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Providência divina


"Fui moço, hoje sou velho, nunca vi desamparado o justo nem a sua descendência a mendigar o pão". Palavras de Davi, rei de Israel, salmista e poeta do velho testamento.

Os fatos comprovam a veracidade dessa afirmação. O cristão, aquele que recebe o evangelho de Cristo e procura viver sob a orientação desse evangelho, não está livre da pobreza, mas tem suficiente orientação para livrar-se da mendicância.


O cristão aprende no evangelho que ele precisa merecer o pão que come, através de um trabalho honesto. Ele aprende, por exemplo, que, segundo o apóstolo Paulo, aquele que não trabalha não deve comer.

Aprende que, apesar de vivermos independentes uns dos outros, essa independência deve se expressar num sentimento de solidariedade que leva o cristão a ajudar aquele que realmente necessita, evitando que ele se transforme num mendigo.

Numa viagem que fizemos pelo Nordeste tivemos oportunidade de conversar com vários colegas que pastoreiam Igrejas pequeninas, no sertão de Pernambuco. Como havíamos presenciado cenas deprimentes de miséria e mendicância e até de afrouxamento moral decorrentes dessas circunstâncias ao longo da viagem, perguntamos se havia mendigos em suas igrejas. Responderam que não. Pobreza sim, mas indigência não.

Isso porque as Igrejas, na medida do possível, ajudam as pessoas carentes de recursos materiais e que, a despeito de seus esforços, não conseguem arranjar emprego ou ganhar o necessário para viver.

Nas Igrejas evangélicas é mais fácil essa solidariedade por serem comunidades pequenas, embora os recursos também sejam menores. Essa solidariedade não é impossível em nenhuma comunidade por maior que ela seja, pois quanto maiores forem as comunidades, maiores também serão os recursos de que elas dispõem, contanto que essas comunidades procurem orientar os seus membros de acordo com as doutrinas do evangelho. 

Procuramos e não encontramos nenhum cristão evangélico nos presídios, entre os presos. Isso porque o evangelho vivido na realidade, ensina o homem a viver em sociedade, mostra o caminho da honestidade, do bem e leva o cristão a desejar imitar o seu Mestre Jesus Cristo.

O que falta ao mundo, ao Brasil, ao homem, é somente o evangelho, mas o evangelho autêntico, vivido, praticado por todos os cristãos, sem misturas, sem dogmas humanos que, muitas vezes interferem num melhor relacionamento entre o homem e Deus e entre os homens entre si. 

O evangelho não garante riquezas a ninguém, mas garante discernimento, bom senso, garante a confiança na providência de Deus que nunca abandonou nem nunca abandonará aqueles que nEle confiam. 

O Senhor Jesus garantiu aos fiéis estar com eles sempre até a consumação dos séculos. O salmista tem tanta certeza de misericórdia de Deus que chega a afirmar: "quando meu pai e minha mãe me desampararem, o Senhor me recolherá. Tamanha é a confiança do salmista no seu deus que aconselha: "entrega a teu caminho ao Senhor, confia nEle e Ele tudo fará".

A Bíblia está cheia de garantias de que aquele que confia no Senhor jamais será abalado, o próprio Cristo afirmou que as portas do inferno não hão de prevalecer contra a sua Igreja, e a sua Igreja são os que O aceitam como Salvador.

Qual a causa de tanta incompreensão, de tanto sofrimento no mundo? Excesso de confiança no próprio homem e falta de confiança em Deus. Falta o evangelho na vida diária de todos, inclusive na vida de muitos cristãos, que só o são de nome. 

Ser cristão não é somente pertencer a uma Igreja, pois nenhuma Igreja tem o poder de salvar. Ser cristão, segundo um sacerdote francês, é ser seguidor de Jesus Cristo vinte e quatro horas por dia, e sete dias por semana.

O que falta ao homem não é dinheiro, nem casa, nem roupa, o que falta é pura e simplesmente o homem buscar primeiro o reino de Deus, isto é o domínio de Deus para a vida e, naturalmente as demais coisas serão acrescentadas.

Pelo menos foi isso que disse o Senhor Cristo, o Deus que não pode mentir.

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Samuel Barbosa é pastor jubilado da Igreja Presbiteriana do Brasil. Formou-se em teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul em 1960. Posteriormente graduou-se em Letras, Pedagogia, Supervisão Escolar e Especialização em Língua Portuguesa com produtiva carreira acadêmica. Pastoreou as igrejas presbiterianas de Apiaí, Correias e Itararé entre 1961 e 1962. Foi pastor da Igreja Presbiteriana de Itararé durante 32 anos até sua jubilação. Presidiu o Presbitério de Itapetininga por 22 anos e é pastor emérito das Igrejas Presbiterianas de Itararé e Itaberá. 
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