As qualificações indispensáveis para o serviço e governo da igreja - Artigo sobre o presbiterato

O serviço prestado por um presbítero ocupa lugar de extrema importância dentro da igreja de Cristo. Ele, juntamente com o pastor, tem a função de pastorear o rebanho de Cristo, bem como administrar a igreja.

Este estudo tem como objetivo deixar claros alguns pontos de fundamental importância a partir das Sagradas Escrituras e da Constituição da Igreja Presbiteriana do Brasil (CI/IPB).

1. A convicção vocacional

O que deve ficar claro é que o ofício do presbiterato não se trata de status dentro de uma comunidade. Pelo contrário: é uma função que, para ser desempenhada com excelência, depende da vocação espiritual (1 Coríntios 12.28).

Nem todos estão aptos para ocupar esse cargo, uma vez que não foram vocacionados por Deus para exercê-lo.

Qualquer pessoa que ocupe um cargo para o qual não foi habilitada por Deus, independente de qual seja ele, certamente resultará em problemas de produtividade (1 Coríntios 12.17-18).

Isso sem contar problemas de relacionamentos que podem surgir decorrentes da falta de compreensão e de execução com excelência do ofício.

Além disso, todo aquele que desempenha um serviço na igreja deve ter a consciência de que será cobrado pelos serviços prestados (Lucas 12.48; Tiago 3.1).

2. O requerimento da Escritura para o ofício

Em 1 Timóteo 3.1-13, Paulo dá importantes instruções a Timóteo para a condução do estabelecimento da liderança na igreja de Éfeso.

2.1. O contexto da Epístola:

a) Dirigida a Timóteo, um jovem pastor da igreja de Éfeso que enfrentava desafios ministeriais;
b) Falsos mestres nutriam extrema sensação de superioridade;
c) Presença de falsos ensinos por parte dos judaizantes no seio da igreja;
d) Perigo de membros da igreja seguirem esses homens.

2.2. O assunto geral da carta: Instruções práticas sobre a ordem eclesiástica e o ministério pastoral junto à igreja.

2.3. O assunto de 1 Timóteo 3.1-13: A orientação sobre o perfil dos oficiais que devem exercer a liderança na igreja.

2.4. O significado de "bispo": No Novo Testamento, é intercambiável com presbítero ou ancião. Significa supervisor ou superintendente. É a pessoa vocacionada para zelar pelo cuidado do rebanho, com funções de pastorear e governar.

2.5. Os requerimentos bíblicos: Para ocupar tal função, é necessário observar:

a) Qualidades morais:

"É necessário, portanto, que o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher, temperante, sóbrio, modesto, hospitaleiro, apto para ensinar; não dado ao vinho, não violento, porém cordato, inimigo de contendas, não avarento." (1 Timóteo 3.2-3)

Tais qualidades demonstram a capacidade de desenvolver relacionamentos saudáveis e de agir com sobriedade na administração da igreja.

b) Bom administrador da família:

"E que governe bem a própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito (pois, se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?)." (1 Timóteo 3.4-5)

A referência imediata para averiguar a maturidade de um candidato ao presbiterato é o seu próprio lar. A estabilidade familiar é um indicador fundamental para a liderança comunitária.

c) Maturidade:

"Não seja neófito, para não suceder que se ensoberbeça e incorra na condenação do diabo." (1 Timóteo 3.6)

Quem é imaturo pode ser seduzido pelo orgulho e cair em descrédito. Além disso, a maturidade é essencial para o discernimento doutrinário e o ensino.

d) Bom testemunho:

"Pelo contrário, é necessário que ele tenha bom testemunho dos de fora, a fim de não cair no opróbrio e no laço do diabo." (1 Timóteo 3.7)

Os oficiais convivem no cotidiano profissional e social com pessoas de fora da comunidade. Por isso, devem desfrutar de boa reputação em todos os ambientes.

Uma igreja que elege pessoas sem as devidas qualificações morais compromete seu testemunho público diante da sociedade.

3. O presbítero como exemplo de membro

O presbítero deve ser exemplo de piedade para os demais membros. Segundo a CI/IPB (Cap. 3, Seção 1ª, Art. 14), são deveres de todos os membros:

a. Viver de acordo com a doutrina e prática da Escritura Sagrada;
b. Honrar e propagar o Evangelho pela vida e pela palavra;
c. Sustentar a Igreja e as suas instituições, moral e financeiramente;
d. Obedecer às autoridades da igreja, enquanto estas permanecerem fiéis às Sagradas Escrituras;
e. Participar dos trabalhos e reuniões da sua igreja, inclusive assembleias.

Além desses deveres fundamentais:

"O presbítero e o diácono devem ser assíduos e pontuais no cumprimento de seus deveres, irrepreensíveis na moral, sãos na fé, prudentes no agir, discretos no falar e exemplos de santidade na vida." (CI/IPB, Art. 55)

4. As funções do presbítero segundo a Constituição da IPB

A Constituição da Igreja Presbiteriana do Brasil estabelece:

"O presbítero regente é o representante imediato do povo, por este eleito e ordenado pelo Conselho, para, juntamente com o pastor, exercer o governo e a disciplina e zelar pelos interesses da igreja a que pertencer, bem como pelos de toda a comunidade, quando para isso eleito ou designado." (Art. 50)

Compete ao presbítero regente (Art. 51):

a. Levar ao conhecimento do Conselho as faltas que não puder corrigir por meio de admoestações particulares;
b. Auxiliar o pastor no trabalho de visitas;
c. Instruir os neófitos, consolar os aflitos e cuidar da infância e da juventude;
d. Orar com os crentes e por eles;
e. Informar o pastor dos casos de doenças e aflições;
f. Distribuir os elementos da Santa Ceia;
g. Tomar parte na ordenação de ministros e oficiais;
h. Representar o Conselho no Presbitério, este no Sínodo e no Supremo Concílio.

O artigo 52 complementa que o presbítero tem autoridade representativa plena nos concílios da Igreja.

Vale ressaltar que os ofícios eclesiásticos são permanentes por vocação, ainda que o seu mandato ativo seja temporário (Art. 25, § 1º).

Conclusão

O presbiterato depende inteiramente da vocação soberana do Espírito Santo, que se manifesta pelos frutos espirituais e pelo serviço abnegado.

O presbítero regente é um cooperador fiel do pastor e servo da comunidade, devendo honrar o chamado com base na fidelidade bíblica e no amor a Cristo.

Autor: Carlos Souza

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