Que farei da minha vida?


Seria bom que todos se fizessem essa pergunta. Uma sugestão: faça da sua vida um exemplo a ser seguido pelo seu filho.


Tudo que passa pela mente deixa rastros que podem ser luminosos ou de lama. As nossas atitudes não passam despercebidas pelos nossos filhos, que veem em nós um exemplo a justificar os seus atos, sejam bons sejam maus.

Na sociedade atual onde há tanta liberdade, ninguém pode evitar ter um filho viciado, mas todos devem lutar para que o vício não tenha sido adquirido em casa, aprendido com o pai ou com a mãe, o que é muito pior.

Que autoridade tem um pai com o hálito tresandando ao álcool ou ao fumo, para aconselhar o filho a não beber ou não fumar? Se o vício é bom para o pai, por que não é bom para o filho também? - raciocinará o inteligente filho!

Há tempo esteve no Brasil um cientista americano famoso fazendo conferências sobre "dependência do viciado". Uma fotografia nos jornais mostrava o conferencista com um charuto na mão direita e um copo de uísque na mão esquerda. Não precisava dizer nada. Ele era a ilustração viva, de um dependente.

O mundo está cheio de pais tentando impedir os filhos de praticarem os mesmos males que eles praticam de maneira tão servil e dos quais não conseguem se livrar. 

Um bom exemplo exige abnegação e renúncia. Mas qual a boa coisa que não exige? Se o bom exemplo para o seu filho exige abnegação e renúncia de sua parte, vale a pena, pois o filho vale muito mais que o efêmero e enganador momento de prazer que o vício lhe proporciona. Viva de tal modo que não seja você o responsável pelos descaminhos do seu filho. 

Uma vez um moço foi preso por furto. Ao depor perante o juiz, disse que quem deveria estar em seu lugar era sua mãe, pois um dia, quando menino ainda, ele apanhou um ovo de galinha no quintal do vizinho. Levou-o para casa, entregou-o à mãe e ouviu dela a maldosa insinuação: se você voltar, todos os dias, nesta mesma hora, você vai encontrar outros ovos. 

Concluiu o moço dizendo que se a mãe lhe tivesse cortado a mão, naquela primeira vez, ele não seria mais infeliz, pois seria um aleijado honesto. Pois o aleijado da alma é pior do que o aleijado do corpo. A atitude dessa mãe deixou rastros de lama na mente e na personalidade de seu filho A propósito, ocorre-me o soneto de Djalma Andrade:

MEU FILHO
O meu filho, que é doce, que é inocente 
Quando comigo sai, luz que fascina! 
Põe seus claros pezinhos brandamente 
Nas marcas dos meus pés na areia fina

Ele segue-me os passos inocente, 
Mas uma estranha angústia me domina, 
E calcando meus pés mais firmemente 
Meu coração aos poucos se ilumina.

Sem saber, tu me obrigas, filho amado
A procurar a rota mais segura,
A ter firmeza a cada passo dado.

Nunca dirás - que horror n’alma me vai - 
Que te perdeste numa estrada escura 
Por seguires os passos de teu pai.


Aí esta, caro leitor, mais uma sugestão. Faça de sua vida um exemplo de tal sorte que ela deixe na mente e na personalidade de seu filho, um rastro luminoso a nortear-lhe o caminho da vida.

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Samuel Barbosa é pastor jubilado da Igreja Presbiteriana do Brasil. Formou-se em teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul em 1960. Posteriormente graduou-se em Letras, Pedagogia, Supervisão Escolar e Especialização em Língua Portuguesa com produtiva carreira acadêmica. Pastoreou as igrejas presbiterianas de Apiaí, Correias e Itararé entre 1961 e 1962. Foi pastor da Igreja Presbiteriana de Itararé durante 32 anos até sua jubilação. Presidiu o Presbitério de Itapetininga por 22 anos e é pastor emérito das Igrejas Presbiterianas de Itararé e Itaberá. 
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