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A expiação (2)


Na reflexão anterior demostramos que a expiação é a doutrina da substituição. Essa doutrina se aplica a Cristo, no sentido de que Ele, sendo o Verbo de Deus, se sacrificou em nosso lugar por causa do nosso pecado e do amor de Deus por nós. Na presente meditação abordaremos outros elementos ligados à expiação.

São eles:


1. Foi um castigo imposto por Deus
Deus, em sua justiça e santidade, é quem exigiu que o pecado fosse pago. Isaías escreveu: “O SENHOR fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos” (Is 53.6). Mais à frente o profeta acrescenta: “Todavia, ao SENHOR agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando der ele a sua alma como oferta pelo pecado” (Is 53.10).

Cristo, por sua vez, aceitou voluntariamente a tarefa de morrer pelos pecadores para satisfazer a justiça de Deus. Ao discorrer sobre isso, Paulo escreve: “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus” (2 Co 5.21).

2. Não foi um sofrimento eterno, mas eficaz
Por conta de suas duas naturezas (divina e humana), Jesus foi capaz de receber toda a ira de Deus por causa do pecado e suportá-la até o fim. É por isso que Isaías prenunciou: “Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma e ficará satisfeito; o meu Servo, o Justo, com o seu conhecimento, justificará a muitos, porque as iniquidades deles levará sobre si” (Is 53.11).

Ao reconhecer que tinha recebido toda a ira de Deus, Jesus disse: “Está consumado” (Jo 19.30). Uma vez que ele pagou completamente a dívida, Paulo declarou: “Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8.1, cf. Hb 9.28). Sendo Justo, Cristo, portanto, não necessitou sofrer continuamente pelas iniquidades.

3. O significado do sangue
O sangue de Cristo é a remoção da culpa legal do homem perante Deus. No AT a vida estava no sangue do animal que era sacrificado. Esse cerimonial prefigurava a morte de Cristo,uma vez que, ao verter seu sangue na cruz, Ele ofereceu sua vida em favor dos pecadores (Lv 17.11;1 Pe 1.18-19).

Por meio do sangue de Jesus nossa consciência é purificada (Hb 9.14), obtemos acesso a Deus (Hb 10.19), somos purificados do pecado (1 Jo 1.7), vencemos o acusador (Ap 12.10-11) e somos resgatados de uma vida escravizada pelo pecado (1 Pe 1.18-19). 

Conclusão
A morte expiatória ou substitutiva de Cristo tem características peculiares. Seu sacrifício foi uma exigência de Deus; por outro lado, não foi eterno, mas eficaz. Seu sangue derramado na cruz simboliza a própria vida de Cristo, sendo derramada em favor dos pecadores. Que o entendimento dessas coisas nos incite a testemunhar sobre esse ato de amor.

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Carlos Eduardo Pereira de Souza  é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil. Formou-se em Teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul em 2003 e pela Universidade Presbiteriana Mackenzie em 2012. Mestrado em Novo Testamento pelo Centro de Pós Graduação Andrew Jumper em 2013. Pós-graduando em docência do ensino superior, pela Universidade Paulista.

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