Josias, e pelo Sumo-Sacerdote Josué (Esdras 3:1-13). É por causa disto que a profecia era dirigida primeiro aos dois líderes (Ageu 1:1), depois ao povo (Ageu 2:1-2).

Como "enviado do Senhor" (1:13) ele se esforçou para tornar a mensagem clara e compreensiva. 

Isso provocou uma reação imediata do povo. Primeiro ele acusa (1:1-11), depois vem a reação (1:12-24), seguida da garantia de sucesso no fim. A sua mensagem era uma só: Compromisso com Deus.

O povo dizia: "não veio ainda o tempo, o tempo em que a Casa do Senhor deve ser edificada" (1:2). Todo o mundo achava que o templo deveria ser restaurado um dia, mas não tão já. Podemos até imaginar alguns questionando se era justificável gastar tanto com a reconstrução do templo.

Outros, se era de fato Deus quem ordenava a restauração ou Ciro, o rei Persa (Isaías 44:28). Existiam até mesmo aqueles que aguardavam uma restauração miraculosa, conforme interpretação do profeta Ezequiel (Ezequiel 40-43).

O profeta então protesta: "Acaso é tempo de habitardes vós em casas apaineladas, enquanto a Casa do Senhor permanece em ruínas?" (1:4). O profeta coloca em dúvida as prioridades do povo. Que valor eles estavam dando a Deus se deixavam sua casa em ruínas?

De vez em quando nos sentimos como Ageu. Observamos crentes em nossas Igrejas prosperando materialmente, enquanto faltam recursos para reformar ou construir o Templo do Senhor.

Ageu não se surpreende com a insatisfação que o povo sentia apesar de trabalhar tanto. Há uma ligação direta entre a pobreza e o abandono do templo. Nos versículos de 6-9, 11, registram-se desapontamento, insatisfação, prejuízo, inflação, frustração, escassez e desemprego.

Quantas vezes os nossos sentimentos pessoais estão ligados à nossa desobediência ao Senhor! 

O profeta então insistiu que o povo devia trazer madeira, não para embelezar as residências, mas para o Templo do Senhor: "Subi ao monte, trazei madeira e edificai a casa; dela me agradarei, e serei glorificado, diz o Senhor!" (v. 8).

2. A REAÇÃO - AGEU 1.12-15

A pregação de Ageu produziu um grande impacto. Todos, unanimemente, decidiram retomar a construção do Templo: "Então Zorobabel, filho de Sealtiel, e Josué, filho de Jeozadaque, sumo Sacerdote, e todo o resto do povo atenderam à voz do Senhor seu Deus, e às palavras do profeta Ageu, as quais o Senhor seu Deus o tinha mandado dizer..." (1:13).

Apenas vinte e três dias depois da pregação de Ageu a obra foi reiniciada, para a glória de Deus (1:15).

Qual o segredo para essa reação do povo?

Soberanamente ela foi produzida por Deus. Por trás da reação do povo estava a atuação silenciosa e irresistível do Senhor (1:14).

Houve um despertamento espiritual para o trabalho: "O Senhor despertou o espírito de Zorobabel, filho de Sealtiel, governador de Judá, e o espírito de Josué, filho de Jeozadaque, sumo Sacerdote, e o espírito do resto de todo o povo..." (1:14).

O comentarista J.G. Baldwin afirma: "Este mesmo Deus era coerente em sua atitude para com as pessoas. Apesar de elas o desprezarem, ele nunca desistia delas. Quando elas deixaram de fazer sua vontade, ele lhes dificultou a vida, para que voltassem para ele (1:5). 

Quando elas se dedicavam ao seu serviço, ele se agradava disto e era glorificado (1:8). Ele mudou as atitudes das pessoas (1:14), e morou entre elas na pessoa de seu Espírito (2:5)".

As provas do despertamento espiritual produzido por Deus são:

2.1. A obediência à voz do Senhor proclamada através do profeta.

2.2. O temor a Deus em contraste com a indiferença e a apatia diante das palavras de Deus;

2.3. A presença pessoal de Deus com o seu povo.

3. A GARANTIA - AGEU 2.1-9

Passou apenas um mês, e Deus mandou o segundo recado profético por intermédio de Ageu (2:1).

O objetivo era animar o povo. Era natural que sentissem desânimo, comparando o templo majestoso construído por Salomão com o templo que eles iriam construir a partir daquelas ruínas: "Quem há entre vós que, tendo edificado, viu esta casa na sua primeira glória? E como a vedes agora? Não é ela como cousa de nada aos vossos olhos?" (2:3).

Deus desejando animar o povo, o desafia dizendo: "Sê forte", "trabalha", "não temas". Deus lhe faz tríplice promessa:

3.1. "O meu Espírito habita no meio de vós" - "O meu Espírito habita no meio de vós". O particípio hebraico denota uma ação contínua e engloba tanto o passado como o presente. No pacto com Israel - Êxodo 19:5,6 e 34:10-11, Deus garantiu a sua presença constante com o povo. 

Essa presença serve principalmente para fortalecer o povo a trabalhar (Ageu 1:14 e Zacarias 4:6). Assim como nos dias de Moisés, Deus estava com o seu povo na reconstrução do templo (Esdras 5:1 e Isaías 63).

Há um paralelo interessante entre a exortação de Ageu e as palavras de Jesus em Mateus 28:20: "E eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século". A presença pessoal do Senhor confere coragem, determinação e certeza da vitória.

3.2. "Minha é a prata e meu é o ouro" - "Minha é a prata, meu é o ouro diz o Senhor dos Exércitos", (v.8). Ageu proclama que Deus é o proprietário de todas riquezas existentes no mundo (Jó 41:11 e Salmos 50:12). Ele suprirá todas as necessidades do seu povo, principalmente quando em obediência à sua ordem. 

Nunca faltam recursos materiais à Igreja quando ela se dispõe a fazer a vontade de Deus.

Não obstante, no período herodiano ter se gasto uma grande fortuna no embelezamento daquele templo construído por Zorobabel (João 2:19-20), Deus o encheria de "glória", muito mais preciosa que prata e ouro - a presença do Filho de Deus (2:7,9).

3.3. "A glória desta última casa será maior do que a da primeira" (v.9) - Deus mostra através desta promessa o quanto é importante valorizar o trabalho realizado para ele. 

Apesar de não se comparar em suntuosidade com o templo de Salomão, aquele templo que os judeus iriam construir seria aquele em que o Messias compareceria. "A glória desta última casa será maior", tornou literalmente real sob Herodes (João 2:19; Marcos 13:1), mas principalmente porque o Senhor do Templo veio (Mateus 12:6).

CONCLUSÃO

No chamado "Manifesto contra o Materialismo" - Mateus 6:25-34, Jesus estabelece qual deve ser o compromisso ou a prioridade do cristão: buscar em primeiro lugar o reino de Deus. Desejai as coisas grandes (as mais importantes), e as coisas pequenas vos serão acrescentadas.

Não vale a pena construir patrimônio material particular em detrimento da pobreza espiritual. Quando buscamos a vontade de Deus para a nossa vida, todas as outras necessidades nos são atendidas pela providência de Deus.

Autor: REV. ARIVAL DIAS CASIMIRO


Lista de estudos da série

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11. Apostar na sorte é pecado? o que a Bíblia realmente diz sobre jogos de azar – Estudo Bíblico sobre Sorte e Providência

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