Na carta aos Efésios, o apóstolo Paulo aborda questões de grande relevância envolvendo o plano de Deus na redenção de pecadores e a sublime vocação da igreja de Cristo.
Vejamos o que as Escrituras revelam sobre a igreja:
1. É aquela que exibe a sabedoria de Deus (v. 10)
“Para que, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida, agora, dos principados e potestades nos lugares celestiais.”
Paulo ensina que o conteúdo do evangelho é um mistério que nem mesmo os profetas do Antigo Testamento puderam discernir plenamente: a reunião de judeus e gentios em um só corpo, participantes das mesmas promessas de salvação.
Agora, o apóstolo vai além. Ele deixa claro que a igreja é instrumento de revelação da sabedoria de Deus — sabedoria esta que não havia nem mesmo sido revelada aos anjos. A igreja, no pensamento paulino, é a manifestação da própria sabedoria divina.
E que sabedoria é essa? Hendriksen explica que a sabedoria de Deus é a reconciliação de aparências irreconciliáveis. Isto é, Deus, segundo o seu plano redentor, transformou opositores (judeus e gentios) em irmãos e os constituiu em um só corpo.
E a igreja, como manifestação dessa sabedoria, é alvo de admiração dos anjos. Calvino, a respeito disso, faz uma importante declaração: “A igreja, constituída de judeus e gentios, é um espelho no qual os anjos contemplam a admirável sabedoria de Deus manifestada de uma maneira até então desconhecida por eles. Eles veem uma obra que é nova aos seus olhos.”
O apóstolo Pedro também fala disso ao mencionar que os anjos se inclinam para contemplar a obra de Deus na redenção, escrevendo: “coisas essas que anjos anelam perscrutar”. Hendriksen reafirma que a igreja é o objeto do profundo interesse dos anjos.
2. É a revelação do eterno propósito de Deus (v. 11)
“Segundo o eterno propósito que estabeleceu em Cristo Jesus, nosso Senhor.”
Aqui Paulo deixa claro que essa sabedoria está ligada diretamente à obra de redenção de Cristo, através da qual Ele salvou os pecadores e os reuniu em um só corpo — a igreja.
Essa redenção, desde os tempos eternos, faz parte dos planos de Deus. A igreja, portanto, não é produto simplesmente da vontade humana, mas, acima de todas as coisas, do plano eterno de Deus.
Com base no texto bíblico, compreendemos que o desígnio de Deus para a igreja é também torná-la um testemunho vivo para que o mundo celestial contemple a maravilhosa sabedoria do Criador.
3. É aquela que tem acesso a Deus com ousadia e confiança mediante a fé (v. 12)
“...pelo qual temos ousadia e acesso com confiança, mediante a fé nele.”
Os sentidos das palavras “ousadia” e “acesso” são profundamente significativos. A tradução literal do termo “ousadia” remete à liberdade de “dizer tudo”. A palavra “acesso” significa a liberdade de aproximação ao Pai, na certeza de que todos nós fomos acolhidos.
Com isso, o que Paulo ensina é que a igreja pode e deve aproximar-se de Deus pela fé em Cristo, apresentando todos os seus anseios e rogando o Seu auxílio em todas as dificuldades.
A igreja é um organismo vivo que, por meio da fé, pode se achegar a Deus de forma absolutamente livre e destituída de todo medo. Isso tudo graças à obra perfeita de Cristo.
Conclusão
A igreja faz parte do glorioso plano de redenção de Deus. Segundo Paulo, ela exibe a multiforme sabedoria divina e cumpre o propósito eterno estabelecido em Cristo Jesus. Por meio d’Ele, temos livre acesso ao Criador de todas as coisas.
Creiamos nessas verdades, usufruamos desses privilégios e assumamos a nossa responsabilidade como um povo redimido e livre da escravidão do pecado.
Autor: Carlos Souza