Sociais

Renúncia


Em 2011 ocorreu um acidente nuclear no Japão, na cidade de Fukushima - três reatores nucleares haviam derretido. A falha aconteceu quando a usina foi atingida por um tsunami, liberando grande quantidade de material radioativo. 


Dentre todas as medidas que foram tomadas, uma coisa chamou a atenção: mais de 200 japoneses aposentados, todos acima dos 60 anos de idade, se candidataram como voluntários para ajudar na limpeza da usina.

O argumento deles foi o seguinte: “Mesmo que nós estejamos expostos à radiação, o câncer poderia levar 20 ou 30 anos para se desenvolver. Mas nós vamos viver provavelmente mais 10 ou 15 anos”. Aqueles homens estavam renunciando o que lhes restava da vida para beneficiar as crianças e os jovens, as futuras gerações.

Esse é um grande exemplo de renúncia. A palavra ‘renúncia’ significa “abandono voluntário”. É quando nós desistimos de algo. Sobre isso, Jesus afirmou o seguinte: “E quem não toma a sua cruz, e não segue após mim, não é digno de mim” (Mateus 10.38)

Há muitos que leem este texto e entendem que a “cruz” são os problemas que cada um carrega (dívidas, doença, sofrimento etc). Mas não é isso que Jesus quis dizer. A crucificação era a pena de morte no Império Romano e o condenado era obrigado a carregar sua cruz. 

Quando Jesus usa o termo ‘cruz’, ele faz uso dessa imagem do sentenciado que assume sua sina, seu destino e leva sua cruz até a crucificação. Em outras palavras, aquela pessoa que quer seguir a Jesus, mas não está disposto a ir até as últimas consequências, não vai será capaz de ser um discípulo. 

Para seguir Jesus é necessário renúncia. Mas o que Jesus quer nós renunciemos? Tudo aquilo que se oponha a Deus e ao evangelho nas nossas vidas: o pecado, a rebeldia, a velha vida antes da conversão, tudo aquilo que coloca Deus em segundo plano...

Renunciar, levar a cruz, significa obedecer e se identificar com Jesus, mesmo até à morte. É viver para Cristo a ponto de se enfrentar as consequências. Por isso, o diferencial do verdadeiro discípulo é a renúncia. E o crente salvo por Cristo carrega consigo a mesma cruz: a renúncia de si mesmo para servir unicamente a Cristo.

É radical? Sim. Mas leia novamente as palavras de Jesus. Não existe alguém “meio convertido”, nem “meio salvo”, ou quem sabe, “meio cristão”. 

O grande desafio para todos que se afirmam cristãos é: até que ponto nós renunciamos as coisas que se colocam em disputa com a nossa fé? Nós realmente eliminamos elas de nossas vidas? Ou simplesmente tentamos conciliar tudo? Não é possível ser um cristão sem dizer “não” ao sistema de valores do mundo. (Tiago 4.4)

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Andrei de Almeida Barros é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil. Em 1998 trabalhou como missionário em Portugal. Formou-se em teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul em 2003 e ordenado pastor em 2004. Licenciado em História em 2015. É fundador e editor do site www.semeandovida.org
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