Vandalismo


Arbustos arrancados, lâmpadas quebradas, paredes pichadas, carros riscados, cadeados inutilizados... O que é isso? Vandalismo. É um novo "Mal do século". É geral. Em todas as cidades por onde a gente passa vê os estragos dessa praga daninha que está atacando a nossa juventude, principalmente a ociosa, desiludida e frustrada.


Vandalismo é problema de educação. Só para introduzir o assunto, eu perguntaria aos pais, a todos os pais, quantas vezes conversaram com os filhos pequeninos e disseram a eles que devem respeitar o bem alheio? A raciocinarem com inteligência e superioridade, não deixando os dissabores da vida influírem na sua maneira de ser e de agir? 

O que se vê, em muitos lares, é exatamente o contrário - um costume aparentemente inocente, mas de graves consequências a longo prazo. Uma criança sai engatinhando sem rumo, e bate com a cabeça na perna da mesa. Começa a chorar. 

Então a mãe, o que faz? Tenta consolar a criança batendo no móvel para que a criança veja que já foi "vingada" (olho por olho e dente por dente). Isso é desumano, anticristão.

Lá, bem no fundinho da alma da criança, bem escondidinho, foi plantada a semente do sentimento de vingança que, se encontrar ambiente favorável, vai germinar e produzir mais um vândalo, que não vai aceitar ser ferido pela vida sem revidar. Esse revide muitas vezes se manifesta no menosprezo pela propriedade alheia, depredação e destruição desses bens.

No lar começa a firmar-se o cidadão respeitável e respeitador das leis ou o personalista, egoísta para quem a pessoa mais importante no mundo é a sua própria pessoa. Depois esse indivíduo vai para a escola e o papel da educadora da escola encontra sérias barreiras, quase insuperáveis, nos desvios trazidos do lar. Então o papel da escola se restringe quase que exclusivamente, a informar quando o seu papel é também e, principalmente formar.


A escola procura dentro de suas limitações, ajudar a formação do aluno, principalmente da criança e do adolescente ensinando-os a usar bem a sua mente, a sua inteligência.

Às vezes para formar uma mentalidade nova na escola é preciso destruir muita coisa errada plantada na mente da criança no próprio lar. A própria sociedade se encarrega de ajudar a criança a desenvolver seus pendores negativos. Uma vez que os positivos pouco incentivo encontram na sociedade atual, cheia de vícios que vão de cigarros a entorpecentes.

Pode-se perceber a grande responsabilidade dos pais no combate ao vandalismo, principal assunto desta crônica. Quando acontece um ato desses, será que é somente quem praticou que deve ser punido? Ou também os responsáveis por sua educação?

Não importa se os que já se formaram nos caminhos do vandalismo não possam ser consertados. O importante é começar agora a orientar bem os nossos filhos para que o mundo que lhe vamos dar, seja um mundo livre do terror da destruição. É preparando a criança, tornando-a responsável que podemos preparar um mundo melhor do que o nosso mundo atual para ela quando for adulta.

Ninguém vai querer um mundo igual ao nosso atual para o filho! Todos estamos aqui para melhorar, nunca para piorar.

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Samuel Barbosa é pastor jubilado da Igreja Presbiteriana do Brasil. Formou-se em teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul em 1960. Posteriormente graduou-se em Letras, Pedagogia, Supervisão Escolar e Especialização em Língua Portuguesa com produtiva carreira acadêmica. Pastoreou as igrejas presbiterianas de Apiaí, Correias e Itararé entre 1961 e 1962. Foi pastor da Igreja Presbiteriana de Itararé durante 32 anos até sua jubilação. Presidiu o Presbitério de Itapetininga por 22 anos e é pastor emérito das Igrejas Presbiterianas de Itararé e Itaberá. 
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