Entendendo o pecado e seus efeitos (5)


Não há como falar de pecado se não refletirmos, ainda que brevemente, sobre uma categoria que causa pavor em muitos crentes - o pecado imperdoável, registrado em Mt 12.31,32, Mc 3.29 e Lc 12.10, que diz respeito à blasfêmia contra o Espírito Santo. O que Jesus quis dizer com isso? É o que pretendemos mostrar.


1. O que não é pecado imperdoável. 
Doutor Leandro Lima lista três circunstâncias em que o pecado não se constitui blasfêmia contra o Espírito. Para ele, negar a Cristo não se configura em pecado imperdoável. Se assim fosse, homens como Paulo não seriam perdoados. 

Ofender o Espírito em si também não é esse pecado. “Apesar de alguém que faz isso pode estar no caminho certo para cometer esse pecado, evidentemente o ato em si de ofender o Espírito não é o pecado imperdoável”. 

Finalmente, o suicídio, por mais que seja sério, não se caracteriza como pecado contra o Espírito Santo. “Se o único pecado que não tem perdão não é o suicídio, então, o mesmo suicídio pode ser perdoado por Deus”.

2. O que é pecado imperdoável. 
Jesus demonstrou ser o messias através de seu ensino, sinais e prodígios; mesmo assim, os fariseus não creram. Eles resistiram ao Espírito (At 7.51). Hebreus 6.4-6 nos ajuda a entender o ensino de Jesus. 

Está escrito: “É impossível, pois, que aqueles que uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus e os poderes do mundo vindouro, e caíram, sim, é impossível outra vez renová-los para arrependimento, visto que, de novo, estão crucificando para si mesmos o Filho de Deus e expondo-o à ignomínia”. 

Esse texto fala de pessoas que frequentaram a igreja, ouviram a palavra e até receberam curas milagrosas, mas saíram e não voltaram mais. São pessoas que não converteram, apesar daquilo que viram e ouviram. 

Diante disso, concluímos que o pecado imperdoável é uma rebeldia “que vai contra todos os fatos, uma indesculpável indisposição contra Deus apesar de tudo o que viu de Deus e ouviu dele” (Lima).

3. A situação do crente. 
Não é possível que o verdadeiro crente cometa tal pecado, visto que é preservado por Deus (Jo 6.37-40,44). Louis Berkhof escreveu: “Podemos estar razoavelmente certos de que os que temem tê-lo cometido, e com isso se afligem, e desejam que os outros orem por eles, não o cometeram”.

Conclusão. 
O pecado imperdoável deve ser compreendido à luz de seu contexto. Nele, fica claro que é uma absoluta e contumaz disposição para resistir a Cristo, mesmo diante de seu ensino e obra. Finalmente, o cristão está protegido por Deus para que não incorra nesse pecado. No Senhor estamos seguros.


ÍNDICE
1- Definição, origem e extensão
2 - A culpa e a natureza pecaminosa
3 - Somos todos pecadores diante de Deus
4 - A questão das crianças e graus de pecado
5 - O pecado imperdoável e a situação do crente

Tecnologia do Blogger.