Solidariedade



Dois homens que viviam da caridade pública se encontram numa praça. Começaram então a expor, um ao outro, suas dificuldades, seus problemas de locomoção de um lugar para o outro a fim de pedir esmolas.

Um era cego, outro era coxo.

O cego então teve uma ideia brilhante. Por que não conjugar as suas forças num trabalho solidário? Conversou com o coxo e de comum acordo, passaram a andar juntos, o cego carregando nas costas o coxo que lhe indicava o caminho e lhe guiava os passos, servindo de olhos ao cego.

Numa comunidade há diversidade de serviços e, por isso mesmo, diversidade de dons. Pensemos no que acontece numa peça musical. Um compõe a musica, outros a executam nos instrumentos e outros ainda a cantam. Desta cooperação surge uma bela apresentação.

Uma comunidade pode ser comparada a uma orquestra. Cada cidadão tem uma participação na apresentação da música. 



O prefeito de uma cidade, por exemplo, é o encarregado pelo povo de orientar os esforços e de aproveitar da melhor maneira possível os recursos em benefício do povo. 

Os vereadores são homens eleitos também pelo povo para uma missão muito mais importante do que brigar por questões pessoais. 

São os responsáveis pelo bem estar da comunidade trabalhando sem paixões, sem personalismos, sabendo perder quando perder, sabendo reconhecer os méritos de quem os tem, mesmo que não pertença ao “seu partido”. 

Pelo menos é isso que se espera de quem deseja realizar um trabalho honesto e desinteressado. Deve haver cooperação para que haja progresso. 

Os cidadãos trabalham, cada um no seu setor de atividades, cooperando todos para o bem comum. Uns realizam tarefas mais difíceis, outros tarefas mais fáceis. Uns ganham mais, outros menos, de acordo com os seus dons, de acordo com seus talentos.

Segundo a parábola de Cristo, uns recebem cinco talentos, outros recebem dois talentos e alguns recebem um talento, mas ninguém deixa de receber seu talento.  (Mateus 25.14-30)

Os talentos são os diferentes dons, as diferentes capacidades individuais. Negar-se a trabalhar com eles é faltar com o dever, é deixar de cooperar, é determinar o fracasso da apresentação, a desafinação da orquestra.

Não importa se o que você faz é notório ou insignificante. O que importa é fazer cada um o seu trabalho. Uma é a responsabilidade do médico outra a responsabilidade do faxineiro do hospital, mas ambos têm de fazer o melhor possível o seu trabalho, para que haja harmonia no hospital.

Uma é a responsabilidade do professor, outra a do servente, mas ambos têm que desempenhar, da melhor maneira possível, o seu trabalho para que haja harmonia na escola. 

Todo trabalho realizado tem que visar antes de tudo, o outro. Uma orquestra não se apresenta para componentes do conjunto, mas para o público, isto é, para os outros.

Uma é a “sua” responsabilidade, caro leitor, outra a responsabilidade do “outro”, mas ambos têm que realizar o melhor possível para que haja aprovação de seu trabalho.

Um rei, ao notar que seus súditos eram muito egoístas, preparou um jantar para toda a população de seu reino. As mesas tinham um metro de largura. 

O rei mandou fazer talheres cujos cabos medissem um metro de comprimento. A ordem era comer segurando na ponta do cabo. Ao começarem o jantar verificaram que não podiam comer nada, pois o cumprimento do cabo de cada talher era maior do que o comprimento do braço de cada comensal.



Trocaram olhares, desconfiados, sem nada poderem fazer até que um deles teve a brilhante ideia e propôs ao companheiro da frente: Porque não alimentamos um ao outro, você pega comida no meu prato e põe na minha boca, eu faço o mesmo com você. 

Dentro de pouco tempo a ideia foi posta em prática e todos se fartaram do lauto jantar. E melhor ainda, aprenderam a lição e deixaram de ser egoístas.

É dessa cooperação, dessa solidariedade sábia e desinteressada que a nossa comunidade depende para ser uma orquestra afinada que dê gosto ouvir. 

E nos lembramos outra vez de Salomão: “tudo que te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças.” (Eclesiastes 9.10)

Pertinentes são também as palavras de Isaías “Um ao outro ajudou e ao seu companheiro disse: esforça-te”. (Isaías 41.6)

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