2 Coríntios 4.1-15
A conversão a Cristo resulta em testemunho cristão. O compromisso e a defesa da verdade são marcas distintivas na vida daquele que é salvo. Mas, por que será que nem todos os cristãos têm manifestado um testemunho autêntico de sua fé em Cristo Jesus?
A sociedade na qual a Igreja está inserida, exige dela uma postura cristã autêntica. São muitas as adversidades que os cristãos enfrentam, mas em todos eles o testemunho da fé precisa ser sustentado. E nessa direção que o presente estudo segue.
Análise do texto
Apesar de o apóstolo Paulo estar descrevendo o seu ministério específico, pode-se afirmar que a descrição apresentada neste capítulo 4, aplica-se ao testemunho cristão de todo aquele que, pela misericórdia de Deus, converteu-se a Cristo Jesus.
O testemunho sustentado corajosamente tem como objetivo levar outras pessoas ao conhecimento da verdade e à rejeição de toda mentira e falsidade (v.2).
Muitos não são alcançados com o Evangelho, pois Satanás lhes cegou o entendimento e, consequentemente, não podem ver a luz de Cristo, ficando, portanto, o Evangelho encoberto para eles (vv.3,4).
Percebe-se nos versículos 5 e 6 que o testemunho da fé é Cristocêntrico, ou seja, ele está centrado na pessoa de Cristo e não na pessoa humana, pois o cristão é apenas servo, em cujo coração a glória de Deus resplandeceu.
O tesouro em vaso de barro (v.7), deve ser entendido da seguinte maneira: O tesouro é Cristo, a boa nova de Deus (Evangelho) aos homens.
O vaso, depositário desse tesouro, é o cristão. Ele é fraco, frágil e mortal, mas pelo poder de Deus não é destruído, mesmo tendo que enfrentar muitas tribulações (vv.8-11).
Esta afirmação faz lembrar Gênesis 2.7:
Gênesis 2:7
Então formou o Senhor Deus ao homem do pó da terra, e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente.
A verdadeira testemunha de Cristo está sujeita à própria morte por causa de sua fé - como aconteceu com Paulo - para que Cristo seja manifestado e glorificado (vv. 10,11).
Assim como Jesus sofreu na carne para que os que creem tenham vida, assim, muitas vezes, a testemunha de Cristo tem que passar por esse caminho para que outros cheguem ao conhecimento da verdade e tenham essa vida (vv. 12-15).
A experiência do apóstolo Paulo apresenta lições úteis e indispensáveis ao bom testemunho cristão neste mundo.
Neste texto aprende-se:
1. CORAGEM PARA SUSTENTAR A VERDADE
No primeiro versículo do capítulo 4, Paulo declara: "Pelo que, tendo este ministério, segundo a misericórdia que nos foi feita, não desfalecemos".
A expressão "não desfalecemos" significa "não perdemos a coragem". O testemunho cristão exige essa coragem para ser sustentado, principalmente em situações adversas. Sobre essa coragem, destacam-se os seguintes ensinamentos:
1.1. É resultado da compreensão quanto à misericórdia de Deus (v.1) - Quando o cristão entende que a sua salvação é única e exclusivamente pela misericórdia de Deus, não lhe falta coragem para sustentar a verdade do Evangelho.
Em muitos, tem faltado a humildade necessária para reconhecer que em sua pessoa não há méritos próprios. A autossuficiência humana tem impedido que muitos declarem a misericórdia de Deus, que salva e transforma o homem (Ef 2.1-10).
1.2. Conduz à rejeição de tudo o que é vergonhoso (v.2) - Nem sempre é fácil revelar coragem para rejeitar e combater publicamente tudo o que é vergonhoso.
Não se trata aqui apenas de pecados morais, mas também pecados sociais, doutrinários, etc. O testemunho cristão implica em rejeição de tudo aquilo que o próprio Deus rejeita (Fp 4.8,9).
1.3. Envolve fidelidade para com a Palavra de Deus (v.2) - O testemunho cristão não pode falsificar ou adulterar a Palavra de Deus com o objetivo de justificar determinadas atitudes. Não se pode distorcer as Escrituras Sagradas ou usar de argumentos enganosos para satisfazer opiniões pessoais ou alheias.
O que se exige do cristão é fidelidade à Palavra de Deus. Lamentavelmente, o testemunho cristão tem sido manchado e obscurecido através de muitos que não estão fazendo da Bíblia a sua única regra de fé e conduta.
1.4. Torna-se bênção para outras pessoas (vv. 2-4) - Paulo afirma: "Nos recomendamos à consciência de todo homem..." Quando se tem coragem para sustentar a verdade, isso se torna bênção para aqueles que ainda não têm a sua consciência iluminada pela luz de Cristo.
O testemunho cristão é indispensável para que outras pessoas cheguem ao conhecimento de Cristo Jesus. Muitos não aceitam a verdade, mas outros a aceitam e são transformados (Mt 5.14-16).
1.5. Glorifica a cristo e implica em vida de serviço ao próximo (v.5) - O fim do testemunho cristão é a glorificação e exaltação da pessoa de Cristo.
Há muitos que testemunham de si mesmos e de sua transformação, pregam a si mesmos e não glorificam a Cristo; tudo o que se diz é apenas para falar de benefícios recebidos, tais como: cura, solução de problemas financeiros, aquisição de emprego, compra de imóveis, automóveis, etc.
Esse é o tipo de Evangelho centrado na pessoa humana. O testemunho da fé leva a uma vida de serviço a Deus e ao próximo, por amor de Cristo Jesus. O testemunho cristão não é apenas de palavras, mas de serviço útil ao semelhante (I Co 2.1-5).
2. A CAPACITAÇÃO DE DEUS PARA O SUSTENTO DA VERDADE
Nos versículos 7 a 15, o apóstolo relata o poder de Deus que capacita o cristão a testemunhar com fidelidade a respeito de Cristo. Ele descreve:
2.1. A fragilidade humana e o poder de Deus (vv.7-9) - O cristão é um vaso de barro diante de Deus. O fato de ser "barro" sugere a sua fragilidade e insignificância.
No entanto, há um tesouro dentro desse vaso que é o Evangelho de Cristo Jesus. Era comum as pessoas guardarem documentos valiosos em vasos. Muitas vezes, eram vasos caros e de material nobre.
Mas, aqueles a quem Deus destinou o seu tesouro, são vasos de barro, sendo que o que lhes confere valor e dignidade é a pessoa de Jesus e seu Evangelho (Jr 18.1-6).
O cristão é frágil, passa por tribulações, enfrenta grandes dificuldades e perseguições, mas não é vencido nem destruído, pois o poder de Deus está em sua vida.
É o próprio Deus que capacita o cristão para o desempenho de todas as suas funções. Na Igreja de Cristo, não somos "peças raras", mas vasos de barro, pessoas comuns e frágeis, sustentadas apenas pela graça e misericórdia de Deus.
2.2. A manifestação da vida de Jesus na vida de suas testemunhas (vv. 10,11) - Quando o cristão sustenta a verdade, na capacitação que o próprio Deus oferece para respostas dessas provações e grande perseguição, a vida de Cristo há de ser revelada através de seu testemunho.
Paulo afirma que os cristãos são cartas vivas de Cristo (II Co 3.2). Assim, os não salvos não percebem nos salvos a presença da vida de Jesus. Em Gálatas 2.20, lê-se:
Gálatas 2:20
Logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que agora tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim.
2.3. A fé na ressurreição e a glória final como elementos de sustentação da verdade (vv.14,15) - Entre os muitos fatores que encorajam o cristão em seu testemunho fiel de Cristo Jesus, estão a fé na ressurreição e na glória final.
Mesmo que seja preciso morrer para sustentar o Evangelho, a testemunha de Cristo não negará a sua fé, pois tem certeza da ressurreição final e do recebimento da coroa da vida (II Tm 4.8 e Tg 1.12). Essa fé sustenta a verdade e ao sustentar a verdade, a fé é também sustentada.
Autor: SÉRGIO PEREIRA TAVARES
