Tu lhe ferirás o calcanhar


Há uma passagem no velho Testamento, no livro do Gênesis, que é considerado o Proto Evangelho, ou a primeira referência à vinda de um salvador. Está no capítulo 3 versículo 15. 


Depois de o homem ter desobedecido a Deus, Deus chama satanás, então na figura de uma serpente, e diz estas palavras que a tradução da chamada Vulgata Latina registra assim: "inimicitia ponan inter te et mulierem, et semem tuum et semem illius, ipsa conterei caput tuum et tu infidiaberis calcaneo ejus". Inimizade porei entre ti e a mulher e entre a tua semente (semente de satanás) e a sua semente (semente da mulher - o Messias), esta te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar.

Desde então a tentativa de satanás de traiçoeiramente ferir o "calcanhar" do Filho de Deus, para isso servindo-se até mesmo dos religiosos da época de Jesus, como os escribas e os fariseus, quando não diretamente como aconteceu na tentação de Jesus no deserto quando depois de várias tentativas, satanás diz, mostrando todas as glórias deste mundo: "tudo isto te darei, se prostrado, me adorares". 

E a resposta definitiva de Jesus: "afasta-te de mim satanás, pois está escrito; ao Senhor teu Deus adorarás e só a Ele darás culto".

Depois o inimigo muda de estratégia e sob sua inspiração, alguns fariseus procuraram Jesus e lhe disseram: "por que fazeis o que não é lícito fazer no sábado?" E Jesus responde que até do sábado Ele é Senhor.

O evangelista Lucas registra que "saindo dali os escribas e fariseus passaram a argüi-lo com veemência, procurando confundi-lo a respeito de diversos assuntos com o intuito de tirar de suas próprias palavras, motivos para o acusar" (Luc. 11; 53-54).

Na época eram os romanos que governavam a Palestina, os judeus estavam sob o governo de Roma. Concordar com o governo romano era ser contra as leis dos judeus, contrariar as leis romanas, era crime. Os fariseus então tentam colocar Jesus diante de um dilema: "Mestre, é lícito ou não pagar, tributo a César? "

Se Jesus respondesse que sim, seria considerado traidor, pelos judeus, se dissesse que não, seria condenado pelos romanos. Jesus, conhecendo a malícia deles pediu que lhe trouxessem um denário. 

Trouxeram-lhe a moeda. Perguntou aos fariseus - de quem é esta efígie e esta inscrição? De César, responderam, e Jesus então, para mostrar que eles tinham compromissos, não só com o estado, mas também para com Deus, lhes respondeu: então dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.

Trouxeram a Jesus uma mulher apanhada no ato adulterando. Mestre, esta mulher foi apanhada adulterando. Na lei de Moisés está escrito que ela deve ser apedrejada. O senhor o que diz? Se respondesse que não devia ser apedrejada ia contra as leis de Moisés, se ele dissesse que devia ser apedrejada, perguntariam onde estava o amor que ele estava ensinando ao povo. 

Jesus com a maior calma se dirige a eles e diz - aquele que estiver sem pecado pode atirar a primeira pedra. E um a um, examinando-se intimamente, começam a afastar-se, ficando só Jesus e a mulher. Ninguém te condenou, perguntou à mulher. Respondeu esta, ninguém, Senhor. E Jesus então lhe diz -Nem eu te condeno, vai e não peques mais.

Isso tudo explica a afirmação "e tu lhe ferirás o calcanhar".

E a outra afirmação "esta te ferirá a cabeça"? Isso pode ser visto nas palavras de Paulo:

...de sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que sendo em forma de Deus não considerou por usurpação o ser igual a Deus, antes a si mesmo se esvaziou assumindo a forma de servo, a si mesmo se humilhou tornando-se obediente até a morte e morte de cruz, pelo o que também Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que está acima de todo o nome, para que ao nome de Jesus Cristo se dobre todo o joelho, dos que estão nos céus, na terra e debaixo da terra e toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor para a glória de Deus Pai (Filipenses: 2:5-11).
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Samuel Barbosa é pastor jubilado da Igreja Presbiteriana do Brasil. Formou-se em teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul em 1960. Posteriormente graduou-se em Letras, Pedagogia, Supervisão Escolar e Especialização em Língua Portuguesa com produtiva carreira acadêmica. Pastoreou as igrejas presbiterianas de Apiaí, Correias e Itararé entre 1961 e 1962. Foi pastor da Igreja Presbiteriana de Itararé durante 32 anos até sua jubilação. Presidiu o Presbitério de Itapetininga por 22 anos e é pastor emérito das Igrejas Presbiterianas de Itararé e Itaberá. 
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