Liberdade



Era um desses lampiões de manga de vidro ovalada, transparente para melhor deixar passar a luz. Logo que acenderam a mecha, a chama começou a lamentar-se da sorte:

- Não é possível esta vida de escravidão. Vivo aqui limitada por esta manga de vidro, não posso me expandir, sair destes limites; não posso ao menos ser como eu gostaria de ser, nem viver como gostaria de viver, solta, livre, senhora de meu nariz (se é que chama tem nariz!). Libertem-me desta droga de manga. Devolvam-me a liberdade! 


Alguém que passava por ali e que tinha a virtude de ouvir e entender chamas, argumentou com ela que não era conveniente para uma chama viver sem a proteção de uma manga de vidro. 

Mas tanto insistiu a chama que não houve remédio se não atender o seu pedido. Tiraram a manga para dar liberdade à chama. Veio uma lufada mais forte de vento e a chama se apagou. O que julgava ser sua liberdade foi a sua perdição. 

Há muita gente confundindo medidas de segurança com prisão. As leis são medidas de proteção, de segurança do indivíduo, no entanto muita gente desrespeita as leis, sem saber que infração da lei é que é a prisão! Quantos moços há que vivem a lamentar a "prisão" em que vivem em casa sob a orientação dos pais. Lutam por se livrar dessa prisão e, quando conseguem põem em risco a própria vida. 

Perguntem a um viciado, a um maconheiro se ele se tornou nisso que ele é com a permissão dos pais. Perguntem a uma jovem libertina se ela se tornou nisso que ela é com a permissão dos pais. Dirão que não. Dirão que se tornaram assim porque não aceitavam a educação rígida e "aprisionante" de casa. Desejaram se libertar e agora estão se apagando com a chama da ilustração. 

É fácil de se perceber quanto de vida está perdendo um jovem viciado. Deixa de raciocinar, isto é desumaniza-se, perde a dignidade e a compostura. Quis a liberdade e não percebe que está morrendo física, moral e espiritualmente. 

Uma jovem para fugir da "prisão" em que vive em casa entrega-se ao amor- livre, moderninho, sem perceber que está preparando um futuro infeliz, onde até o suicídio tem sido a solução. 

Um indivíduo que um dia achou que a religião é uma espécie de prisão, e a abandonou para ter mais liberdade, não percebeu que a religião, o sentimento religioso cristão, era exatamente o elemento que lhe dava estabilidade emocional e a razão de viver! 

Seja um jovem consciente. Não confunda essas medidas de segurança que a família ou a sociedade lhe impõe, com prisão, com cerceamento de liberdade. São exatamente essas medidas que lhe garantirão a existência como ser humano, na plenitude de sua dignidade e responsabilidade. 

Há muita gente que, mal informada, acha que o evangelho, o cristianismo é a religião das proibições. Não é nada disso. O cristianismo é a religião do esclarecimento. O evangelho não proíbe, ensina a fazer opções, ensina o homem a fazer escolhas acertadas, a tomar decisões acertadas. Todo sucesso humano é produto de decisões acertadas. É exatamente isso que o evangelho faz.

Paulo, apóstolo, diz que todas as coisas nos são lícitas, mas nem todas as coisas nos convêm. Todas as coisas são lícitas ao cristão, mas ele não se deixa dominar por que lhe enfraquecem o caráter e que lhe roubam a dignidade. O cristão, como o homem maduro, é aquele que sabe o que quer e que só quer o que é bom. 

A verdadeira liberdade é justamente aquela que nos possibilita viver plenamente e viver é respeitar as leis da sobrevivência, entre as quais ocupam lugar de destaque, as leis do evangelho, as leis de Cristo. Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará, disse o Senhor Jesus. 

Ele diz mais: se o Filho vos libertar verdadeiramente sereis livres. Com esses pensamentos de Jesus Cristo é fácil formarmos um silogismo de conclusão lógica. Jesus diz: eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ele diz conhecereis a verdade e a verdade voz libertará. Ele diz: se o Filho vos libertar sereis realmente livres. Jesus é o Filho de Deus. Jesus é a Verdade. Se o aceitarmos como Senhor da Vida, estaremos conhecendo a Verdade no Filho e nos tornando livres para fazermos o bem. 

Quem pensa que é livre para praticar o mal, é escravo do pecado. Só é livre aquele que sob a orientação de Jesus Cristo, aprende a fazer o bem, pois esta é a verdadeira liberdade.

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Samuel Barbosa é pastor jubilado da Igreja Presbiteriana do Brasil. Formou-se em teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul em 1960. Posteriormente graduou-se em Letras, Pedagogia, Supervisão Escolar e Especialização em Língua Portuguesa com produtiva carreira acadêmica. Pastoreou as igrejas presbiterianas de Apiaí, Correias e Itararé entre 1961 e 1962. Foi pastor da Igreja Presbiteriana de Itararé durante 32 anos até sua jubilação. Presidiu o Presbitério de Itapetininga por 22 anos e é pastor emérito das Igrejas Presbiterianas de Itararé e Itaberá. 
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