Filipenses 3:1; 4:1-7
A espiritualidade do cristão não se torna notória apenas por atitudes devocionais como orar, estudar a Bíblia, dar testemunho, participar dos cultos e reuniões da igreja etc. Não é raro encontrar pessoas que, após a conversão a Cristo, deixam de evidenciar uma vida alegre, feliz, prazerosa.
Para estes, o sorriso desaparece dos lábios; no mundo criado por Deus, não há mais nada que possa produzir alegria ou se constituir em motivo de prazer; o seu semblante está sempre triste, e tudo o que é do "mundo" perde o seu valor.
Os cristãos do 3º milênio precisam redescobrir a alegria, pois Deus é a própria alegria. Evidentemente, esta alegria é diferente da alegria daqueles que não conhecem a Deus, como será visto neste estudo. Por isso, vejamos alguns aspectos sobre essa questão.
1 - FUNDAMENTO E A ESSÊNCIA DA ALEGRIA CRISTÃ ESTÃO EM DEUS
Para se compreender com mais clareza a alegria cristã, é preciso, antes de mais nada, destacar que o seu fundamento e a sua essência estão em Deus. A "alegria do Senhor", descrita em Neemias 8.10, faz-nos entender que Deus é a própria alegria. É próprio do Senhor alegrar-se com tudo aquilo que Ele criou.
Tudo o que Deus criou foi visto por Ele como sendo "muito bom". Assim, o que é bom, é apreciável e produz alegria. No Salmo 45.7, o salmista declarou que Deus é que unge com o óleo da alegria.
Pode-se afirmar que a verdadeira alegria que o cristão experimenta é resultado do seu conhecimento de Deus. Ela é fruto da comunhão que se estabelece com o Criador por meio da redenção em Cristo Jesus. A união com Deus, que é resultado da salvação em Cristo, dá sentido à vida e torna pleno de alegria o coração.
Sendo Deus o fundamento e a essência da alegria do cristão, é oportuno lembrar o que diz L. Weingartner em seu comentário de Filipenses, publicado pela Missão Editora: "A alegria no Senhor não é nenhum privilégio de alguns poucos cristãos dotados de especial equilíbrio psíquico.
É uma experiência que qualquer cristão poderá e deverá fazer no seu dia a dia. A boa-nova de Jesus Cristo não combina com uma vida azeda e tristonha.
O que já era válido para o antigo povo de Deus, vale muito mais para o povo da Nova Aliança: 'a alegria do Senhor é a vossa força' (Ne 8.10)".
Para o apóstolo Paulo, a alegria é do Espírito Santo (Gl 5.22). A vinda do Espírito Santo dá aos discípulos de Jesus a certeza de que, mesmo nas tribulações desta vida, a alegria não pode ser retirada do coração. Ela não depende das circunstâncias, pode ser incessante (II Co 13.11; Fp 3.1; I Ts 5.16).
2. A ALEGRIA CRISTÃ HARMONIZA-SE COM A CRIAÇÃO DE DEUS
Quando o cristão se volta para a criação de Deus, ele não pode deixar de alegrar-se com ela. Ao contemplar a obra das mãos de Deus, vê-se que tudo foi criado para o louvor da sua glória e para o bem-estar dos seres humanos. O que produz a alegria não são as coisas criadas, mas o Criador.
No entanto, o cristão pode e precisa experimentar regozijo nas coisas que Deus criou. É como afirma o professor Heinrick Fries, em seu dicionário de teologia, publicado pela Edição Loyola: "A alegria é possível para o homem e está prevista, até pela criação, que ele a encontre nas coisas, nos homens e em Deus".
Muitos são aqueles que não conseguem harmonizar a alegria com a criação de Deus. Para esses, nada há de bom no mundo. Tudo é mau, e o cristão precisa fugir de tudo aquilo que não é "espiritual".
São pessoas que não conseguem se alegrar com uma boa música, uma boa reunião de amigos, um bom momento de lazer, um belo nascer ou pôr-do-sol etc. São pessoas que não conseguem enxergar com bons olhos, aquilo que está à sua volta, que é apreciável e louvável.
Jesus declarou:
Mateus 6:22-23
São os olhos a lâmpada do corpo. Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso; se, porém, os teus olhos forem maus, todo o teu corpo está em trevas...
Para o cristão, que crê, é impossível separar da sua vida a alegria que as coisas boas oferecem.
3 - A ALEGRIA CRISTÃ CARACTERIZA A COMUNHÃO E O SERVIÇO DOS MEMBROS DO CORPO DE CRISTO
Ao escrever à igreja de Filipos sobre a necessidade de se alegrar sempre no Senhor, Paulo o faz para encorajar os irmãos a permanecerem unidos e firmes no trabalho do Senhor, mesmo sofrendo perseguições e tribulações. O progresso na fé, mesmo em meio às dificuldades, confirma a alegria (I Ts 2.19,20; Fp 2.2; II Co 1.14).
Numa demonstração clara de sua fé e conversão a Cristo Jesus, o cristão há de revelar profunda alegria pela comunhão que desfruta com os outros membros do Corpo de Cristo e no serviço a Deus.
Observa-se que muitos membros do Corpo de Cristo não manifestam nenhum prazer ou alegria em estar em comunhão com os irmãos na fé. São pessoas que vivem isoladas e alienadas de tudo e de todos.
Há um cântico muito conhecido no meio evangélico, que diz: "Quando estou com o povo de Deus eu sinto a maior alegria..." Será que é isso que realmente acontece?
Nos atos litúrgicos de louvor e adoração a Deus, essa alegria precisa estar presente. Os cultos oferecidos a Deus não são atos fúnebres, marcados pela tristeza e falta de prazer. Com a mente e o corpo, o cristão se alegra diante do seu Deus (II Cr 29.30; Ne 12.43; Sl 116.11; Jr 31.7).
Assim sendo, o cristão não faz uma separação entre os atos litúrgicos e os atos da vida secular. Em todas as coisas realizadas dentro dos princípios cristãos, ele se alegra e revela harmonia com tudo o que é obra de Deus.
DISCUSSÃO
1. Observando textos bíblicos como II Coríntios 13.9, Tiago 1.2, 1 Pedro 1.8 e Mateus 5.12, como entender a alegria cristã nas aflições?
2. Se o fundamento e a essência da alegria cristã estão em Deus, como explicar a alegria dos ímpios?
Autor: REV. SÉRGIO PEREIRA TAVARES
Lista de estudos da série
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5. Meditação cristã sem os mitos orientais – Estudo Bíblico sobre o Poder do Silêncio
6. As 3 práticas esquecidas que revolucionam sua fé – Estudo Bíblico sobre Devoção Cristã
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8. Seu corpo não é inimigo da sua espiritualidade – Estudo Bíblico sobre o Corpo na Fé Cristã
9. A incrível verdade sobre a arte que Deus aprova – Estudo Bíblico sobre Arte e Adoração
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