A pregação


Na reflexão passada afirmamos que essa seção da carta aos Efésios aborda três aspectos relacionados à obra de redenção de Deus, são eles: o pregador, a pregação e a igreja. Na meditação anterior refletimos sobre as questões relacionadas ao pregador. 

Segundo o que vimos, seu trabalho deve ser desenvolvido pelo amor aos santos, além disso, o ministério da palavra está fundamentado na graça e, finalmente, o êxito do trabalho do pregador não está em sua oratória, mas no poder de Deus. Hoje falaremos de outro aspecto referente à redenção, a saber, a pregação. 

Vejamos:


1. Seu conteúdo contém um mistério (vv. 3-5).
“...pois, segundo uma revelação, me foi dado conhecer o mistério, conforme escrevi há pouco, resumidamente; pelo que, quando ledes, podeis compreender o meu discernimento do mistério de Cristo, o qual, em outras gerações, não foi dado a conhecer aos filhos dos homens, como, agora, foi revelado aos seus santos apóstolos e profetas, no Espírito.”

A pregação da igreja é constituída de um mistério. Um tipo de mistério que somente foi revelado por meio da manifestação do Espírito. Um tipo de mistério que nem mesmo foi revelado aos profetas do AT. 

Esse mistério foi revelado aos apóstolos, pregado por eles e continua sendo proclamado pela igreja nos dias de hoje.

2. Seu conteúdo é a revelação desse mistério (v. 6). 
“...a saber, que os gentios são co-herdeiros, membros do mesmo corpo e co-participantes da promessa em Cristo Jesus por meio do evangelho”.

Esse versículo demonstra que esse mistério que até então estava oculto se refere à união de campos que estavam opostos entre si; a saber, judeus e gentios. Jamais um judeu poderia admitir que a graça de Deus poderia ser estendida também aos gentios na mesma medida.

Embora os profetas anunciassem a vinda do Messias, algumas poucas vezes o AT falou de um novo organismo. Esse novo organismo é a igreja, constituída de gentios e judeus.

Os gentios, agora, são co-herdeiros, ou seja, são participantes juntamente com os judeus das mesmas graças, da mesma salvação, da mesma redenção prometida aos judeus. Esse foi o grande mistério revelado aos apóstolos pelo Espírito.

3. A pregação consiste no anúncio do evangelho da insondáveis riquezas de Cristo (v. 8).
“A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça de pregar aos gentios o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo.”

A pregação da igreja nada mais é do que o anúncio do evangelho. Esse evangelho por sua vez revela as insondáveis riquezas de Cristo. Isso quer dizer que as riquezas de Cristo não podem ser medidas, não podem ser calculadas. 

Os limites de suas riquezas não podem ser vistos, simplesmente porque suas riquezas são eternas. O amor de Cristo não pode medido. Seu poder não pode ser compreendido. Sua graça não pode ser anulada. É essa a mensagem de seu Evangelho.

Conclusão
A pregação tem um caráter decisivo na salvação e na inclusão de novos súditos no reino de Deus. De acordo com Paulo, a pregação é o anúncio de um mistério, bem como contém a revelação desse mistério. Além disso, a pregação anuncia as insondáveis riquezas de Jesus. Que a graça nos habilite para a compreensão e aplicação disso em nossas vidas. 

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Carlos Eduardo Pereira de Souza  é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil. Formou-se em Teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul em 2003 e pela Universidade Presbiteriana Mackenzie em 2012. Possui Mestrado em Divindade com concentração no Novo Testamento pelo Centro de Pós Graduação Andrew Jumper em 2013.

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