Problemas financeiros


Certa vez Jesus foi procurado por um homem que lhe disse: "Mestre mande que meu irmão reparta comigo a herança." (Lucas 12.13). Jesus então explicou que não era seu papel o de repartidor entre os homens e disse que a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que possui.

Contou então, como sempre fazia, uma parábola dizendo que a fazenda de um homem produziu tanto que o homem não tinha onde colocar sua colheita, chegou mesmo a perguntar-se - que farei?


Eis aí dois problemas. O primeiro porque não tinha dinheiro - mande que meu irmão reparta comigo a herança. O segundo porque tinha dinheiro demais - que farei?

Alguém já observou que o ponto comum que existe entre o rico e o pobre é que ambos só pensam no dinheiro. O senhor José Silveira ganhou quatorze milhões na loteria esportiva. Será que ele sabe exatamente o que isso significa? Quanto isso representa? Eu, particularmente não consigo ter ideia exata desse "tutu" todo. 

Lembrei-me até do homem que era perito em contar bois numa boiada, ele nunca errava, podiam ser milhares os bois. Quando perguntaram a ele como ele tinha tanta facilidade para contar os bois, ele explicou: é fácil eu conto os chifres e divido por dois. Mas deixemos de ginástica mental.

O que será que o José vai fazer com tanto dinheiro? É o caso de se perguntar como o poeta: e agora, José? Eu não sei se ele também está se perguntando - que farei? Mas gostaria de lhe dar uma sugestão, a título de ajuda (quem sou eu para ajudar quem tem quatorze milhões?) lembrando-lhe um apólogo narrado por Humberto de Campos em um de seus livros. 

Um homem fez um trato com o diabo. O diabo lhe daria dinheiro todo dia e lhe levaria a alma no dia em que o homem não pudesse gastar todo dinheiro recebido, até a meia noite. Tanto dinheiro recebeu, tanto dinheiro gastou que se cansou.

Vencido procurou o diabo e disse: "senhor diabo (não sei porque o chamou "senhor"), aqui tem a minha alma. Não consegui gastar todo dinheiro que recebi durante o dia, não tinha mais onde gastar, já tenho tudo e muito mais. Então o diabo olhou bem dentro dos olhos do infeliz e perguntou: "Você nunca ouviu falar em caridade"?

É isso. Ninguém precisa ter problema com excesso de dinheiro. Não há melhor maneira de sair do anonimato do que mantendo uma instituição de caridade, à infanda ou à velhice. Porque o fato de ter muito dinheiro, por si só não tira ninguém do anonimato. Daqui a algum tempo não se ouvirá mais falar no José, como não se houve falar mais nos outros novos ricos feitos pela loteria esportiva.

Se o rico insensato, da parábola que Jesus contou, tivesse olhado ao seu redor, iria descobrir muitas despensas vazias na casa de seus vizinhos, dos seus próprios empregados. Lugar onde recolher sua colheita, é que não faltava mesmo.

Jesus disse certa vez: "Por isso eu digo a vocês: usem as riquezas deste mundo para conseguir amigos a fim de que, quando as riquezas faltarem, eles recebam vocês no lar eterno." - Lucas 16.9 (NTLH)

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Samuel Barbosa é pastor jubilado da Igreja Presbiteriana do Brasil. Formou-se em teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul em 1960. Posteriormente graduou-se em Letras, Pedagogia, Supervisão Escolar e Especialização em Língua Portuguesa com produtiva carreira acadêmica. Pastoreou as igrejas presbiterianas de Apiaí, Correias e Itararé entre 1961 e 1962. Foi pastor da Igreja Presbiteriana de Itararé durante 32 anos até sua jubilação. Presidiu o Presbitério de Itapetininga por 22 anos e é pastor emérito das Igrejas Presbiterianas de Itararé e Itaberá. 
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