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A intolerância religiosa



Conheço várias pessoas que procuram sempre que podem criticar a igreja onde eu sirvo. E a principal acusação é: “Não tem o Espírito Santo”, ou mesmo “Sorveterianos”. 

Bem, ao ouvir isso chego à conclusão que estas pessoas estão profundamente equivocadas e diabolicamente enraizadas no preconceito. Sua base de ação não é o amor, seu propósito não é evangelização – o Reino de Deus ficou de lado e as obras da carne falam mais alto: facções, dissensões, inimizades, etc (Gálatas 5.19-23).

É vergonhoso, mas é verídico.

Jesus disse para nos amarmos. Mas, ao que parece, alguns evangélicos, procuram cada vez mais motivos para olharem as diferenças e disputarem espaço. 

Será que não percebem que há algo profundamente errado nisso tudo? Para nossa reflexão, enumero rapidamente alguns fatos sobre cristãos intolerantes:


Cristãos intolerantes têm uma visão bíblica distorcida e limitada a respeito de igreja. 
E o problema todo começa quando o sujeito acha que a sua igreja “é a certa”. É a síndrome da videira. O sujeito pensa que sua igreja é a videira e as outras são os ramos, contrariando o que Jesus falou, onde Ele é a Videira e TODOS NÓS os ramos. (João 15.5). Um rápido estudo no Novo Testamento mostrará que a palavra ekklesia se refere ao ajuntamento de cristãos, tanto local, como universal – portanto, infinitamente mais amplo do que as paredes de nossas igrejas.

Cristãos intolerantes são cristãos imaturos. 
E podemos dizer que são nos dois sentidos: tanto nos relacionamentos como na vida espiritual. Um dos sinais de maturidade nos relacionamentos é a capacidade de aceitar, compreender e amar as pessoas que não pensam ou concordam conosco. No caso da imaturidade espiritual, ela se revela em um cristianismo pálido de valores como amor e aceitação, que não vive a essência da mensagem de Jesus.

Cristãos intolerantes geram cristãos intolerantes. 
Intolerância gera intolerância, assim como violência gera violência. Cuidado, é contagioso! E aí está o grande perigo de darmos lado para este tipo de discussão: se batiza com muita ou pouca água, se fala ou não em línguas, se o culto é barulhento ou silencioso, etc. A maior parte destas conversas é iniciada na tentativa de atacar e a sua motivação é o mais “puro” preconceito. Não se chega a lugar algum assim.

Como podemos evitar esse tipo de coisa?

Devemos lembrar que denominação e igreja não salvam. 
Quem salva é Jesus. Quando os evangélicos REALMENTE crerem nisso, a questão sobre igrejas ficará em último plano. Ou haverá no céu o lugar do Presbiteriano, a praça Batista e o salão de eventos Pentecostais? Com certeza não! Quem nos salva é Jesus! E todos nós somos a sua Igreja!

Devemos compreender que existem milhares de pessoas de todos os tipos e gostos, que vão se sentir melhor em diferentes tipos de igrejas. É sinal de maturidade respeitar essa diversidade.

Por fim, devemos reconsiderar qual é a missão e o propósito da igreja. 
Seria “pescar em aquário”, ou “converter” os de outras denominações evangélicas? Com certeza não! A missão da igreja é levar as Boas Novas de Salvação aos perdidos!
Efésios 4:1-7 1 - Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis como é digno da vocação com que fostes chamados,
2 - com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor,
3 - procurando diligentemente guardar a unidade do Espírito no vínculo da paz.
4 - Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação;
5 - um só Senhor, uma só fé, um só batismo;
6 - um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos.
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Andrei de Almeida Barros é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil. Em 1998 trabalhou como missionário em Portugal. Formou-se em teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul em 2003 e ordenado pastor em 2004.
É fundador e editor do site www.semeandovida.org
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