INTRODUÇÃO
1. A oferta da viúva
Marcos 12:41-44
E, estando Jesus assentado defronte da arca do tesouro, observa a maneira como a multidão lançava o dinheiro na arca do tesouro; e muitos ricos deitavam muito. Vindo, porém, uma pobre viúva, deitou duas pequenas moedas, que valiam cinco réis. E, chamando os seus discípulos, disse-lhes: Em verdade vos digo que esta pobre viúva deitou mais do que todos os que deitaram na arca do tesouro; porque todos ali deitaram do que lhes sobejava, mas esta, da sua pobreza, deitou tudo o que tinha, todo o seu sustento.
É certo que o ministério de Cristo foi dominado por um sentido de urgência: "a noite vem, quando ninguém pode trabalhar".
Mas hei-lo assentado diante da arca do tesouro. Não se limita a um relance casual de vista: assenta-se. Observa como o povo traz o dinheiro à igreja. Verifica quanto cada um dá. Compara a oferta com os haveres do ofertante. Chama os discípulos (que talvez não se estivessem dedicando a observar coisa tão secundária: dinheiro).
Ensina-lhes qual princípio rege a avaliação da oferta.
Nem sempre dinheiro é coisa secundária aos olhos de Cristo; vale, ou não, conforme represente - ou não - real sacrifício para quem o dedica a Deus. Quando uma pessoa dedica a Deus uma importância que não lhe faria falta - um sobejo - não dá grande coisa. Pouco importa qual o montante em algarismos.
Mas se alguém tira seu próprio sustento para o serviço de Deus, dá oferta que Cristo julga valiosíssima.
Que valiam os cinco réis da viúva? Nada. Mas o pão que ela deixou de comprar, para poder dar ao Senhor sua oferta, esse valia muito. Cristo ainda observa os fiéis, quando trazem ofertas, e a cada oferta atribui seu valor. Quanto maior falta nos fizer o que dedicarmos ao Senhor, tanto mais valioso será para ele.
Foi a compreensão deste princípio que levou o rei Davi a exclamar: "eu não oferecerei ao Senhor meu Deus holocaustos que não me custem nada" (2 Samuel 24:24).
2. Orientação apostólica
Em 2 Coríntios 9:1-15, Paulo orienta a igreja para o levantamento de uma coleta. No versículo 5, ele diz:
2 Coríntios 9:5
Portanto, tive por coisa necessária exortar estes irmãos para que primeiro fossem ter convosco, e preparassem d'antemão a vossa bênção, já antes anunciada, para que esteja pronta como bênção, e não como avareza. E digo isto: Que o que semeia pouco, pouco também ceifará.
1. O DÍZIMO - CONTRIBUIÇÃO DE ALEGRIA
2 Coríntios 9:7
Cada um contribua segundo propôs em seu coração não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama o que dá com alegria.
2 Coríntios 9:10
Ora, aquele que dá a semente ao que semeia, e pão para comer, também multiplicará a vossa sementeira, e aumentará os frutos da vossa justiça.
Da contribuição financeira depende nossa vida espiritual. Não é a igreja que precisa de dinheiro, como às vezes dizemos. Nós é que precisamos de trazer dinheiro à igreja: nosso progresso espiritual depende disso.
Quem semeia pouco, pouco também ceifará. Ceifará o que? Dinheiro? Não: frutos de justiça. Veja o verso 10. Isto é, quando a oferta é grande os frutos da justiça se multiplicam na vida do ofertante. (Não se esqueça de que a medida de grandeza para a oferta é aquela dada por Cristo no caso da viúva pobre).
Deus ama ao que dá com alegria. Então, subornaremos Deus com dinheiro? Ou com dinheiro compraremos ingresso na Eternidade? Tolice.
Quem é ingênuo a ponto de pensar que o Senhor da Glória, de quem é todo o ouro e toda a prata, se deixará mover pelo som do metal ou pelo tatalar de cédulas recém (e abundantemente) fabricadas?
Mas Deus ama ao que dá com alegria. Não diz que Deus ama o que foi dado, mas a pessoa que deu. Deus ama ao que dá. Ao que dá com alegria. Não se refere à alegria um tanto astuta de não ser obrigado a dar mais, mas à alegria de ter podido dar tanto. Está para encontrar-se a pessoa que, dando com alegria, dá pouco.
2. O DÍZIMO EM RELAÇÃO A CRISTO E MELQUIZEDEQUE
2.1. Melquizedeque
Em Gênesis 14:18-20, Abraão dá o dízimo a Melquizedeque:
Gênesis 14:18-20
E Melquizedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho; e era este sacerdote do Deus altíssimo. E abençoou-o, e disse: bendito seja Abraão do Deus altíssimo, o Possuidor dos céus e da terra e bendito seja o Deus altíssimo, que entregou os teus inimigos nas tuas mãos. E (Abraão) deu-lhe o dízimo de tudo.
O dízimo não é apenas um detalhe do sistema religioso expresso na Lei: é parte da relação normal entre o fiel e Deus.
Quando foi que Abraão deu a Melquizedeque o dízimo de tudo? Sob a lei de Moisés? Claro que não. Abraão viveu pela fé e pela fé foi justificado. É o pai dos que creem. Mas, pelo que parece, o dízimo fazia parte normal de suas relações com Deus, e ao encontrar um sacerdote legítimo deu-lhe o dízimo de tudo.
Em Hebreus 7, na interpretação do sacerdócio de Melquizedeque, lemos:
Hebreus 7:4
Considerai pois quão grande era este a quem até o patriarca Abraão deu os dízimos dos despojos.Hebreus 7:8
E aqui certamente tomam dízimos homens que morrem; ali, porém aquele de quem se testifica que vive.
2.2. Cristo
Hebreus 7:17
Porque dele (Cristo) assim se testifica: Tu és sacerdote eternamente segundo a ordem de Melquizedeque.
O verso 4 mostra que no caso do dízimo de Abraão uma coisa é certa: a importância do sacerdócio de Melquizedeque. Este era o tipo de Cristo. Seu sacerdote era da ordem do sacerdócio de Cristo.
Em Melquizedeque, quem realmente recebia o dízimo era a ordem sacerdotal que se alicerçava em Cristo, e da presença de Cristo derivava sua superioridade.
Quem foi de fato honrado naquela ocasião foi o sacerdote eterno da Ordem: Cristo. Veja o verso 8. Diz que naquela ocasião tomou dízimo aquele de quem se testifica que vive.
Ao dar o dízimo a Melquizedeque, Abraão não estava honrando o indivíduo historicamente obscuro, mas seu sacerdócio. E desse Sacerdócio Cristo é a consumação. Ao dar seus dízimos Abraão realmente honrava Cristo, sacerdote e rei eterno.
3. VALIDADE PERMANENTE DO DÍZIMO
É certo que, mudando-se o sacerdócio, muda-se a lei. Mas nosso sacerdócio não foi mudado. Abraão deu dízimo a Melquizedeque, e nós somos representados diante de Deus pelo sacerdote eterno da ordem de Melquizedeque, Cristo. Portanto permanece o dízimo como parte de nossas relações com Ele.
Em Lucas 11:42, Jesus censura os escribas e os fariseus: "Mas ai de vós, fariseus, que dizimais a hortelã, e a arruda e toda a hortaliça, e desprezais o juízo e o amor de Deus. Importava fazer estas coisas, e não deixar as outras".
Não os censura por darem o dízimo, mas por julgarem que o dízimo substitui a base real das relações com Deus. Sem o amor de Deus o dízimo não somente é inútil, mas pode tornar-se nocivo, criando na alma o sentimento de suficiência e satisfação enganosa que poderá perdê-la.
É indispensável, como ponto de partida de nossas relações com Deus, uma regeneração. Ninguém se iluda: o reino de Deus não se edifica com dinheiro, mas com pessoas. Após o novo nascimento, contudo, não devemos deixar de dar o dízimo. É o que Cristo diz.
Em Malaquias 3:10, Deus manda trazer todos os dízimos à sua Casa:
Malaquias 3:10
Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa e depois fazei prova de mim, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal, que dela vos advenha a maior abastança.
4. DÍZIMO - ATO DE FÉ
É claro que dízimo é ato de fé. A um povo empobrecido, cuja pobreza estava mal dividida, havendo alguns na opulência e muitos na miséria, Deus manda que, para começar, tragam o dízimo. Primeiro, mantimento na Casa do Senhor. Depois..., depois, esperar em Deus.
O que ganhavam não lhes bastava para o sustento. Pois bem, então tirassem a décima parte e a trouxessem ao Senhor. Na casa deles não havia mantimento bastante e o Senhor queria mantimento na casa dele primeiro. Antes, era insuficiente.
Agora, dizimada a insuficiência, ou Deus lhes daria mais ou passavam fome. Ou creem na Palavra Divina e trazem o dízimo, ou não creem. Tinham de arriscar em Deus o próprio sustento.
Matéria de fé em Deus, pura e simples. Você me dirá que para algumas pessoas já o dízimo não é expressão de fé porque não é parte do sustento, mas sobra perfeitamente. Leve-os até a arca do tesouro, assente-os ao lado de Cristo para ouvirem a avaliação de Cristo. Mas trate de seu caso, meu leitor.
O dízimo, para você é sacrifício? Seu ordenado é insuficiente? Há doença em casa, ou parentes a sustentar? Pois então comece pelo dízimo, como ato de fé na Providência divina. Leve os seus dízimos à igreja onde você adora a Deus.
5. ADMINISTRAÇÃO DO DÍZIMO
Todos os dízimos à casa do tesouro. Era esta um anexo do Templo, aonde levavam dízimos e ofertas. Não se encontra na Bíblia uma categoria criada por nós: a do fiel que administra seu próprio dízimo. Todo o dízimo deve ser levado à Casa de Deus onde damos adoração. É parte dessa adoração.
Não mandamos o hino para ser cantado num hospital, nem escrevemos a oração para que a leiam num orfanato: damos a Deus adoração integral em sua casa. Nada impede que façamos outras ofertas além do dízimo e as destinemos às causas que nos comovem.
Mas o dízimo é para manutenção do culto, e parte do culto que devemos a Deus. Ninguém pode ser cristão avulso. Se havemos de administrar o dízimo, administremo-lo com nossos irmãos, na igreja, participando das assembleias e das eleições.
CONCLUSÃO
O dízimo, pois, é ato de fé, e parte do culto. Quando o paraquedista salta no espaço, só poderá fazê-lo com o paraquedas fechado. Este se abre depois, quando o corpo já se despenhou.
O homem que pretende abrir primeiro seu paraquedas no avião, e saltar com ele aberto, terá de procurar outra profissão. Se você pretende ter relações com Deus, terá de confiar nele e em sua Palavra. Se não confiar, procure outro deus. O nosso exige fé da parte daqueles que o buscam.
Pois meu leitor, aceite o convite de Deus para uma experiência: faça prova de Deus; comece a dar hoje mesmo todo o dízimo à sua igreja. Atire-se no espaço.
É certo que nosso Deus é honesto e digno de confiança. Até ao dia presente não se conhece caso de pessoa que confiasse Nele e fosse por Ele abandonada.
E assim, trazido ao Senhor como expressão de fé em sua Providência um dinheiro que para nós e nossa família é pão, vestuário e teto, mas que com alegria trazemos à Casa de Deus, adorando a Cristo, nosso sacerdote eterno - o dízimo será para nós bênção, e não avareza.
Autor: REV. BOANERGES RIBEIRO
Lista de estudos da série
1. A verdade chocante sobre quem é o verdadeiro dono do seu dinheiro – Estudo Bíblico sobre a Soberania de Deus2. A escolha impossível que todo cristão enfrenta diariamente – Estudo Bíblico sobre Cristo e Mamom
3. O pecado financeiro que custou a vida de um casal na igreja primitiva – Estudo Bíblico sobre Ananias e Safira
4. Mais que 10% o verdadeiro significado do dízimo que poucos entendem – Estudo Bíblico sobre o Dízimo
5. Quando o dízimo não é suficiente o segredo das ofertas voluntárias – Estudo Bíblico sobre Ofertas
6. A prova de generosidade que seu extrato bancário não consegue mostrar – Estudo Bíblico sobre Generosidade
7. O poder de Deus não está à venda, o alerta infalível de Simão o Mago – Estudo Bíblico sobre Simonia
8. A fúria santa de Jesus no templo o que realmente o deixou irado – Estudo Bíblico sobre a Pureza da Adoração
9. Sua casa está pronta mas e a de Deus? a mensagem urgente do profeta Ageu – Estudo Bíblico sobre Prioridades
10. O segredo de Paulo para ser feliz com muito ou com pouco – Estudo Bíblico sobre o Contentamento
11. Apostar na sorte é pecado? o que a Bíblia realmente diz sobre jogos de azar – Estudo Bíblico sobre Sorte e Providência
12. A armadilha mortal do consumismo e como Jesus te liberta dela – Estudo Bíblico sobre o Consumismo```
