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"Para nooossa alegria" e a banalização do que é sacro



“O louvor, e a glória, e a sabedoria, e as ações de graças, e a honra, e o poder, e a força sejam ao nosso Deus, pelos séculos dos séculos. Amém!” – Apocalipse 7.12 

No início de 2012 surgia na internet um engraçado vídeo de uma família entoando a antiga canção “Nos galhos secos”, que falava a repeito do cuidado do Deus criador. Na altura, o coro vociferado pelo jovem caiu no gosto popular: “PARA NOOOOSSA ALEGRIA”. 

A princípio rimos e recebemos positivamente esse novo “humor gospel”. A família ganhou atenção da mídia, dinheiro e até puderam ter um salão de beleza doado por um programa de TV. Mas o tempo passou. Os 15 minutos de fama acabaram. E apesar da família ter saído no lucro, creio que para o Reino de Deus em geral o resultado foi negativo. 


Assistimos pasmos a uma avalanche de blasfêmias e escárnios ao nome de Deus.  Humoristas da MTV (adeptos desta nova geração que reproduz baixarias), interpretaram a música acrescentando diversos palavrões. Era ofensivo ouvir “Senhor nosso Deus” e palavrões na mesma música. Lojas incorporaram o slogan “Para nossa alegria” diante de descontos e juros baixos, trazendo a mensagem para o contexto do consumismo. E mais: não podemos cantar a música em nossos templos, pois corremos o risco de um engraçadinho berrar “Para nossa alegria”. 

Da sociedade sabemos que tal atitude é algo natural (2 Timóteo 3.1,2). Porém, quando isso acontece entre o povo de Deus, não há motivos para alegrar-se. Tem havido nesta geração de cristãos uma grande banalização das coisas sacras. O aspecto espiritual, santo, acompanhado de reverência e respeito pelas coisas de Deus perdeu-se. 

Exemplo clássico é o show gospel da atualidade, que muitas pessoas confundem com culto ao ar livre. Show gospel não é culto. É show. 
  • No verdadeiro culto se honra a Deus; no show, é culto à personalidade. 
  • No culto, há contrição; no show há pessoas fumando, bebendo e muitos jovens no “amasso”.
  • No culto, o propósito é nos enriquecermos espiritualmente; no show, o propósito é a volumosa quantia de dinheiro envolvida na contratação de artistas, montagem de camarins e vendas de alimentos ou artigos. 
  • No culto, a Palavra de Deus é a Verdade que liberta; o show é usado muitas vezes como massa de manobra para angariar votos a políticos. 
  • O verdadeiro culto é um ato religioso; show é negócio. 
Diante de tudo isso, devemos refletir, obviamente evitando o legalismo ou radicalismo, mas usando o bom senso cristão: estamos de fato honrando a Deus com nossas atitudes, palavreado e modinhas? 

Quando olhamos para o amor de Jesus expresso em sua vida, violenta morte, ressurreição e ao esperarmos sua volta, isso não deveria despertar em nós profunda reverência e respeito (Apocalipse 7.9-12)? Os que desrespeitaram e zombaram de Jesus foram justamente aqueles que o crucificaram (Lucas 22.63-65). 

Nossas atitudes nos posicionam ao lado da multidão de apocalipse 7 ou dos blasfemadores e irreverentes em Lucas 22? Basta olhar para o respeito e reverência que os judeus tinham para com as coisas de Deus e todas as regulamentações da vida religiosa que veremos a distância que estamos do ideal. 

Não nos enganemos. Essa banalização para com as coisas de Deus é pecado. Não nos ajuda em nada, muito menos a evangelizar nossa sociedade, pelo contrário, atrapalha. Mas, há esperança se mudarmos de atitude e levarmos a sério nosso relacionamento com Deus.

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Andrei de Almeida Barros é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil. Em 1998 trabalhou como missionário em Portugal. Formou-se em teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul em 2003 e ordenado pastor em 2004.
É fundador e editor do site www.semeandovida.org
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