Como não ser pego de surpresa na volta de Cristo - Estudo Bíblico sobre a Parábola do Servo Vigilante

Lucas 12.35-40

Introdução

Algo está acontecendo com o Cristianismo contemporâneo. Ao contrário dos que nos precederam, nós hoje pouco enfatizamos a vinda do Senhor. 

Como consequência, falamos muito pouco acerca da necessidade de vigilância quanto à volta de Cristo. Parece que nossos antecessores tinham mais expectativa quanto ao retorno do Rei.

Prova disso é que a maioria dos sermões que ouvimos hoje possui mais implicações para a vida presente que para a vida porvir. 

Uma mensagem moderada, que nos ensina a viver aqui aguardando a volta de Cristo é quase sempre menosprezada por boa parte dos pregadores.

Não conseguimos conciliar a nossa vida diária, o serviço cristão e a vigilância quanto ao retorno de Cristo. Tripartimos esses elementos, como se fosse categorias diferentes, assim como os antigos monges cristãos fizeram.

Será possível conciliar uma vida cristã relevante neste mundo e ao mesmo tempo aguardar de maneira entusiasmada o retorno de nosso Senhor? 

A resposta a esse questionamento é o objetivo de nossa lição, que se baseia na parábola do servo vigilante, mas que poderia se chamar a parábola dos servos vigilantes.

1 - ENTENDENDO A PARÁBOLA

Jesus narra a história de um homem que se ausentou de sua casa, para participar de uma festa de casamento (v.36). Porém, seus servos ficaram em casa a espera de seu senhor, pois não sabiam quando voltaria, se na segunda ou na terceira vigília da noite (v.38).

É interessante pensarmos nesse senhor como uma pessoa querida por seus servos, que com prazer aguardam o seu retorno, a fim de servi-lo quando chegar. 

Isso não está longe de ser uma realidade, uma vez que o verbo esperar, originalmente, encontra-se na voz média, que exprime uma ação que o sujeito pratica com um interesse pessoal no seu efeito.

Portanto, eles estavam querendo agradar o senhor com esta atitude.

Segundo Jesus, tal atitude é digna de uma bem-aventurança. 

Aqueles que fossem encontrados vigilantes pelo senhor mereceriam uma grande honra, que seria assentar-se à mesa do senhor para um banquete, onde eles seriam servidos por ninguém menos que o próprio patrão (v.37). 

Algo muito incomum para a época e que fugia a todos os padrões (Lc 17.7-10).

Para reforçar a ideia da vigilância, Jesus agrega a sua parábola a ideia do ladrão que vem durante a noite. Mas, o pai de família sabe a hora em que o gatuno virá, por isso, fica vigiando para pegá-lo (v.39).

Ou seja, há uma necessidade extrema por vigilância por parte dos servos, pois o senhor pode chegar de repente, como um ladrão pegando os descuidados e os desprevenidos.

Somente após contar a parábola é que Jesus dá a entenda seu objetivo, quando diz: "Ficai também vós apercebidos, porque, à hora em que não cuidais, o Filho do Homem virá" (v.40).

O Mestre estava falando de sua vinda. Ele é o senhor que se ausenta por breve tempo de sua casa. Os servos são todos os remidos e lavados por seu sangue e cumpre a esses esperar pacientemente o retorno do Senhor. 

O interesse não deve ser outro, senão agradar o Mestre, tanto pelo serviço quanto pela vigilância.

O objetivo da parábola é alertar os discípulos para o iminente retorno do Senhor: "Cingido esteja o vosso corpo, e acesas, as vossas candeias" (v.35).

Baseados nestas considerações, encontramos duas implicações úteis para a igreja contemporânea, que precisa redescobrir a alegria e o entusiasmo em aguardar o retorno do Senhor.

2 - VIGILÂNCIA NÃO É ALIENAÇÃO

Quando William Miller declarou que a vinda de Cristo estava marcada para acontecer em 21 de março de 1843, muitos cristãos venderam ou doaram os seus bens, preparando-se para o encontro com o Senhor.

Abriram mão de toda a realidade. Alguns se isolaram do mundo, a fim de aguardar a vinda de Cristo. Grande foi a decepção e o prejuízo de muitos quando as previsões falharam. Tal alienação não foi exclusiva desse grupo ao longo da história.

Na igreja de Tessalônica algumas pessoas estavam usando a fé na vinda iminente de Cristo para viver displicentemente (1Ts 4.10-12; 2Ts 3.6-11). Paulo escreve a essa igreja para, entre outras coisas, orientá-la quanto à volta de Jesus (1Ts 5.6).

Matthew Henry considera que a vigilância e a sobriedade são características apropriadas ao caráter cristão. Henry define que a sobriedade a que Paulo se refere está ligada aos excessos em relação àquilo que é temporal.

Com isso, podemos afirmar que, quando vigiamos devemos tomar cuidado para não nos afastarmos da realidade. Foi o que Jesus pediu ao Pai (Jo 17.15). 

Quer gostemos ou não, ainda estamos no contexto do mundo. É nesse contexto que devemos aguardar a volta de Cristo.

Afastar-nos do mundo não é a melhor maneira de sermos vigilantes, pois agindo assim, deixamos de ser relevantes no mundo e nos transformamos em alienígenas em nosso próprio planeta. Por outro lado, existem aqueles que se prendem a coisas dessa vida (2Tm 2.4).

Paulo mostra que deve haver tal compreensão da vontade de Deus, que as questões temporais, por mais necessárias e legítimas que sejam, sempre ficam em segundo lugar.

Se voltarmos os olhos para o contexto da parábola, encontraremos Jesus orientando seus discípulos acerca da moderação (ou sobriedade) quanto as necessidade temporais (Lc 12.22-34).

A ansiedade provocada pela preocupação com as nossas necessidades básicas pode nos alienar do reino de Deus, que deve ter primazia em nossa mente (Lc 12.31).

Portanto, quer a alienação seja provocada por um desprendimento total das coisas deste mundo ou por um apego ansioso a elas, a vigilância não pode ser esquecida jamais.

O cristão "confia no retorno do Senhor... [e] jamais foge aos seus deveres". Nas palavras de William Hendriksen, "ser vigilante significa estar espiritualmente desperto".

Somos chamados a aguardar a vinda de Cristo com alegria e entusiasmo, sem, contudo, esquecer que temos uma missão.

Paulo dá a dimensão correta da vigilância, quando escreve aos coríntios, dizendo: "Sede vigilantes, permanecei firmes na fé, portai-vos varonilmente, fortalecei-vos. Todos os vossos atos sejam feitos com amor" (1Co 16.13,14).

Isto nos leva à segunda implicação.

3 - O SERVIÇO FAZ PARTE DA VIGILÂNCIA

"Todos os vossos atos sejam feitos com amor" (1Co 16.14), aponta para o serviço cristão como parte de nossa vigilância.

É improvável que os servos da parábola estivessem cochilando, enquanto aguardavam seu senhor voltar da festa. 

Ao contrário, enquanto esperavam, eles estavam trabalhando, colocando seus afazeres em dia. Eles estavam prontos para receber o senhor quando este chegasse e batesse à porta (v.36).

Serviço cristão é tudo aquilo que fazemos em nome de Cristo e para sua glória, utilizando para isso os dons espirituais concedidos por ele (1Co 10.31; 1Co 12.4-7; Ef 4.7-14). 

Somos cristãos 24 horas por dia. Toda a vida do cristão é permeada pela fé cristã, com o propósito de viver de modo que agrada a Deus.

Quando os primeiros discípulos foram chamados de cristãos, na cidade de Antioquia (At 11.26), o termo era utilizado como chacota. Porém, os cristãos tomaram isso com um grande elogio, pois foram identificados com a pessoa do seu Senhor.

Ora, se toda a extensão da nossa vida pertence ao Senhor, se os dons que temos são dádivas dele para nós e somos identificados com o próprio Cristo; nada mais coerente que aguardar sua vinda, trabalhando para seu reino que será consumado com o seu retorno.

O cristão é chamado a ser operoso em obras, colocando em prática a vontade do Senhor, pois foi chamado com este propósito para servi-lo (Ef 2.10; Tg 1.22; 1Pe 1.17-21).

Pensando nisso, o apóstolo Pedro escreveu: "Visto que todas essas coisas hão de ser assim desfeitas, deveis ser tais como os que vivem em santo procedimento e piedade, esperando e apressando a vinda do Dia de Deus, por causa do qual os céus, incendiados, serão desfeitos, e os elementos abrasados se derreterão" (2Pe 3.11,12).

No pensamento de Pedro, cada cristão deveria sentir-se motivado a servir ao Senhor, na expectativa da sua vinda, na convicção de que o Senhor se agradará em vê-lo em atividade, por ocasião do seu retorno. 

Assim, pregar evangelho, alimentar o faminto, consolar os aflitos e curar os enfermos, deveria ser nossa meta como cristãos até a vinda do Senhor.

Afinal, quando colocamos nossa vida a serviço do Senhor, não perdemos tempo com conversações improdutivas ou atitudes inconvenientes. Pelo contrário, primamos por viver de maneira agradável. 

Felizes seremos nós, se ao chegar, o nosso Mestre nos encontrar fazendo a sua vontade, pois como afirmou Paulo, "... no Senhor, o vosso trabalho não é vão" (1Co 15.58).

CONCLUSÃO

Considerando tudo o que foi visto, somos levados a entender que a relevância da igreja é responsabilidade de todos os cristãos.

Cada cristão deve assumir sua postura de servo vigilante, cumprindo cabalmente o seu serviço. 

Para isso, muitos deverão aprender a sobriedade na vigilância. Deverão aprender a não se isolar do mundo, não alienar-se nem se contaminar com coisas do presente século.

A igreja precisa aguardar a vinda de Cristo com todo o entusiasmo. Precisa falar dessa vinda com paixão e fervor, entendendo que o desejo do Senhor é encontrar todos os seus servos de prontidão, trabalhando em seu nome.

Jesus está voltando. Breve vem o seu dia. Dia de júbilo e celebração para seus servos fiéis. Porém, será um dia de horror para os descuidados. Vivamos como se Cristo voltasse ainda hoje.

Aplicação

  • Como devemos esperar a volta de Cristo?
  • Como viver a vigilância com sobriedade?
  • É possível viver plenamente a vida cristã sem se isolar do mundo?

Autor: REV. GLADSTON PEREIRA DA CUNHA


Lista de estudos da série

1. Como Deus resgata você do abismo – Estudo Bíblico sobre a Ovelha Perdida
2. O perigo mortal de não perdoar o próximo – Estudo Bíblico sobre o Credor Incompassivo
3. O amor escandaloso que você não merece – Estudo Bíblico sobre o Filho Pródigo
4. Como o começo pequeno vira um sucesso gigante – Estudo Bíblico sobre o Grão de Mostarda
5. O que vale mais do que toda a sua fortuna – Estudo Bíblico sobre o Tesouro Perdido
6. Por que quem muito deve muito ama – Estudo Bíblico sobre os Dois Devedores
7. Por que sua fé não está dando frutos? – Estudo Bíblico sobre o Semeador
8. O que Deus vai cobrar de você no final – Estudo Bíblico sobre os Talentos
9. A justiça divina que parece injusta aos homens – Estudo Bíblico sobre os Trabalhadores na Vinha
10. Como influenciar o mundo sem ser contaminado – Estudo Bíblico sobre o Sal da Terra
11. Quando a paciência de Deus chega ao limite – Estudo Bíblico sobre a Figueira Estéril
12. O convite urgente que ninguém pode recusar – Estudo Bíblico sobre a Grande Ceia
13. Como não ser pego de surpresa na volta de Cristo – Estudo Bíblico sobre o Servo Vigilante

Semeando Vida

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