A expiação (1)


Frequentemente lemos e ouvimos o termo “expiação”, entretanto nem sempre compreendemos o real sentido dessa palavra. Por conta disso, em nossas próximas reflexões, buscaremos esclarecer seu sentido e implicações para o homem. 


Antes, no entanto, vejamos como ela é definida. O teólogo Louis Berkhof explica que expiação é a doutrina da satisfação ou substituição. Tendo isso em mente, refletiremos sobre alguns aspectos iniciais.

1. Os motivos da expiação
No AT havia um dia chamado de Dia da Expiação (Lv 16; 23.26-32; Nm 29.7-11). Nesse dia, o sumo sacerdote entrava no Santo dos Santos e, depois de observar alguns preceitos, tomava o sangue de um novilho e de um bode e aspergia sobre o altar. E qual era a utilidade do sangue? Segundo Berkhof, “o sangue tem a função de afastar do pecador a ira de Deus. 

O autor de Hebreus esclarece: “Sem derramamento de sangue, não há remissão” (Hb 9.22). Essa cerimônia prefigurava a vinda de Jesus, uma vez que, ao derramar o seu sangue na cruz, afastou daqueles que viriam a crer Nele a ira de Deus (Hb 9; Rm 5.1; 2 Co 5.18). 

Portanto, sua morte foi substitutiva, já que ele morreu no lugar daqueles que deveriam ser alvos da ira de Deus (Is 53.5; Gl 3.13). Além disso, outro elemento causador da obra de Cristo foi o amor de Deus. Isso pode ser visto claramente na conhecida declaração de João 3.16: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”.

2. A natureza da expiação
A obra de Cristo foi uma obra absolutamente divina. O verbo encarnou-se e uma vez encarnado, jamais pecou. Ele observou plenamente a lei de Deus em seus três aspectos. Em relação à lei moral, Cristo não cometeu pecado algum; consequentemente, não infringiu nenhum aspecto da lei civil (Fp 2.8). 

Finalmente, em relação à lei cerimonial, Cristo foi tanto o sacerdote perfeito quanto a oferta perfeita (Hb 9.23-28). Portanto, a natureza da expiação foi divina no sentido de que ela foi executada pelo verbo divino.

Conclusão
A expiação ocupa importante lugar na salvação dos eleitos. Ela aponta para uma obra de substituição. Nesse caso, se aplica a Cristo, uma vez que Ele, movido pelo seu amor, morreu no lugar dos pecadores. 

Além disso, a expiação foi uma obra divina, visto que foi praticada pelo Unigênito de Deus. Que tenhamos tais princípios em mente e assim sejamos sempre gratos a Deus por tamanha manifestação de bondade.

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Carlos Eduardo Pereira de Souza  é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil. Formou-se em Teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul em 2003 e pela Universidade Presbiteriana Mackenzie em 2012. Mestrado em Novo Testamento pelo Centro de Pós Graduação Andrew Jumper em 2013. Pós-graduando em docência do ensino superior, pela Universidade Paulista.

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