A essência da constituição humana


Todo cristão concorda que o homem possui um corpo físico. Entretanto, isso não ocorre em relação à parte imaterial. 

Algumas pessoas creem que, além do corpo e da alma, o homem tem uma terceira parte, que é chamada de “espírito”. Essa concepção é chamada tricotomia, visto que abrange três partes, isto é, corpo, alma e espírito. 

Mas há aqueles que acreditam que alma e espírito são a mesma realidade. Essa visão é chamada dicotomia, ou seja, o homem é constituído por corpo e alma ou espírito. Nessa pequena reflexão, adotamos e estudaremos a dicotomia. 

Eis os motivos.

1. Uso indistinto dos termos
Na Bíblia não há diferença entre alma e espírito. Embora sejam palavras diferentes, ambas se referem à mesma realidade. 

Jesus, em Jo 12.27, diz: “Agora está angustiada a minha alma”. No capítulo seguinte, João relata que Jesus “angustiou-se [...] em espírito.” 

Da mesma forma, em Lucas 1.46-47, Maria canta: “A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegrou em Deus, meu Salvador”. 

Neste caso, fica clara a característica da poesia hebraica chamada paralelismo; ou seja, aqui, a mesma ideia é repetida através de palavras diferentes. Nesse sentido, tanto a alma quanto o espírito de Maria estavam exultantes por causa do cumprimento das profecias sobre o Messias.


2. Constituição sem distinção
Na Bíblia, o ser humano é tido tanto como “corpo e alma” quanto como “corpo e espírito”. Jesus exorta: “Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo” (Mt 10.28). 

Claramente, “alma” aqui representa a parte não física do homem. No entanto, em vários outros textos essa mesma ideia é expressa fazendo-se uso da palavra espírito. Um exemplo disso é Tiago 2.26, no qual o autor escreve que o “corpo sem espírito é morto”. 

Portanto, ora a Bíblia fala de corpo e alma, ora fala de corpo e espírito, justamente porque não há distinção entre ambos.

3. Mesma situação na morte
Semelhantemente, na morte, tanto a alma quanto o espírito parte. Quando Sara morreu, a Bíblia diz: “Ao sair-lhe a alma (porque morreu)” (Gn 35.18). Elias orou para que “a alma da criança voltasse para o seu corpo e, assim, ressuscitasse” (1 Rs 17.21). 

No Novo Testamento, Cristo, na hora de sua morte, “inclinando a cabeça, rendeu o espírito (Jo 19.30). Da mesma forma, Estevão, antes de morrer, orou: “Senhor Jesus, recebe o meu espírito” (At 7.59).

Conclusão
Apesar de alguns afirmarem que o homem é constituído por corpo, alma e espírito, temos razões suficientes para acreditar que essa tese não se sustenta.

Isso porque, na Bíblia, os termos são usados indistintamente; da mesma forma, ora ela usa corpo e alma, ora usa corpo e espírito.

Finalmente, na hora da morte, ou a alma ou o espírito parte, o que mostra que eles são a mesma realidade.

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