Ouvindo no silêncio



Ouvi, pois falarei coisas excelentes; os meus lábios proferirão coisas retas - Provérbios 8.6

Fui a um concerto em São Paulo uma vez. Fiquei impressionado com o silêncio do local. Mesmo com o teatro cheio, no momento que o pianista, violinista e demais membros do grupo entraram, pouco era possível ouvir, apenas a respiração das pessoas. 


Quando eles começaram a tocar, podia-se ouvir nitidamente cada nota. Distinguir o que cada instrumento estava fazendo. O silêncio só foi quebrado quando os músicos pararam de tocar. Havia uma pausa de 10 minutos para depois recomeçar o espetáculo.

Nesta hora ri sozinho em meu lugar ouvindo as pessoas educadamente conversarem bem baixo e muitos tossindo (parecem que seguraram a tosse esperando o intervalo). 

O silêncio para alguns é assustador. Tem gente que diz: “Não gosto do silêncio”. Mas é interessante o poder que o silêncio tem para nos fazer ouvir coisas incomuns. Coisas que não escutaríamos sem o silêncio.

Existem na vida momentos que exigem de nós toda atenção, toda concentração. Momentos que nenhum barulho deve estar presente para não nos atrapalhar a ouvir o que é mais importante. Talvez não estamos ouvindo o que é necessário por viver em meio aos muitos gritos e sons que estão por toda parte.

Precisamos nos silenciar. No silêncio, Deus fala conosco. Quando inclinamos o nosso ouvido para ouvir a Deus, separados do barulho de outros sons, podemos ouvi-lo. Poderemos tomar conhecimento de coisas que antes eram imperceptíveis. Deus fala conosco de uma forma clara e agradável, como uma melodia de um concerto musical. 

Incline os ouvidos a Deus e sua alma viverá (Is 55.3).

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Hebert dos Santos Gonçalves, é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil. Formado em Teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul em 1990 e pela Universidade Presbiteriana Mackenzie em 2006. É um dos escritores do Presente Diário da Rádio Transmundial. É fundador e editor do site: www.hebert.com.br
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