Trigo Milagroso


"A colheita fora muito boa. O bom tempo ajudara o labor dos dois irmãos. Um casado vivia com a família numa boa casa. O outro solteiro tinha sua pequena casa ali ao lado. A divisão da abençoada colheita obedeceu a regra do meio-a-meio: em partes iguais. 


Cada um recolheu sua metade em seu celeiro. Alegres despediram-se para o repouso da noite. O travesseiro enquanto o sono não chega, abre possibilidade à meditação, como que dialogando conosco. E o irmão solteiro pensou: - meu irmão é casado, tem dois filhos e esposa... naturalmente sua necessidade é maior do que a minha... Levantou-se, foi ao celeiro, encheu um saco de trigo e sorridente foi despejá-lo no monte de trigo do irmão. Sente-se alegre.

O casado mal se deitou, conversou com a esposa e ambos concluíram que o solteiro havia trabalhado mais, livre que estava de compromissos caseiros e familiares, e mais ainda, precisava preparar-se para formar família. 

Logo o esposo deixava o leito, ia ao celeiro, enchia um saco de trigo e despejava no monte de trigo do irmão. Isso deixou o casal mais feliz. Por várias noites o gesto foi repetido. Cada um se sentia bem pelo que fazia e ficava admirado pelo fato de seu monte não diminuir!


Montes milagrosos? Ou seria o trigo que crescia? Uma noite veio o encontro: os horários coincidiram. A meio caminho ambos com um saco de trigo às costa, deram de frente um com o outro. Abraçaram-se. Reuniram os montes de trigo num monte só. O amor fraternal ainda é capaz de maravilhosos milagres."

Este conto foi transcrito na integra da revista Ultimato e é de autoria do Rev. Amantino Adorno Vassão. Fala-se muito em desagregação da família, em conflito de gerações, em incompreensões no lar. 

Tudo isso acontece exatamente porque falta o verdadeiro amor fraternal. O amor que leva o irmão a pensar mais no seu irmão. O amor que leva as pessoas a desejarem o bem também para o outro e não só para si. O verdadeiro amor faz milagres. Se houvesse mais amor praticado haveria menos necessidade de justiça aplicada pelos tribunais.

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Samuel Barbosa é pastor jubilado da Igreja Presbiteriana do Brasil. Formou-se em teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul em 1960. Posteriormente graduou-se em Letras, Pedagogia, Supervisão Escolar e Especialização em Língua Portuguesa com produtiva carreira acadêmica. Pastoreou as igrejas presbiterianas de Apiaí, Correias e Itararé entre 1961 e 1962. Foi pastor da Igreja Presbiteriana de Itararé durante 32 anos até sua jubilação. Presidiu o Presbitério de Itapetininga por 22 anos e é pastor emérito das Igrejas Presbiterianas de Itararé e Itaberá. 
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