Luz nas trevas


"O povo que andava nas trevas viu uma grande luz, e sobre os que habitavam a região das sombras da morte resplandeceu a luz", essas palavras, embora escritas centenas de anos antes de Cristo, são proféticas e se referem ao Messias. Lendo-as surge-nos a pergunta: será que Cristo nasceria outra vez conhecendo o mundo atual?


Se Ele pensasse como eu talvez não tivesse coragem de nascer. Enfrentar o poder econômico que tudo submete a seus pés; o poder político que se sobrepõe ao poder da própria razão e da justiça o poder religioso que muitas vezes, em nome da própria religião, comete os maiores crimes como a história comprova à saciedade! Seria, no dizer popular de hoje "dose pra leão". 

Eu, se fosse Ele, não nasceria. A humanidade, ao invés de se tornar melhor está ficando cada vez pior! Já não se contenta mais com nada e, nessa ânsia de domínio, vai arrastando e levando tudo numa onda de despotismo, de violência e destruição. Já não se pode mais viver em determinados lugares - os peixes de alguns rios que o digam - só porque alguns poucos precisam ganhar mais, embora multidões percam até condições de sobrevivência!

Mas Ele nasceria outra vez exatamente por ser Ele e não eu. E as razões pelas quais Ele nasceria outra vez, mesmo para esta humanidade, são as mesmas pelas quais Ele nasceu a primeira vez.

A humanidade é a mesma, o pecado do homem é o mesmo. O ódio é velho - tem a idade de Caim. A exploração é velha - tem a idade de Jacó ou Labão. O fanatismo religioso é velho - Cristo foi crucificado por preconceitos religiosos: "Ele quebranta o sábado e se faz igual a Deus", foi a acusação - qualquer semelhança com correntes religiosas atuais não é mera coincidência.

Mas Ele nasceria outra vez porque a necessidade do homem é a mesma. A humanidade precisa de paz e Ele é o Principe da Paz, segundo o profeta Isaias. A humanidade precisa de amor e Ele, sendo Deus é amor, pois Deus é amor, segundo o apóstolo João. 

A humanidade precisa de salvação exatamente como o carcereiro de Filipos que perguntou ao apóstolo Paulo o que era necessário fazer para se salvar, ou como aquele moço rico que perguntou a Jesus a mesma coisa. As religiões, mesmo as mais estranhas, existem para dar ao homem uma esperança de salvação.

Mas Ele nasceria outra vez porque a solução para todo o problema humano, de falta de paz, de salvação é a mesma - Cristo.

Já pensaram os leitores o que seria desta mesma humanidade se não houvesse a influência do humilde menino de Belém?

O povo que andava nas trevas, disse Isaías, então a luz vem para quem está nas trevas e nenhum tempo seria mais, adequado para a presença de Cristo do que este nosso tempo.

Quanto pior a humanidade, maior a necessidade de cristo. E a humanidade, sem Cristo, só O conhecerá na vida e no testemunho dos autênticos cristãos. Ser testemunha de Cristo é importante, mas mais importante é dartestemunho da fé em Cristo.

Se ele fosse eu, não nasceria, mas graças a Deus Ele não é eu, e, por isso. Ele está disposto a nascer cada dia, cada momento, no coração e na vida de quem sinceramente O deseja aceitar como amigo, mestre e Salvador.

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Samuel Barbosa é pastor jubilado da Igreja Presbiteriana do Brasil. Formou-se em teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul em 1960. Posteriormente graduou-se em Letras, Pedagogia, Supervisão Escolar e Especialização em Língua Portuguesa com produtiva carreira acadêmica. Pastoreou as igrejas presbiterianas de Apiaí, Correias e Itararé entre 1961 e 1962. Foi pastor da Igreja Presbiteriana de Itararé durante 32 anos até sua jubilação. Presidiu o Presbitério de Itapetininga por 22 anos e é pastor emérito das Igrejas Presbiterianas de Itararé e Itaberá. 
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