Os milagreiros itinerantes e seus estranhos testemunhos


Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas - 2 Timóteo 4:3-4

Responda rápido a pergunta: se uma pessoa viesse lhe falar que se converteu aos caminhos do Senhor, mas que, no seu passado, participou do assassinato de várias pessoas... o que você pensaria?

Eu pensaria: o sujeito não possui mais dívidas com Deus, mas com a sociedade sim! Ele pode ser uma peça-chave para testemunhar, esclarecer crimes e tranqüilizar famílias que tiveram seus familiares mortos ou desaparecidos misteriosamente. Seria verdadeiramente cristão ele confessar seu crime e se entregar.

Seguindo a mesma lógica de raciocínio, pensemos agora nos pregadores itinerantes que de vez em quando, convidados por igrejas que precisam "chacoalhar" seus membros, visitam nossa cidades.

Alguns desses pregadores se denominam, por exemplo, ex-bruxos e testemunham seu passado e conversão. Suas pregações são intensas e geralmente trazem doutrinas não bíblicas, boatos não provados (de celebridades que fazem pacto com o diabo). Até aí, é algo que estamos nos acostumando a ver em muitas igrejas, um abandono cada vez maior da Bíblia e um apego à fábulas...

Mas o que mais me choca é que o conteúdo destes testemunhos são em sua maioria casos de polícia. Alguns dizem que participaram do assassinato de pessoas, de sacrifícios, etc.

Por que esses notáveis pregadores que se dizem convertidos, como primeiro sinal da sua conversão, não vão a uma delegacia confessar os crimes? Se de fato participaram do “sacrifício” de pessoas, por que não confessam os seus crimes abertamente para a lei?

Para mim, de duas uma: ou esses crimes e fatos fantásticos sequer existiram... ou o sujeito sequer se converteu de verdade...

A igreja precisa deixar a ingenuidade de lado, para de buscar coisas "fantásticas". Milagreiros a gente encontra de todo lado. E é claro que há muito pregador itinerante sério, comprometido com a Bíblia... Mas o maior milagre, sem dúvida, é alguém ler a Bíblia e mudar de comportamento, mudar de vida. Esse milagre não há muita gente buscando, infelizmente.

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Andrei de Almeida Barros é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil. Em 1998 trabalhou como missionário em Portugal. Formou-se em teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul em 2003 e ordenado pastor em 2004. Atualmente cursa Licenciatura em História. É fundador e editor do site www.semeandovida.org
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