Responsabilidade dos pais


De que os pais exercem influência na orientação espiritual de seus filhos não há dúvida nenhuma.

Como deve ser a influência dos pais sobre seus filhos? Será que isso acontece por pura força do acaso, por mero fatalismo? Não. Essa influência deve ser exercida conscientemente, tendo os pais em vista, o fato de que os filhos não existem por acaso. Uma vida é gerada, não porque os pais quiseram, pois há muitos pais que querem e não podem, mas porque Deus permite a bênção da fertilidade a um casal.

Cada ser que nasce neste mundo nasce para cumprir uma missão específica no concerto geral deste maravilhoso, mundo de Deus. Pois bem, se levarmos em conta esse fato veremos que não é suficiente preparar os filhos para viverem como membros de uma sociedade humana, mas principalmente para viverem numa sociedade a que Deus encarregou de continuar a sua obra criadora.

Este mundo não nos pertence. Deus é o seu verdadeiro dono e Senhor. Mostrar isso aos filhos é um dever que se nos impõe para evitar que os filhos pensem que são os donos do mundo. O errôneo conceito de proprietário do mundo é que tem levado o homem à destruição do meio ambiente em que vive. Se este mundo é de Deus somente pessoas educadas para sentirem a presença de Deus em sua vida, é que o considerarão sagrado, evitando profaná-lo com sua participação criminosa.

Por outro lado, poderá o homem também, bem orientado espiritualmente desde a infância, santificar o profano, pondo em todas as áreas da atividade humana, uma aura de espiritualidade a fim de que tudo tenha um caráter mais elevado, mais condizente com a sua condição de homem, de Anthropos, aquele que caminha olhando para cima. 

Os animais inferiores caminham olhando para baixo porque o seu destino é o pó. Somente o homem olha para cima exatamente porque deve lembrar- se de que procede de Deus, embora alguns poucos prefiram descender de um macaco.

Ensinar os filhos a olharem para Deus é dever de todos os pais, pois só assim se criará neles o senso de humildade e de respeito para com Deus e para com tudo quanto Ele criou.

Devemos considerar ainda que ninguém pode dar o que não tem. Salomão diz que devemos instruir a criança o caminho que deve seguir. Mas como eu posso instruir meu filho num caminho que eu mesmo desconheço? O caminho em que devem andar os nossos filhos é o caminho do bem, da honestidade, da virtude, da sobriedade, da fidelidade para com Deus e para com o próximo.

Mas como poderei dizer ao meu filho que ele deve ser honesto se ele pode descobrir, em meu trato com as pessoas, intenções desonestas? Como poderei ensinar ao meu filho o caminho da sobriedade e temperança se sele pode notar em mim, indícios de embriagues? 

Como poderei ensinar ao meu filho o caminho do bem e da virtude se ele percebe que esse não é o "meu" caminho? como poderei ensinar ao meu filho uma vida devocional se ele nunca me viu numa atitude de adoração ou de súplica? As crianças têm grande poder dedutivo, gostam de agir como agimos, gostam do que gostamos e não gostam do que não gostamos.

Se desejamos mostrar aos nossos filhos a necessidade e a importância de uma vida devocional religiosa, devemos mostrar a eles essa importância em nossa própria vida. Nossos filhos serão levados a uma vida espiritual elevada muito mais pelo nosso exemplo do que pelos nossos conselhos.

Todos os pais devem meditar muito na tremenda responsabilidade que representa um filho sob sua guarda. É muito comum acontecer o que já predisse o velho profeta: "os pais comeram uvas verdes e os dentes dos filhos se embotaram".

Prezado leitor, se seu filho não viera ser um bom homem, que seja apesar do pai que teve e nunca por causa dele.

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Samuel Barbosa é pastor jubilado da Igreja Presbiteriana do Brasil. Formou-se em teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul em 1960. Posteriormente graduou-se em Letras, Pedagogia, Supervisão Escolar e Especialização em Língua Portuguesa com produtiva carreira acadêmica. Pastoreou as igrejas presbiterianas de Apiaí, Correias e Itararé entre 1961 e 1962. Foi pastor da Igreja Presbiteriana de Itararé durante 32 anos até sua jubilação. Presidiu o Presbitério de Itapetininga por 22 anos e é pastor emérito das Igrejas Presbiterianas de Itararé e Itaberá. 
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