Vaidade (1)


Um dos grandes males da vida é a vaidade. Não por ela em si, mas pelo que ela representa. A vaidade representa ingratidão. A vaidade leva o homem a igualar-se a Deus. Ela representa a ilusão, o vaidoso pensa que é e não é. A vaidade leva o homem a fazer acepção de pessoas e outras coisas mais.


Jesus prevê todos os perigos da vaidade e recomenda: "Porém o maior dentre vós será vosso servo e o que a si mesmo se exaltar será humilhado; e o que a si mesmo se humilhar será exaltado". (Mateus 23.11,12)

Embora reconhecendo sua posição perante Deus e o próximo, o cristão corre o risco de se envaidecer. Quando uma doença ameaça uma comunidade, a providência mais comum é procurar imunizar a população através de vacinação apropriada. Quando o veneno já penetrou no organismo é mister a aplicação de um antídoto adequado. Será que existe um antídoto contra a vaidade? Eu acho que sim!

Duas coisas importantíssimas para o homem é a vida e a saúde. Então devemos nos prevenir contra a vaidade de imaginar que somos intangíveis nesses dois aspectos. Então um antídoto contra a vaidade seria uma visita, de vez em quando, a um hospital. Faz bem uma visita dessas, pois ela faz bem não só a quem recebe a visita por sentir-se lembrado pelo amigo, mas também a quem visita por saber que ele também pode um dia perder a saúde. 

Muitas vezes deixamos passar a vida de maneira inconsequente e bem próximos de uma doença grave. No hospital todos se irmanam. O sofrimento une os homens. No hospital nosso sentimento de solidariedade se desperta. Sofremos com os sofredores. A simples possibilidade de uma enfermidade coloca sempre um "mas" na vida do homem.

Encontramos na Bíblia a referência a um general chamado Naamã: "Era um homem valoroso, porém leproso". (2 Reis 5.1). Ninguém tem tempo para pensar nas vaidades da vida diante de um leito de dor. "Bem aventurados os que choram porque eles serão consolados". (Mateus 5.4)



Outro antídoto contra a vaidade seria o comparecimento a um funeral. A morte, sendo a coisa mais natural da vida, nunca é bem recebida por ninguém. Temos sempre a ideia de que a morte é só para os outros, mas ela é para nós também. 

Consideramos a morte uma inimiga e na verdade é. Mas ela tem uma virtude: iguala os homens ou lembra-lhes de que são todos iguais. 

A vaidade nunca estará presente a um funeral. Todos se sentem diminuídos diante de um esquife. Em circunstâncias normais vaidosos e presunçosos, diante da morte derrotados e abatidos, pessoas que, por vaidade, nunca choram, diante da morte despem-se do falso orgulho e revelam-se como na realidade são - simples mortais.

Então, qual seria a imunização contra a vaidade? É Jesus quem indica a solução: "aprendei de mim que sou manso e humilde de coração". (Mateus 11.29). 

Há uma maneira diferente do o cristão encarar a realidade, tanto da doença como da morte. Não há desespero, nem sentimento de culpa. O desespero é o resultado do desnível entre a vaidade da vida anterior e a realidade presente, da doença ou da morte. O sentimento natural de pesar é o resultado da consciência de que Deus é superior a tudo. Quem não aprendeu com Jesus a lição de humildade e de mansidão, quando não se revolta, desespera-se.

Visitei um senhor, na véspera de sua morte. Hemorragia interna. Quando o cumprimentei e lhe perguntei como estava, disse "estou no fim, mas se Deus é por nós, quem será contra nós?" Essa mesma afirmativa foi feita por ele, dois anos antes, nas comemorações de suas Bodas de Ouro.

Nosso objetivo é mostrar que não há motivo nenhum para a vaidade. As vezes nos esquecemos de que somos mortais e nos esquecemos de Deus. Parece que Deus, querendo fiscalizar o homem na sua propensão para a vaidade, colocou na própria natureza humana a doença e a morte. 

Vencedores nessas circunstâncias, diante dessas duas realidades, só mesmo os que aprenderam com Cristo que são simples e constantes dependentes de Deus.

Por nós mesmos somos vencidos por tão pouca coisa como a doença ou a morte. Por Jesus Cristo e pelo seu poder, somos mais do que vencedores, não só nas enfermidades, mas também na morte, que, para o cristão é a última etapa para a sua aproximação definitiva com Cristo.

"Porque toda a carne é como a erva, e toda a glória do homem é como a flor da erva. Secou-se a erva, caiu a sua flor, mas a palavra do Senhor permanece para sempre". (I Pedro 1:24-25).

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Samuel Barbosa é pastor jubilado da Igreja Presbiteriana do Brasil. Formou-se em teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul em 1960. Posteriormente graduou-se em Letras, Pedagogia, Supervisão Escolar e Especialização em Língua Portuguesa com produtiva carreira acadêmica. Pastoreou as igrejas presbiterianas de Apiaí, Correias e Itararé entre 1961 e 1962. Foi pastor da Igreja Presbiteriana de Itararé durante 32 anos até sua jubilação. Presidiu o Presbitério de Itapetininga por 22 anos e é pastor emérito das Igrejas Presbiterianas de Itararé e Itaberá. 

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