As 7 qualificações que separam os líderes verdadeiros dos falsos - Estudo Bíblico sobre liderança cristã


2 Coríntios 10

É impressionante observar, atualmente, o grande número de Igrejas evangélicas e outros grupos (seitas) que surgem no Brasil. É necessário que para cada grupo exista uma liderança. Daí a diversidade de líderes.

Alguns escândalos surgem entre os líderes e os liderados, mostrando a falta de preparo e evidenciando a existência de falsos líderes. São aqueles conhecidos por "falsos profetas", "falsos apóstolos", "mercenários", "enganadores", etc.

Discernir entre o verdadeiro e o falso líder é muito complexo e difícil, pois em determinados casos há semelhanças entre um e outro. As Escrituras falam do "sepulcro caiado", de Satanás que se transforma em anjo de luz e sobre aqueles que fazem milagres e muitos prodígios, mas que serão rejeitados pelo Senhor no dia final (Mt 23.27; 24.24; II Co 11.14,15).

Neste estudo será possível verificar alguns aspectos de um verdadeiro líder e algumas implicações inerentes ao seu serviço, a partir do exemplo do apóstolo Paulo.

Análise do texto

Neste capítulo 10, o apóstolo Paulo usa um tom mais severo e duro, pois ele percebe que muitos princípios do genuíno Evangelho estão sendo ameaçados. Alguns falsos líderes já estavam agindo na tentativa de atrair a atenção especialmente dos mais fracos na fé.

Eram aqueles com tendências legalistas, causadores de problemas, conhecidos como elementos judaizantes que desejavam preservar conceitos do judaísmo antigo (legalismo e cerimonialismo), dentro do contexto do Cristianismo (graça, verdade e amor). Eles queriam denegrir a imagem de Paulo para que suas ideias fossem aceitas e praticadas.

Este é o capítulo da defesa de Paulo, pois sua autoridade apostólica estava sendo atacada. Muitos coríntios estavam acusando e caluniando, e era necessário uma defesa, o que ele passa a fazer com "mansidão" e "benignidade".

Esta defesa contra as calúnias se estende até o capítulo 13, formando, assim, a chamada "epístola severa". Seu desejo era, portanto, de restabelecer a sua autoridade apostólica e fazer com que o Evangelho continuasse a ser anunciado naquelas regiões.

1. OS LÍDERES DEVEM ESTAR PREPARADOS PARA ENFRENTAR ADVERSIDADES

Está claro no capítulo em apreço, que o apóstolo Paulo estava sofrendo duras críticas e oposições. Já no versículo 1, ele é atingido pelos opositores que se referem a ele como "humilde", quando está "presente", e "ousado", quando está "ausente".

Aqui a ideia de humildade é "baixa estima", "posição inferior", "maleável", "subserviente". Para os seus opositores, a sua humildade era uma "fraqueza", uma "covardia".

O ser ousado era atitude de "arrogante", "impetuoso". No versículo 2, ele é acusado de mundano, de carnal. Até mesmo a sua aparência física, um pouco desajeitada, foi objeto de crítica pelos inimigos (v. 10). Eles queriam minar a autoridade apostólica de Paulo, passando uma ideia de um líder que não tinha coragem e era enganador, falso.

Realmente, os fiéis servos do Senhor não estão isentos de críticas, oposições e calúnias infundadas. 

O profeta Eliseu recebeu zombarias de alguns rapazinhos, mas a mão de justiça de Deus pesou contra eles (II Reis 2.23-25). O próprio Cristo não escapou da rejeição, da zombaria, do escárnio e da traição (Jo 1.11; Mt 27.33-44).

Outro exemplo é o de Estevão, que foi apedrejado (At 7.54-60). Os apóstolos também receberam afrontas, foram humilhados e duramente perseguidos (At 8.1 e 16.19-26). A Palavra de Deus apresenta o dever de não se tocar no ungido de Deus (I Sm 24.10, 26.9; I Cr 16.22).

Infelizmente, muitos líderes e mesmo não líderes têm sido atingidos por acusações falsas, calúnias, injúrias, agressões, etc. Que o Senhor conceda o espírito de arrependimento e confissão a estas pessoas, oferecendo a elas o Seu perdão.

2. OS LÍDERES DEVEM AGIR CORRETAMENTE DIANTE DAS ADVERSIDADES

Mesmo escrevendo de forma dura e objetiva, o apóstolo usa de mansidão e de benignidade, que são virtudes marcantes, encontradas no próprio Cristo. Paulo não esquece das qualidades de gentileza e de misericórdia para com aqueles que estavam prejudicando a sua liderança.

Assim expressou o comentarista Heubner: "A mansidão tolera a dor, mas a gentileza corrige as faltas dos outros com tolerância". 

É interessante observar que Paulo não está aqui em busca de seus direitos legais, nem para impor regras; mas para considerar a sua situação com o amor de Cristo que transcende a justiça humana. Ele mesmo recomendou muita paciência em meio às adversidades (Rm 12.19,20).

Jesus nos ensinou que devemos agir com oração, mansidão e espírito de perdão para com aqueles que se consideram nossos inimigos (Mt 5.43-48). Ele mesmo, lá na cruz, perdoou os Seus inimigos (Lc 23.34). De modo semelhante agiu Estêvão (At 7.60).

Esta atitude de mansidão não é fácil de ser praticada quando somos atingidos de maneira injusta. 

A tendência natural do ser humano é de pagar com a mesma moeda, como dizem por aí: "dar o troco". Mas, é necessário que entendamos o exemplo de Paulo e lutemos para agir como ele agiu, seja qual for a situação.

3. OS LÍDERES DEVEM DEMONSTRAR QUALIFICAÇÕES

Nesta defesa paulina é possível perceber que existem alguns qualificativos que distinguem os verdadeiros dos falsos líderes. Vejamos alguns:

3.1. Não andar segundo a carne

Paulo rebate a acusação do versículo 2, mostrando que não andava de modo mundano, mesmo que se sentisse forçado a viver segundo as condições humanas (v.3).

Realmente, há um conflito entre a carne e o espírito, mas o verdadeiro servo de Deus não satisfaz à carne, e sim a Cristo. Paulo ensina sobre uma vida no Espírito e era homem cheio do Espírito (Gl 5.16; At 9.17).

3.2. Utilizar armas não carnais

Paulo não utiliza os recursos humanos para cumprir sua missão, mas o próprio poder de Deus. O que é carnal é fraco. Em Deus reside o poder e a força que pode anular qualquer argumentação humana (vv.4-6). Ele fala do caráter de seu apostolado em I Co 2.1-5. É bom lembrar que Davi venceu o inimigo não com armas humanas, mas sim, em nome do Deus dos Exércitos (I Sm 17.45).

3.3. Pertencer a Cristo

Paulo possuía íntima comunhão com Deus e muitas experiências ele podia contar. Ele mostra aos seus opositores que está firmado em Cristo e com Cristo ele realizava maravilhas. 

Há grupos religiosos que fazem um pré-julgamento, achando que só eles são de Cristo. São os que se consideram mais poderosos, mais santos do que os outros. Mas, o importante é pertencer a Cristo (v.7).

3.4. Empregar o seu poder para edificação

O poder recebido de Deus é para ser empregado na edificação, em benefício de alguém. O apóstolo mostra que o seu ministério é para a edificação na fé, conduzindo pessoas a Cristo (v.8). O verdadeiro líder não é um destruidor, mas um edificador.

3..5. Proclamar o Evangelho

Paulo jamais trabalhava sobre fundamento alheio, mas realizava trabalho pioneiro, levando pessoas a Cristo. Sua tarefa principal era levar vidas a Cristo, respeitando as pessoas e o contexto onde viviam. Ele realizava a missão com inteligência, sem exagero algum (v. 14; Rm 15.20).

3.6. Possuir visão ampla da missão

O desejo de Paulo era avançar até às novas regiões (Itália e Espanha), segundo o versículo 16. Ele é um verdadeiro missionário, visualizando os povos não alcançados (Rm 15.22-29). É grande o número de povos não alcançados hoje, aos quais os missionários devem ser enviados. Que Deus abra e alargue a visão missionária das Igrejas (At 1.8).

3.7. Gloriar-se no Senhor

Os inimigos de Paulo queriam receber as honrarias pelo trabalho feito pelo apóstolo, sendo isso uma exaltação indevida, uma desonestidade. Por isso, ele fala de se gloriar somente no Senhor (vv.17,18). O verdadeiro líder se gloria somente no Senhor (Jr 9.23,24; I Co 1.31). É preciso glorificar a Deus e não às pessoas.

Autor: ANDERSON SATHLER


Lista de estudos da série

1. O segredo de Paulo para vencer o sofrimento – Estudo Bíblico sobre o consolo divino 
 2. Sua arma secreta contra críticas e oposições – Estudo Bíblico sobre integridade cristã 
 3. Você já vive a vitória esmagadora de Cristo? – Estudo Bíblico sobre o triunfo de Cristo 
 4. Por que a Nova Aliança é infinitamente superior – Estudo Bíblico sobre vida no Espírito 
 5. O tesouro que você carrega em um vaso de barro – Estudo Bíblico sobre testemunho autêntico 
 6. A fonte secreta de força quando você pensa em desistir – Estudo Bíblico sobre a esperança eterna 
 7. Você foi chamado para ser um embaixador de Cristo – Estudo Bíblico sobre o ministério da reconciliação 
 8. As 3 verdades que sustentam um líder em meio ao caos – Estudo Bíblico sobre a resiliência ministerial 
 9. Como viver puro em um mundo contaminado – Estudo Bíblico sobre o jugo desigual 
 10. Sua fé está produzindo ação ou apenas teoria? – Estudo Bíblico sobre a verdadeira solidariedade 
 11. A lei da semeadura que multiplica suas bênçãos – Estudo Bíblico sobre o poder da generosidade 
 12. As 7 qualificações que separam os líderes verdadeiros dos falsos – Estudo Bíblico sobre liderança cristã 
 13. O guia infalível para a integridade no ministério – Estudo Bíblico sobre a responsabilidade do líder

Semeando Vida

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