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Que é o homem mortal?


Esta é a indagação do salmista no salmo oito. Na realidade essa pergunta todo homem já fez a si mesmo. Quem ainda não foi tentado a definir o homem?


Para alguns o homem não passa de um animal a mais entre tantos outros. Geralmente os que pensam assim vivem como animais, pois se não sabem a diferença que há entre os animais, como poderão distinguir sua vida da de qualquer outro animal. 

Contudo há uma preocupação por parte das pessoas responsáveis, na ciência, nas artes, na filosofia e principalmente na religião, em definir o homem ou pelo menos tentar, cada um em seu campo de atividade. 

Assim é que para o sociólogo o homem é o animal que convive, ao contrário dos demais animais que apenas vivem. Essa necessidade de convívio é que aproxima os homens e não meramente o instinto como nos animais inferiores. 

O homem procura a presença do "outro", mas sabe selecionar esse outro dentro de seu próprio padrão de valorização, por isso é que já diziam os latinos pelo gênio de Publilius syrus; -parium cum paribus facilis congregatio est. - A união de iguais é fácil.

Para o filósofo o homem é o animal que pensa e é nisso exatamente que ele difere dos demais animais. O homem pensa e, porque pensa, pode escolher, com responsabilidade, é claro. A frase: - penso, logo existo, define bem a responsabilidade do homem sobre sua existência. Já se disse mesmo que o homem é aquilo que pensa. Se ele pensa bem, ele é bom; se pensa mal é mau.

Para o psicólogo o homem é o animal que sente. Para o poeta o homem é o animal que ama. Neste particular, se o homem ama apenas, sem pensar, quanta coisa errada ele poderá fazer. Inferioriza-se até aos animais inferiores. Pois há foi dito que o homem mata por amor. Isso nem os irracionais fazem.

Para o filólogo o homem é o animal que fala. Se fala é porque pensa, pois a fala nada mais é do que a expressão do pensamento. Mesmo neste particular nem sempre o homem sabe empregar essa capacidade exclusiva dele, de falar. 

Às vezes, ou fala o que não deve ou fala demais, não atendendo ao que sabiamente recomenda o apóstolo Paulo: "procurai viver quietos e tratar dos vossos próprios negócios e trabalhar com vossas próprias mãos...". É preciso muita sabedoria no falar para se falar bem e oportunamente.

Para o teólogo o homem é o animal que adora. Essa é a maior e a mais importante característica do ser humano, pois é através dessa capacidade, de adorar, que ele busca entrar em comunhão com sua fonte de origem. O objeto de adoração pode variar dependendo da cultura e da civilização do indivíduo.

Felizmente somos cristãos e temos a orientação do próprio Deus, através de sua palavra sobre quem devemos adorar.

João, o grande apóstolo do amor, exilado na ilha de Patmos, quando teve a visão de um anjo do Senhor que falava com ele, tentou ajoelhar-se aos pés do anjo para o adorar. O anjo então lhe disse: - não faças tal, adora a Deus. 

Diante da tentativa de Comélio de o adorar o apóstolo Pedro o repreendeu dizendo: Levanta-te que eu também sou homem. A própria virgem Maria, em seu cântico de gratidão diz: - a minha alma engrandece ao Senhor meu Salvador. 

Na tentação no deserto quando satanás insinuou levar Jesus a adorá-lo, recebeu dele esta declaração: vai-te satanás, porque está escrito: o Senhor teu Deus adorarás e só a Ele servirás. O próprio Deus ao ditar os dez mandamentos começa dizendo: - Eu sou o Senhor teu Deus que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão, não terás outros deuses diante de mim. 

É isso mesmo, caro leitor, você é um animal que adora? Lembre-se de que Deus é exclusivista na adoração que IhE devemos. Ele não admite concorrentes: - Não terás outros deuses diante de mim.

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Samuel Barbosa é pastor jubilado da Igreja Presbiteriana do Brasil. Formou-se em teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul em 1960. Posteriormente graduou-se em Letras, Pedagogia, Supervisão Escolar e Especialização em Língua Portuguesa com produtiva carreira acadêmica. Pastoreou as igrejas presbiterianas de Apiaí, Correias e Itararé entre 1961 e 1962. Foi pastor da Igreja Presbiteriana de Itararé durante 32 anos até sua jubilação. Presidiu o Presbitério de Itapetininga por 22 anos e é pastor emérito das Igrejas Presbiterianas de Itararé e Itaberá. 
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