Sermão sobre a Morte e Sepultamento de Sara: A Promessa da Terra (Gênesis 23.1-20)

Gênesis 23.1-20

Uma das características marcantes dessa passagem é o fato de que, com exceção do v. 6, o nome de Deus não aparece.

Por causa disso, o estudioso Walter Brueggemann chegou a fazer a seguinte afirmação: “Talvez a narrativa não reflita nada mais que uma transação comercial [...]. A narrativa não denota nenhuma intenção teológica”.

Contudo, em todo evento é possível visualizar a ação de Deus, bem como a confirmação de sua promessa. Consequentemente, é possível vislumbrar a relação com Jesus.

Tema e objetivo

A inclusão dessa narrativa obedecia a um propósito teológico e pastoral de Moisés. Para compreendermos isso é importante que observemos um dado interessante.

A notícia da morte de Sara e seu sepultamento ocupa apenas 3 versículos (1,2,19). Por outro lado, as negociações de Abraão pela terra totalizam 16 versículos (3-18).

A passagem termina com a afirmação de que Deus confirmou a Abraão seu direito à terra. Obviamente, isso tem um significado na mente do autor. Em Gn 12.1, o Senhor prometeu que daria uma terra para Abraão.

Embora ele tenha chegado à Canaã em Gn 12.5, é em Gn 23.1-20 que a promessa começa seu cumprimento de maneira oficial através da compra de um terreno.

Considerando essas coisas, o tema desenvolvido por Moisés nessa passagem é: “O SENHOR começa a cumprir a sua promessa de terra quando dá a Abraão um campo com um sepulcro por sua posse permanente em Canaã” (GREIDANUS, 1999, p. 248).

Com isso, considerando que o povo estava no deserto e na iminência de entrar na terra, o objetivo de Moisés era: “Assegurar a Israel que ele pode descansar no Senhor, o qual cumprirá a promessa de lhe dar a terra de Canaã” (GREIDANUS, 199, p. 249).

Encontrando Cristo na narrativa

Para conseguir correlacionar essa passagem com Cristo, é necessário que isso seja feito através das seguintes lentes:

1. Progresso na história da redenção

Correlacionamos essa passagem com Cristo através da palavra “terra”. No princípio, o Senhor deu a seguinte ordem para Adão: “Enchei a terra” (Gn 1.28). Depois do dilúvio, Deus repetiu essa ordem a Noé (Gn 9.1).

Em Gn 12.1, Deus promete uma terra para Abraão. Ele começa a cumprir essa promessa através da compra do sepulcro de Sara. Quatrocentos anos depois, Josué recebe toda a terra. Sob o reinado de Salomão a possessão da terra cresce até a fronteira com o Egito (1 Rs 4.21).

No reinado de Jesus, a terra se expande para todo o mundo (Mt 28.19; Tt 2.14). Finalmente, na segunda vinda de Cristo, o povo de Deus receberá um novo planeta – novos céus e nova terra (Ap 21.1).

2. Promessa e cumprimento

Conforme já foi visto, Abraão experimentou o início do cumprimento acerca da terra através da compra da caverna para sepultar sua esposa. Note isso no v. 20 e posteriormente, Israel experimentou o cumprimento dessa promessa.

Jesus, semelhantemente, fez uma promessa acerca da terra no sermão do monte: “Bem aventurados os mansos, porque herdarão a terra” (Mt 5.5). O apóstolo Pedro fala da expectativa a respeito do cumprimento dessa promessa em 2 Pe 3.13.

Logo, o cumprimento da promessa feita por Cristo ainda aguarda o seu cumprimento. Contudo, os eventos do passado a respeito da fidelidade de Deus é para nós a garantia de que da mesma forma a promessa feita pelo Filho se cumprirá integralmente (Jo 14.3; Ap 21.1).

3. Contraste

Embora isso já tenha sido dito anteriormente, é bom ressaltar que não somente Cristo, mas os escritores do NT ampliaram a visão a respeito da terra prometida. Se no AT a terra prometida estava restrita à terra de Canaã, no NT a terra tem proporções cósmicas. Naturalmente, a razão dessa expansão é a pessoa de Cristo (cf. Rm 4.13).

Conclusão

O relato sobre a morte de Sara é muito mais do que simplesmente a narração sobre o drama e a tristeza de Abraão. Esse evento não tem como centro a morte de Sara, antes, seu tema principal é a aquisição de um terreno em Canaã que significava o cumprimento formal da promessa sobre a terra.

Esse episódio aponta para Cristo pois sua promessa acerca da possessão da terra não se restringe ao território de Canaã, antes, se expande para toda a terra. Essa promessa encontrará o seu cumprimento final por ocasião da segunda vinda de Cristo. Em suma, assim como Deus foi fiel no passado, todas as suas promessas em Cristo serão cumpridas integralmente.

Autor: Carlos Souza

Referências Bibliográficas

BÍBLIA DE ESTUDO ALMEIDA, Barueri, Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.

GREIDANUS, Sidney. Pregando Cristo a partir de Gênesis. São Paulo, Cultura Cristã, 1999.

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