O que o homem tem feito ao meio ambiente


Há um movimento no mundo inteiro para tentar redimir a natureza dos estragos que o homem - animal racional, inteligente (imagine se não fosse) tem causado ao meio ambiente.

Até uma ciência foi criada para esse mister - a Ecologia, que significa literalmente estudo da casa e, por analogia, estudo do meio ambiente. Uns homens estragam, outros tentam consertar. Uns têm consciência da necessidade de se preservar o ambiente contra a poluição, outros nem ligam para isso.


Lembro-me do que aconteceu em uma excursão. Um senhor, muito responsável, pediu a todos os passageiros do ônibus que colocassem qualquer tipo de lixo num saco plástico que ele levou especialmente para isso, para evitar jogar detritos pela janela do ônibus na estrada. 

No meio da viagem, mais ou menos, o saco já estava cheio de lixo. Então o ecológico senhor dirigiu-se ao motorista, explicou a intenção e a finalidade daquele saco de lixo e entregou o saco ao motorista para que ele desse o destino adequado àquele lixo na próxima parada. 

O motorista apanhou o saco de lixo, abriu a janela e despejou todo o conteúdo pela janela, no asfalto. Até hoje o homem está revoltado com a insensibilidade do motorista.

Conheço uma poesia que diz: 

As grutas, as rochas imensas
dos mundos o grande esplendor
proclamam bem alto constantes
um hino de glória ao Senhor

Na sua aparente insensibilidade as obras brutas da natureza, mas menos brutas do que o homem, estão constantemente glorificando o Senhor da natureza. A poesia continua: 

No céu as estrelas brilhantesdos mares o grande fragore as brisas entoam ridentesum hino ao teu nome, Senhor

Ela, a natureza, faz essa glorificação com alegria; não por necessidade, mas por prazer, o adjetivo "ridente" indica isso. Continua o poeta: 

as aves alegres na mata
por entre as ramagens em flor
exultam em coro cantando
um hino de glória ao Senho
r

A locução "em coro" indica que não é uma atitude isolada, mas todos cantam como um coral, com alegria, a glorificação do Senhor da natureza. Então o poeta lança um desafio ao homem, ao racional, ao rei da criação, mas que apesar de todos esses títulos continua a devastar, a poluir, a estragar a magnífica obra de Deus. 

E tu, pecador que vagueias
que fazes ao teu criador?
Não achas momento em que cantes
um hino de glória ao Senhor

E o estribilho é uma joia de sensibilidade, verdade e beleza:

Nos céus e no mar e na terra
nos bosques, nos prados em flor
no fragoso alcantil
na amplitude celeste
um hino ressoa ao Senhor
.

Quando a gente começa a pensar no que a ganância do homem tem feito ao meio ambiente, estragando este belo mundo criado por Deus e dado pelo próprio Deus aos homens - o salmista diz: "Os céus são os céus do Senhor, mas a terra deu-a Ele aos filhos dos homens", Salmo 115:16 - a gente começa a ter dó dos netos e bisnetos que terão que consertar o mundo se quiserem sobreviver.

Por que então o homem não decide entrar no coral da natureza, e fazer de sua vida, de sua participação neste mundo também um hino de glória ao Senhor? Nossos descendentes agradecerão por terem um mundo melhor do que este em que estamos vivendo!

Nada está totalmente perdido. E só o homem parar para pensar e tomar uma outra direção na vida. Já diziam os antigos latinos: "haud errat tota qui redit media via". (Não se perde completamente quem volta do meio do caminho).

Caro leitor, se você parar no meio do caminho e voltar atrás, não importa que tenha errado até agora, você não estará errando totalmente.

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Samuel Barbosa é pastor jubilado da Igreja Presbiteriana do Brasil. Formou-se em teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul em 1960. Posteriormente graduou-se em Letras, Pedagogia, Supervisão Escolar e Especialização em Língua Portuguesa com produtiva carreira acadêmica. Pastoreou as igrejas presbiterianas de Apiaí, Correias e Itararé entre 1961 e 1962. Foi pastor da Igreja Presbiteriana de Itararé durante 32 anos até sua jubilação. Presidiu o Presbitério de Itapetininga por 22 anos e é pastor emérito das Igrejas Presbiterianas de Itararé e Itaberá. 
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