A graça comum (1)


Embora nem todos serão salvos, Deus continua a dispensar aquilo que os teólogos chamam de graça comum. Podemos defini-la conforme sugere Wayne Grudem: “Graça comum é a graça de Deus pela qual ele dá às pessoas inumeráveis bênçãos que não fazem parte da salvação”. 

Diante dessa definição, a pergunta que surge é: Que bênçãos são essas? É o que responderemos a seguir.

1. Domínio físico
O ar que justos e injustos respiram procede unicamente da graça de Deus. Assim como a terra, que não produz apenas cardos e abrolhos (Gn 3.18) nem mesmo permanece um deserto árido e infrutífero. 

Pelo contrário, há uma grande quantidade e diversidade de frutos produzidos, por meio dos quais pode-se obter alimentos e roupas. A beleza do mar, das flores, das florestas é testemunha da graça de Deus, visto que o homem não merece desfrutar de nenhum desses benefícios.

2. Domínio intelectual
Essa manifestação da graça se dá de duas formas. A primeira é aquela na qual todas as pessoas têm uma percepção da verdade e do ser de Deus (Rm 1.21). É por esse motivo que o homem, no afã de conhecer a Deus, acaba por se enveredar em religiões falsas. 

A segunda é que toda a ciência, tecnologia e invenções diversas são fruto da graça de Deus, a fim de que os inventos possam atenuar o sofrimento e facilitar a vida do homem.

3. Domínio moral
Por meio da graça comum, o Senhor restringe o homem para que ele não seja tão mal quanto poderia ser. Paulo escreve: 

“Quando, pois, os gentios, que não têm lei, procedem, por natureza, de conformidade com a lei, não tendo lei, servem eles de lei para si mesmos. Estes mostram a norma da lei gravada no seu coração, testemunhando-lhes também a consciência e os seus pensamentos, mutuamente acusando-se ou defendendo-se” (Rm 2.14-15). 

Isso significa que até os incrédulos aprovam princípios que refletem os padrões morais ordenados na Bíblia; dessa forma, a maldade é refreada.

Conclusão
A graça de Deus não se aplica apenas à salvação dos eleitos, o que conhecemos como graça especial. Há aquele tipo de graça que é derramada sobre justos e injustos, que é denominada graça comum. Aqui abordamos três exemplos dessa graça, isto é: o domínio criativo, social e religioso. Esse é mais um motivo pelo qual Deus deve ser engrandecido e visto como quem tem prazer na misericórdia.

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Carlos Eduardo Pereira de Souza  é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil. Formou-se em Teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul em 2003 e pela Universidade Presbiteriana Mackenzie em 2012. Mestrado em Novo Testamento pelo Centro de Pós Graduação Andrew Jumper em 2013. Pós-graduado em docência do ensino superior, pela Universidade Paulista em 2016.

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