O poder de Deus não está à venda - Estudo Bíblico sobre Simonia


Atos 8:4-25

Mirassol, 40.000 habitantes, a 460 km de São Paulo vive dias de agitação religiosa com a imagem da Senhora de Fátima que chora mel e azeite. As lágrimas são usadas pelos devotos para benzer, acalmar crianças agitadas, curar picadas de insetos e, como não poderia deixar de ser, promover curas miraculosas. A cúpula Católica não tem interesse em estudar a questão. Mas uma freira credita a cura de um antigo problema digestivo às lágrimas da imagem (milagre em Mirassol. revista Veja, 17/07/96).

Como explicar esse fenômeno? Haveria alguma explicação científica, sobrenatural, ou tudo não passa de uma grande fraude? Quem teria interesse em tudo isso? Milagre ou Mágica? O texto básico nos fornece diretrizes que diferenciam a ação de Deus da magia.

1. MAGIA

Segundo o Novo Dicionário da Bíblia, "A magia e a feitiçaria são as maneiras de influenciar indivíduos e acontecimentos por meios sobrenaturais ou ocultos. 

O mágico tenta compelir um deus, um demônio ou um espírito a trabalharem para ele; ou então segue um padrão de práticas ocultas para inclinar forças psíquicas conforme a sua vontade".

A magia sempre está relacionada na Bíblia, com a feitiçaria, bruxaria, encantamento, astrologia, necromancia e adivinhação (Deuteronômio 18:9-12; Isaías 47:9-12). Sempre foi condenada por Deus (Levítico 19:26; 20:27; Deuteronômio 18:10-14).

Atos 8:9-11
Ora havia certo homem, chamado Simão, que ali praticava a mágica, iludindo o povo de Samaria, insinuando ser ele grande vulto; ao qual todos davam ouvidos, do menor ao maior dizendo: este homem é o poder de Deus, chamado o Grande Poder. Aderiram a ele porque havia muitos que os iludira com mágicas.

O texto nos fala da existência em Samaria, de Simão, o mágico. Este iludia as pessoas, insinuando ser ele uma emanação de Deus. Ele era, em essência, um charlatão oriental que representava um sincretismo de elementos mágicos, judaicos e do paganismo grego.

Segundo Irineu, Simão chegou a desenvolver uma doutrina Simoniana, cujo tema "O grande poder de Deus" recebeu um esquema Trinitário: Simão apareceu aos samaritanos como Pai, aos judeus como Filho, e ao mundo como o Espírito Santo.

Algumas lições acerca da magia, podemos extrair do texto Atos 8:9-11.

1.1. A MAGIA ILUDE AS PESSOAS - "Iludindo o povo de Samaria" (v.9). A palavra "iludir" denota um estado de confusão mental e emocional: "está fora de si" (Marcos 3:21), "enlouquecer" (2 Coríntios 5:13), "atônitos" (Atos 2:7).

As pessoas que se envolvem com adivinhadores, prognosticadores, médiuns, agoureiros, feiticeiros, encantadores, mágicos, astrólogos, necromantes, falsos profetas acham-se perturbados e confusos.

O profeta Isaías diz: "passarão pela terra duramente oprimidos e famintos; e será que, quando tiverem fome, enfurecendo-se, amaldiçoarão ao seu Rei e ao seu Deus, olhando para cima. Olharão para a terra, eis aí angústia, escuridão, e sombras de ansiedade, e serão lançados para densas trevas" (8:21-22).

A magia embora possa ser praticada em conjunto com falsas ideias religiosas, constitui-se numa inimiga da religião verdadeira. Em Atos 13:4-12, Elimas, o mágico, faz oposição à conversão do Procônsul Sérgio Paulo. Através da "Doutrina do Senhor" e cheio do Espírito Santo, o Apóstolo Paulo vence a magia, e o Senhor promove a conversão do Procônsul.

1.2. A MAGIA É UM MEIO DE PROMOÇÃO PESSOAL - Através de suas mágicas, Simão se insinuava ao povo Samaritano como um "Grande Vulto". Com aquela massa confusa e perplexa, Simão se autoprojeta como uma emanação de Deus. "Este homem é o poder de Deus, chamado o Grande Poder" (v. 10), declarava a massa iludida.

1.3. A MAGIA VISA SEMPRE O LUCRO FINANCEIRO - A magia está sempre ligada à avareza e a imoralidade. Os escritores do Novo Testamento usavam a figura de Balaão (Números 22-24; 25:1-3; 31:16) para identificar uma heresia gnóstica surgida no I século (Judas 8; 2 Pedro 2:15; Apocalipse 2:14), que misturava assuntos espirituais com interesses financeiros.

Simão, provavelmente o criador de uma heresia gnóstica "Simoniana", que perdurou até o III século, abraçou a fé cristã apenas por interesse. 

Isso fica evidente quando ele oferece dinheiro aos Apóstolos em troca do poder do Espírito Santo (Atos 8:18-19). O seu objetivo era ganhar dinheiro com o Evangelho. A sua mente estava condicionada à prática da magia que oferece enganoso auxílio Espiritual por dinheiro.

2. MILAGRE

Com a morte de Estevão, levantou-se uma grande perseguição contra a igreja em Jerusalém e, exceto os Apóstolos, todos foram dispersos. Os crentes dispersos iam por toda parte pregando a Palavra de Deus (Atos 8:1,4).

Filipe, que havia sido eleito e ordenado para "servir às mesas" (Atos 6:2,5), tornou-se numa espécie de Evangelista Oficial, e descendo à Samaria, anunciava-lhes a Cristo. Era um trabalho de evangelização coletiva (8:12). Felipe também realizava sinais e grandes milagres (Atos 8:6,13).

Algumas lições poderemos extrair dessa narrativa.

2.1. MILAGRES ACOMPANHAM A PREGAÇÃO FIEL DO EVANGELHO - O significado básico de "milagre" (grego - "semeion") é "sinal", "marca". Necessariamente não tem um caráter "milagroso" (Mateus 26:48; Lucas 2:12), mas confirmatório e autenticador.

Os sinais realizados por Filipe estavam coordenados com a pregação e se constituíam marcas legítimas da autoridade divina na era apostólica (Marcos 16:20; Atos 14:3). Os sinais e milagres são marcas de legitimação e autoridade divinas do cargo apostólico (2 Coríntios 12:12; Romanos 15:18-19).

Quando os milagres são realizados separados da pregação da Palavra de Deus, eles não têm a sua origem em Deus. A Bíblia nos adverte que falsos profetas seduzirão os homens para a apostasia, operando sinais e maravilhas (Marcos 13:22; Mateus 24:24; Apocalipse 20:7-10; 2 Tessalonicenses 2:3).

2.2. OS SINAIS NÃO PROMOVEM A SALVAÇÃO DO PECADOR - Os sinais e grandes milagres não são suficientes para promover a fé salvadora. Simão abraçou a fé apenas intelectualmente, sem se converter de fato (Atos 8:13; 21-24). "E assim, a fé vem pela pregação e a pregação pela Palavra de Cristo" (Romanos 10:17). Veja: Lucas 16:27-31. Nem mesmo os milagres realizados por Jesus tinham intuito de persuadir descrentes a crerem nele (Marcos 8:12).

2.3. OS SINAIS VERDADEIROS PROMOVEM A JESUS - Quando verdadeiros sinais e milagres acontecem, eles não promovem pessoas ou igrejas, mas a Jesus Cristo. Felipe não se autopromovia, mas anunciava-lhes a Cristo. "Quando, porém, deram crédito a Felipe, que os evangelizava a respeito do reino de Deus e do nome de Jesus Cristo, iam sendo batizados. Assim homens como mulheres" (Atos 8:12).

2.4. O MAIOR DE TODOS OS SINAIS - O maior milagre que uma pessoa pode receber é o perdão dos seus pecados e a substituição da sua natureza carnal por espiritual (Ezequiel 36:26).

Lucas 5:24-26
Mas, para que saibas que o filho do homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados, disse ao paralítico: Eu te ordeno: Levanta-te, toma o teu leito, e vai para casa. Todos ficaram atônitos davam glória a Deus e, possuídos de temor, diziam: Hoje vimos prodígios.

2.5. A EVIDÊNCIA DO VERDADEIRO MILAGRE - A grande alegria que uma pessoa pode experimentar não se dá quando ela recebe um milagre físico, mas quando ela encontra-se com Jesus. "E houve grande alegria naquela cidade" (Atos 8:8).

Antes só havia "ilusão" e sofrimento. Em Jesus há conhecimento e liberdade. "E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará" (João 8:32). Jesus disse: "Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas, pelo contrário, terá a luz da vida" (João 8:12). A luz esclarecedora do Evangelho produz alegria e satisfação.

CONCLUSÃO

Infelizmente não podemos perceber nitidamente a causa ou a origem dos fenômenos espirituais. Vemos os efeitos, mas não a causa. Como cristãos, precisamos provar os espíritos a fim de verificar as suas origens.

O critério principal que Jesus nos fornece é o julgamento da vida espiritual daquele que opera o fenômeno espiritual (Mateus 7:21). "Assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis".

Autor: REV. ARIVAL DIAS CASIMIRO


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