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Entendendo o pecado e seus efeitos (1)


É comum ouvimos sobre o pecado. Esse termo, embora muito utilizado, nem sempre é tratado de forma sistemática e esclarecedora. Esta nova série tem como objetivo tratar brevemente do tema, a fim de deixar claro a natureza do pecado e sua dinâmica no homem.


1. Quanto à sua definição. O teólogo Wayne Grudem assim define o pecado: “Pecado é deixar de se conformar à lei moral de Deus, seja em ato, seja em atitude, seja em natureza”. Essa definição fundamenta-se na declaração bíblica feita por João: “Porque o pecado é a transgressão da lei” (1 Jo 3.4). O pecado é, portanto, o ato de deixar de fazer o que Deus ordena e fazer aquilo que Ele proíbe. É uma condição de extrema gravidade, pois é nocivo, traz dor, morte e outras consequências àqueles que o praticam e àqueles que por ele são atingidos. O pecado se opõe ao caráter bom e santo de Deus, e por isso toda transgressão é detestável pelo Senhor.

2. Quanto à sua origem. Alguém pode perguntar de onde surgiu o pecado. Diante de tal questão, o que precisa ficar claro é que forma alguma ele teve origem ou foi de responsabilidade de Deus. Em Dt 32.4, lemos:“Suas obras são perfeitas, porque todos os seus caminhos são juízo; Deus é fidelidade, e não há nele injustiça; é justo e reto”. Tiago escreve: “Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta” (Tg 1.13). Portanto, o pecado não se originou em Deus ou teve a participação Dele. Pelo contrário: quem pecou foi o homem e os anjos, e tanto um quanto o outro agiram voluntariamente. Tiago informa que o homem é tentado unicamente por sua cobiça (Tg 1.14). Foi a própria cobiça que levou o Diabo e os demônios a pecarem e, posteriormente, o homem.

3. Quanto à sua extensão. Quando o homem pecou, não houve uma só parte dele que não tenha sido atingida. O homem é integralmente pecador, de modo que seus pensamentos, suas emoções, sua intelectualidade, sua carne estão inclinados a fazer o mal. A Confissão de Fé, a respeito do pecado de Adão e seus efeitos, declara: “Assim se tornaram mortos em pecado e inteiramente corrompidos em todas as faculdades e partes do corpo e da alma” (5.2) (cf. Rm 3.10-18).

Conclusão. O pecado é uma triste realidade. Ele consiste na transgressão da lei, teve sua origem unicamente no homem e atingiu a totalidade deste. Diante de tal realidade, resta-nos profundo pesar e contínuo quebrantamento.

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Carlos Eduardo Pereira de Souza  é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil. Formou-se em Teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul em 2003 e pela Universidade Presbiteriana Mackenzie em 2012. Mestrado em Divindade com concentração no Novo Testamento pelo Centro de Pós Graduação Andrew Jumper em 2013. Pós-graduando em docência do ensino superior, pela Universidade Paulista.

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