O perigo absurdo de valorizar a embalagem e desprezar o presente - Reflexão bíblica sobre prioridades

Pessoa decepcionada com presente ilustrando a inversão de prioridades e valores

Uma moça recebeu de seu noivo um anel de brilhantes como presente de aniversário. Apanhou o estojo de veludo vermelho com muito carinho, abriu, tirou de dentro o anel, colocou-o sobre a mesa e exclamou: “Que estojo maravilhoso, vou guardá-lo para sempre como lembrança!” 

O anel ficou de lado, quase esquecido.

Em outra situação, um fazendeiro foi procurado por um corretor de seguros que lhe propôs fazer uma apólice para um touro de raça que ele possuía.

Tanto argumentou o corretor, como só eles sabem fazer, que convenceu o fazendeiro a fazer um seguro de vida para o touro na importância de um milhão de reais.

Depois de garantido esse contrato, o corretor tentou uma nova jogada. Perguntou ao fazendeiro se ele não queria fazer um seguro de vida também para si mesmo:

— Olhe que o mesmo risco que corre o touro de morrer, o senhor também corre.

Tanto argumentou que conseguiu convencer o fazendeiro a fazer um seguro também para si. Fez um seguro para sua própria vida na importância de cem mil reais.

A ilusão de trocar o essencial pelo acidental

No primeiro caso temos o acidental: o estojo recebido com carinho e guardado com mais carinho ainda. O essencial, que era o anel, foi largado sem consideração.

No segundo caso temos o touro segurado em um milhão de reais, enquanto o fazendeiro, dono do animal, foi segurado por cem mil reais — um décimo do valor do touro. O dono valendo menos do que a propriedade!

Jesus já sabia dessa capacidade humana de superestimar o acidental em detrimento do essencial, de tal modo que Ele aconselha o ser humano a não viver ansioso quanto à vida, pelo que há de comer ou vestir.

Ele pergunta: não é a vida mais do que o alimento e o corpo mais do que as vestes? No caso, a vida e o corpo são o essencial; o alimento e o vestuário são o acidental.

Aprendendo a definir o que realmente importa

O problema de muita gente é não saber conceituar corretamente o essencial e o acidental, muitas vezes invertendo os valores. O essencial é independente do acidental, ao passo que o acidental só existe em função do essencial.

Por exemplo: a pessoa é o essencial, o nome da pessoa é acidental. Só se escolhe um nome quando há uma pessoa para recebê-lo. Nenhum casal encomenda um filho só porque escolheu um nome; a escolha do nome começa a partir do momento em que se pressupõe a existência da criança.

Se houvesse uma compreensão correta do essencial e do acidental, a vida seria mais bem vivida e muitos males seriam evitados.

Haveria mais saúde, pois as pessoas evitariam os vícios que só atendem a valores acidentais — o prazer fugaz. Aproveitariam melhor a noite para o descanso e o sono, em substituição às noites em claro pelo simples prazer de momentos passageiros.

Nós somos uma unidade psicossomática, corpo e alma, mas podemos dizer que a alma é o essencial e o corpo é o acidental.

Tanto isso é verdade que, vencida a peregrinação neste mundo, a alma deixa este corpo que volta à terra, mas a alma volta à sua fonte de origem, que é Deus:

“... e o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu.” (Eclesiastes 12:7)

Autor: Samuel Barbosa

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