Grandes promessas para o passado, presente e futuro.



Gênesis 12. 1-9

Quando Moisés escreveu o livro de Gênesis, o povo caminhava pelo deserto em direção à terra prometida. Ao incluir o relato sobre o chamado de Abrão, Moisés tinha como objetivo assegurar ao povo que a promessa sobre a terra seria cumprida. 


Assim como Abrão chegou à terra prometida, Israel também chegaria. Note que no v.5, Abrão entrou na terra da promessa. Moisés intenta garantir aos hebreus que o mesmo ocorreria com eles. 

Nessa narrativa, o termo “promessas” é um dos temas desenvolvidos pelo autor. No entanto, essas promessas não se relacionam apenas com Abrão, antes, elas se relacionam conosco e encontram o seu pleno cumprimento em Cristo. 

Mas que promessas são essas? E quais são suas implicações para os dias de hoje? É o que pretendemos demonstrar a seguir. Vejamos três destas promessas:

1ª Promessa – Ser uma grande nação
Assim nós lemos no v. 2. “De ti farei uma grande nação.” Essa promessa inicia seu cumprimento com o nascimento de Isaque, em seguida em Jacó, seus doze filhos, os setenta israelitas que desceram para o Egito (Ex 1.5), depois em Israel sob liderança de Josué e chega ao seu ápice sob os reinos de Davi e Salomão (1 Rs 4.20-25). 

No NT o cumprimento dessa promessa ocorre quando Jesus ordena seus discípulos que façam discípulos de todas as nações. A grande nação formada com base na fé não é especificamente um país, mas sim, um povo constituído por pessoas procedentes de todas as línguas, tribos e nações. 

Paulo fala que pessoas de diferentes línguas, nações, status social são agora, pela fé, reunidas em um só povo. Pela fé em Cristo são, portanto, herdeiros dessa promessa feita a Abrão. Assim ele escreveu: 

“Pois todos vós sois filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus; [Portanto], não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus. E, se sois de Cristo, também sois descendentes de Abraão e herdeiros segundo a promessa” (Gl 3. 26,28-29).

Mas quais são as implicações disso? Não somos apenas recipientes do cumprimento dessa promessa, antes, somos também participantes para que ela se cumpra cabalmente. É por isso que Jesus ordenou: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28.19). 

Paulo ciente dessa incumbência afirmou: “Se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois sobre mim pesa essa obrigação; porque ai de mim se não pregar o evangelho!” (1 Co 9.16). 

Devemos entender, portanto que se hoje fazemos parte deste povo, é porque alguém entendeu que deveria pregar para nós e hoje estamos aqui. Portanto, devemos proceder da mesma forma para que essa nação cresça.

2ª Promessa - Ser benção para toda a terra.
No v. 3 Moisés escreveu: “Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra”.

Essa promessa consiste no fato de que Abrão e o povo procedente dele seriam um veículo abençoador na vida das nações. O cumprimento dessa promessa foi progressivo. 

Primeiramente, José foi uma bênção para as famílias das nações quando toda a terra ia até ele em busca de alimento (Gn 41.57). Depois, Deus usa Israel como testemunha de seu pelo o mundo (Exemplo – Jonas). Finalmente, essa promessa encontra seu cumprimento pleno em Jesus que usa a sua igreja para ser bênção para o mundo. De que maneira isso ocorre e quais as implicações? 

2.1. Pela pregação do evangelho. O anúncio do evangelho teve sua origem em Abrão. Paulo, reconhece isso e escreve: “Ora, tendo a Escritura previsto que Deus justificaria pela fé os gentios, preanunciou o evangelho a Abraão: Em ti, serão abençoados todos os povos”. (Gl 3.8). Portanto, conforme já foi visto, à igreja foi dada a missão de pregar.

2.2. Pela vida. Jesus deixou claro esse ensino ao dizer que seus discípulos são sal da terra e luz do mundo (Mt 5.13,14). Paulo também ensinou que os crentes são como luzeiros num mundo obscurecido por causa do pecado (Fp 2.15). 

2.3. Pelo serviço prestado ao próximo, principalmente aos da família da fé. Somos incumbidos de ajudarmos nossos irmãos em suas necessidades. João escreve: “Ora, aquele que possuir recursos deste mundo, e vir a seu irmão padecer necessidade, e fechar-lhe o seu coração, como pode permanecer nele o amor de Deus”? (1 Jo 3.17).

3ª Promessa - Possuir toda a terra.
Ao chegar na terra, Deus faz outra promessa a Abrão em Gn 12.7. Assim está escrito: “Darei à tua descendência esta terra”. Agora, a promessa acerca da terra se estende aos descendentes de Abrão. Essa promessa começa a ser cumprida quando Abrão compra um terreno para sepultar Sara (Gn 23.18-20), depois com a tomada da terra sob a liderança de Josué (Js 21.43-45). Posteriormente, o reino de Israel é estabelecido nessa terra sob os reinados de Davi e Salomão. 

Entretanto, essa promessa aponta para outra terra prometida. Aquela terra pela qual todos nós aguardamos no dia de Cristo. Uma terra renovada, onde o pecado não existirá, por isso, não haverá mais morte, nem dor ou lágrimas. Pedro escreve sobre a expectativa para adentrar a esta nova terra. “Nós, porém, segundo a sua promessa, esperamos novos céus e nova terra, nos quais habita justiça” (2 Pe 3.13). 

Naturalmente, isso tem implicações sérias para o ser humano. Apontamos duas: São elas:

1. Cristo é o único caminho para chegar a essa terra prometida. A Bíblia nos fala de dois únicos destinos para o homem. A nova terra com Deus e seu Filho, ou o inferno preparado para o Diabo e seus seguidores. Cristo é o único caminho através do qual o homem pode chegar a essa terra. Fora dele não há caridade, não há religiosidade, há nada que o homem possa fazer para chegar a esse lugar senão se arrepender e crer em Cristo como Senhor e Salvador. 

2. Cristo é a única esperança para um futuro glorioso. A vida do homem aqui é recheada de incertezas e todo o tipo de sofrimento. A má notícia é que tudo pode ficar pior caso o homem parta desse mundo sem crer em Cristo e se entregar a Ele como Senhor e Salvador. Portanto, Jesus é a única esperança para que o homem não entre pelo caminho do sofrimento eterno. 

É necessário que o homem creia verdadeiramente em Cristo e o confesse como Salvador. Paulo escreveu: “Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo” (Rm 10.9).

Conclusão
Deus fez a Abrão que se aplicam à igreja. Ele prometeu que de Abrão seria feita uma grande nação. A igreja é o pleno cumprimento dessa promessa. Ele prometeu que em Abrão as nações seriam abençoadas. Hoje, a igreja é bênção pela pregação e pela vida. Deus prometeu a terra a Abrão. 

A igreja vive na expectativa de adentrar na nova terra prometida no dia de Cristo. Que entendamos isso, e que saibamos que Deus tem cumprido e cumprirá cabalmente com todas as suas promessas. E que creiam em Cristo aqueles que não têm nenhuma esperança de um futuro melhor.

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Carlos Eduardo Pereira de Souza  é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil. Formou-se em Teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul em 2003 e pela Universidade Presbiteriana Mackenzie em 2012. Possui Mestrado em Divindade com concentração no Novo Testamento pelo Centro de Pós Graduação Andrew Jumper em 2013.

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