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Aborto


A entrevista era sobre o aborto. Havia cinco mulheres, três das quais defendiam a legalização do aborto. Os argumentos apresentados foram aqueles de sempre, principalmente os seguintes:

A mulher deve ter direito sobre o seu corpo e, em nome desse direito, praticar o aborto. Concordo. Não só a mulher, mas todo ser independentemente do sexo tem direito sobre o seu corpo. Mas a mulher deveria ter exercido esse direito antes de ceder à tentação de uma fecundação. Depois da fecundação existe um outro ser com direito ao seu corpo. Se a mãe tem direitos sobre o seu corpo deve reconhecer os mesmos direitos àqueles que está gerando no seu ventre.

Outro argumento usado foi de que o feto não tem vida consciente, não tem personalidade e por isso nem sente nada. Se consultassem a Bíblia sobre o assunto, iriam encontrar uma passagem que derruba esse argumento: "E aconteceu que, ao ouvir Isabel a saudação de Maria, a criancinha saltou no seu ventre, e Isabel foi cheia do Espírito Santo... pois eis que ao chegar aos meus ouvidos a voz da tua saudação, a criancinha saltou de alegria no meu ventre" (Lucas 1:41-44).

A criancinha que saltou de ALEGRIA era João Batista. Como então afirmar que a criança antes de nascer não tem sentimentos. Depois de algumas semanas de gerada começa a se mover, seguindo uma lei natural que exige constante movimentação de todo ser vivo.

Outro argumento: O aborto já existe mesmo sem ser legal, então legalizando está resolvido o problema. Essa é uma ideia de todo sem sentido. A raciocinar dessa maneira chega-se à conclusão de que o meio mais fácil de acabar com o crime é legalizar o crime. Se pode matar criancinhas antes do nascimento, por que não pode matar também depois de nascida e por que não pode matar velhos, moços; por que não legalizar o sequestro, o roubo, o estupro, a jogatina, a corrupção. 

Aí está uma cômoda solução. Estão lutando para acabar com a corrupção que se instalou no Brasil. Fácil. É só decretar uma lei: "fica legalizado todo o tipo de crimes no Brasil". Pronto. Não há mais crimes no Brasil. Tudo é legal. Viva!

Outro argumento é o abordo profilático: para evitar certos problemas de saúde para a criança que vai nascer deve ser praticado o aborto. Nesse caso o interessado está fazendo um pré-juízo de que o que vai nascer vai ter problema. Eu costumo dizer que todo pré-juízo traz prejuízo e, nesse caso, o prejuízo é sempre do mais fraco, daquele que não pode se defender.

A propósito. Um professor colocou ante sua classe a seguinte questão: um homem sofre sífilis, a mulher é tuberculosa. O primeiro filho do casal nasceu cego, o segundo morreu com poucos meses de vida. O terceiro ficou tuberculoso e o quarto era surdo. A mulher engravidou pela quinta vez. 

O que vocês acham, ela deve abortar? A maioria respondeu que sim, que devia abortar, aborto profilático. Então disse o professor: Vocês que responderam sim acabam de matar Ludwig Van Beethoven, autor de trinta e duas sonatas, dezessete quartetos, nove sinfonias e da ópera Fidélio, um dos maiores gênios da música sinfônica (1770-1827).

Precisa dizer mais? Quantos gênios não terão sido vítimas da irresponsabilidade de suas próprias mães que os impediram de nascer? A vida pertence a Deus. Só Ele tem direito sobre ela. "O Senhor a deu, o Senhor a tirou, bendito seja o nome do Senhor". (Jó 1:25).

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Samuel Barbosa é pastor jubilado da Igreja Presbiteriana do Brasil. Formou-se em teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul em 1960. Posteriormente graduou-se em Letras, Pedagogia, Supervisão Escolar e Especialização em Língua Portuguesa com produtiva carreira acadêmica. Pastoreou as igrejas presbiterianas de Apiaí, Correias e Itararé entre 1961 e 1962. Foi pastor da Igreja Presbiteriana de Itararé durante 32 anos até sua jubilação. Presidiu o Presbitério de Itapetininga por 22 anos e é pastor emérito das Igrejas Presbiterianas de Itararé e Itaberá. 
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