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Que é o homem?


Que é o homem? esta pergunta já lhe surgiu na mente alguma vez? Você sabe exatamente o que você é? Essa pergunta foi feita pelo salmista Davi no salmo oito - Que ó homem mortal para que te lembres dele?


O homem é um ser humano feito à imagem de Deus, com capacidade de pensar, de escolher, de assumir responsabilidades. Nisso, aliás, consiste sua semelhança com Deus.

Mas cada ser humano vive duas esferas de vida diferentes. Podemos até dizer que cada ser vive a vida de dois seres. 

Há o ser individual, aquele que se relaciona com os estados mentais que o ligam a si mesmo e com os acontecimentos da vida pessoal. O ser individual é aquele que os "outros" não conhecem bem, é aquele que, por mais que se tente camuflar, pode enganar os outros, mas não se engana.

Há o ser social. Aquele ser que se submete a sistemas de idéias, de hábitos, sentimentos que exprimem em nós, não a nossa personalidade, mas o nosso relacionamento com o grupo, entre os mais diferentes grupos a que pertencemos. Nesse contexto é que estão as nossas crenças religiosas e morais.

Quando lemos no livro do Gênesis a narrativa da vida do primeiro casal, nós já encontramos resumido todo o mistério que cerca o homem na terra. Na narrativa bíblica já se delineia o chamado Homo Socius. Na narrativa bíblica encontramos a afirmação de que Deus olhou para a obra de suas mãos e chegou à conclusão de que não era bom o homem viver só. 

Deu-lhe então uma mulher para sua ajudadora, sua companheira. A partir daí o ser começou a sentir a necessidade da presença de outro ser. O maior castigo para o homem é a solidão. Por isso o homem constitui família onde todos os membros se ajudam e amenizam a vida dos demais.

Mas continuando a leitura do Gênesis descobrimos já nos primórdios da presença do homem na terra, os indícios do Homo Sapiens. A narrativa bíblica diz que Deus, depois da queda do homem, ante a primeira tentação, diz: "eis que o homem é como um de nós, conhecendo o bem e o mal". A partir daí o homem vive em luta constante entre o bem e o mal. 

E com o conhecimento que adquiriu o homem não parou mais de inventar de descobrir, e aperfeiçoar o que já existia. Por ser o Homo Sapiens o homem já foi à lua e vai mais longe ainda. É só esperar um pouco mais. Inventou até o computador, que falta só falar - alguns já falam - apenas não pensam.

Mas a leitura do Gênesis nos leva a descobrir ali o Homo Faber. Diz o texto que o homem, ao descobrir que estava nu: "fez para si aventais, cosendo folhas de figueira e cingindo-se". A partir daí o homem continua fazendo e não parou mais de lazer. Faz o que deve e o que não deve, mas faz. E tudo faz, tudo pensa, e busca a companhia dos outros sempre procurando melhorar o seu status. 

Recebendo a influência da sociedade e influenciando a mesma sociedade, de tal modo que já provocou o seguinte dilema - é o homem que faz o meio ou o meio que faz o homem? A resposta não é excludente.

O homem faz o meio e depois o meio influencia o homem. Tanto pode influenciar positivamente o meio melhorando a coexistência, como pode influenciar negativamente, tornando a vida em sociedade num verdadeiro inferno na terra.

Voltemos à pergunta do salmista: "que é o homem mortal...?"

O homem é esse ser criado por Deus, que pensa que se associa, que produz, que tem tanta capacidade de construir um mundo melhor. Da capacidade quase sem limites do homem, o salmista dá uma explicação no mesmo salmo oito: "contudo pouco abaixo dos anjos o fizeste e de glória e de honra o coroaste".

O homem é isso aí, esse ser maravilhoso feito por Deus, via de regra para o bem, mas que infelizmente abre muitas exceções e pratica o mal. Esse ser maravilhoso é você, leitor, sou eu!

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Samuel Barbosa é pastor jubilado da Igreja Presbiteriana do Brasil. Formou-se em teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul em 1960. Posteriormente graduou-se em Letras, Pedagogia, Supervisão Escolar e Especialização em Língua Portuguesa com produtiva carreira acadêmica. Pastoreou as igrejas presbiterianas de Apiaí, Correias e Itararé entre 1961 e 1962. Foi pastor da Igreja Presbiteriana de Itararé durante 32 anos até sua jubilação. Presidiu o Presbitério de Itapetininga por 22 anos e é pastor emérito das Igrejas Presbiterianas de Itararé e Itaberá. 
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