A graça comum (4)


Na edição passada apontamos alguns motivos pelos quais Deus dispensa bênçãos sobre justos e ímpios. 

De acordo com o que foi tratado, a graça comum acontece para redimir os eleitos e demonstrar a bondade, misericórdia e justiça de Deus. Na presente reflexão estudaremos a resposta do homem em face dessa ação benevolente de Deus.

1. Sua recepção não significa salvação. As pessoas que reconhecem a beleza da criação; que se beneficiam das chuvas e estações, ou que sejam abastadas, inteligentes e influentes, igualmente necessitam do arrependimento e do Evangelho de Cristo, caso contrário serão condenadas.

A Bíblia descreve os incrédulos como “inimigos” de Deus (Rm 5.10; Cl 1.21, Tg 4.4), que são “contra” a cruz de Cristo (Mt 12.30), “inimigos da cruz de Cristo”, uma vez que apenas “só se preocupam com as coisas terrenas” (Fp 3.18-19) e são, por natureza, “filhos da ira” [de Deus] (Ef. 2.3).

2. Não se pode rejeitar coisas boas feitas pelos maus. A graça comum concede até mesmo aos incrédulos a capacidade de fazer coisas boas a fim de amenizar o sofrimento humano, tais como o exercício da medicina, do direito e da educação, entre outras. 

Também uma amizade, ou todo ato de bondade, ainda que feitos por incrédulos, conferem bênçãos aos homens. “Tudo isso, no final das contas – embora o incrédulo não saiba – provém de Deus, e, também por isso, Ele deve ser glorificado” (Wayne Grudem).

3. A graça comum deve conduzir-nos à gratidão. Quando recebemos os benefícios da medicina, desfrutamos dos avanços tecnológicos, somos privilegiados com uma educação por excelência, usufruímos da natureza e contemplamos sua beleza e somos protegidos pelo governo, entre outros benefícios do tipo, na verdade experimentamos, por intermédio dessas coisas, a bondade de Deus. Portanto, devido a isso, devemos ser constantemente gratos a Deus pelo exercício de sua graça a nós dispensada.


Conclusão

Mesmo o homem sendo mau em sua essência, Deus, em sua misericórdia, não deixa de usá-lo como veículo de sua graça. Isto é, até os maus podem ser usados por Deus para fazer coisas boas, bem como podem desfrutar de vários benefícios. 

Todavia, conforme foi visto, isso não significa que ele será salvo. Por outro lado, não podemos rejeitar os bons atos praticados por ímpios e, finalmente, devemos ser gratos a Deus pelo fato de nos conceder coisas boas por intermédio dos ímpios. Que Deus nos dê entendimento para isso.

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Carlos Eduardo Pereira de Souza  é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil. Formou-se em Teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul em 2003 e pela Universidade Presbiteriana Mackenzie em 2012. Mestrado em Novo Testamento pelo Centro de Pós Graduação Andrew Jumper em 2013. Pós-graduado em docência do ensino superior, pela Universidade Paulista em 2016.

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