Sociais

Limpeza interior


A patroa chamou a empregada e pediu que lavasse um copo que estava sujo. Depois de algum, tempo a empregada trouxe o copo lavado. A patroa observou que a sujeira continuava e perguntou à empregada: mas você lavou mesmo o copo? Lavei por fora, respondeu. A sujeira que aparecia não era exterior, era interna.


Jesus certa vez dirigiu-se aos fariseus e disse-lhes: "ai de vós escribas e fariseus hipócritas, porque limpais o exterior do copo e do prato, mas estes por dentro estão cheios de rapina e intemperança. Fariseu cego, limpa primeiro o interior do copo para que o seu exterior também fique limpo". Jesus vai mais longe e compara os escribas e fariseus, em sua hipocrisia, com sepulcros caiados que por fora são belos e por dentro estão cheios de ossos e podridão.

Jesus, querendo ajudar o homem a fazer uma higiene mental, aconselha - olhai as aves dos céus. Olhai os lírios do campo. 

Por que aves e não águias ou corvos? Porque o homem com sua morbidez concentraria a sua atenção na carniça de que os corvos e as águias se alimentam. Aves dos céus fazem lembrar passarinhos de pequeno porte, graciosos, coloridos, canoros a embelezar as matas com o seu canto.

Por que lírios e não rosas, a rainha das flores? Porque o homem com sua morbidez concentraria toda a sua atenção nos espinhos. Lírios fazem lembrar pureza, candura, delicadeza.

Seria prudente que, vez por outra, todos fizessem uma higiene mental, pois através dela a gente se livraria de conflitos internos que se manifestam em ideias fixas, desejo de mando, de glória, ódio pelo próximo ou outra manifestação qualquer.

Esses conflitos internos se manifestam também em complexo de inferioridade. Jesus diz que o homem vale muito mais do que as aves e do que os lírios. A leitura do Sermão da Montanha se presta a levar o homem a encontrar a si mesmo. Ajuda o homem a valorizar-se e, considerando o seu valor, ele não se barateia, conservando o seu interior limpo.

Esses conflitos internos manifestam-se também em frustração. Quantas vezes aspiramos a muito e realizamos tão pouco! Esse desnível para menos, entre aspiração e realização é que traz a frustração.

A higiene mental feita pela leitura do sermão do monte capacita o homem a disciplinar as suas aspirações de acordo com suas possibilidades de realização do que a que aspira. Por essa higiene mental o homem analisa os motivos de seus fracassos e toma novas iniciativas, que lhe possibilitarão sua plena realização.

Mesmo antes, muito antes de haver psiquiatria e psicanálise como ciências sistematizadas, Cristo já aconselhava a higiene mental como meio de aliviar as tensões e até a depressão - a doença do dia. Higiene só exterior de nada vale, sem a higiene da mente.

Já dizia o filósofo que o homem é aquilo que pensa. Se ele pensa bem ele é bom, se pensa mal ele é mau. Arejar a mente, limpar a mente é a melhor maneira de gozar a vida, pois nessas condições o homem não teme o julgamento do "outro", nem de sua própria consciência, nem de Deus.

Se o homem é aquilo que pensa, então ele precisa aprender a pensar bem. E nos lembramos aqui de um conselho do grande apóstolo Paulo. "Finalmente irmãos, tudo que é verdadeiro, tudo que é respeitável, tudo que é justo, tudo que é puro, tudo que e amável, tudo que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso que ocupe o vosso pensamento". (Filipenses 4:8).

No caso da empregada no início desta meditação, a sujeira de dentro via-se por fora. Isso é exatamente o que acontece quando o nosso interior está sujo. Nossos atos mostram essa sujeira. Se a limpeza exterior é útil e necessária, muito mais útil e necessária e a limpeza interior, pois segundo o pensamento de Cristo só serão bem aventurados os limpos de coração porque eles verão a Deus.

--------------------------------------------------
Samuel Barbosa é pastor jubilado da Igreja Presbiteriana do Brasil. Formou-se em teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul em 1960. Posteriormente graduou-se em Letras, Pedagogia, Supervisão Escolar e Especialização em Língua Portuguesa com produtiva carreira acadêmica. Pastoreou as igrejas presbiterianas de Apiaí, Correias e Itararé entre 1961 e 1962. Foi pastor da Igreja Presbiteriana de Itararé durante 32 anos até sua jubilação. Presidiu o Presbitério de Itapetininga por 22 anos e é pastor emérito das Igrejas Presbiterianas de Itararé e Itaberá. 
Google Plus