Julgamento (1)


Pesem-me em balanças fiéis e saberá Deus a minha sinceridade - Jó 31.6

Palavras do patriarca Jó. Ele queria mostrar que os sofrimentos pelos quais estava passando nada tinham a ver com pecados cometidos. 


A balança é instrumento de julgamento e é o símbolo da justiça. No Velho Testamento há referência ao julgamento divino contra Belsazar e o verbo usado é exatamente o verbo pesar.

Dissemos, em outra ocasião, do perigo de julgarmos o nosso próximo e a advertência de Jesus: "não julgueis para que não sejais julgados". Acontece que, se nós, seres humanos somos falhos no julgar, Deus nos julgará e o fará com absoluta justiça. 

Foi Ele quem nos fez e por isso nos conhece bem. O julgamento das nossas obras será uma realidade. O anjo do Senhor disse a Cornélio: "as tuas orações e as tuas esmolas subiram para memória diante de Deus". 

A respeito do ato de uma mulher ungindo os pés de Jesus com unguento, depois de ela ter sido censurada por um dos apóstolos, Jesus disse: "onde este evangelho for pregado, será referido o que ela fez, em memória sua". 

Lá no livro do Apocalipse encontramos a seguinte afirmação: "e o fumo do incenso subiu com as orações dos santos desde a mão do anjo até diante de Deus". O próprio Jesus afirmou que um simples copo de água fria dado a um pequenino, será lembrado por Deus e será recompensado. 

De tudo isso se conclui da necessidade de se fazer o bem, de viver segundo a orientação do evangelho, mesmo porque a Bíblia já nos adverte que aquele que sabe fazer o bem e o não faz, comete pecado.


Mas o julgamento das más obras também será uma realidade. Jesus diz que sempre que deixamos de fazer o bem ao próximo, deixamos de fazer a Ele próprio. 

Deus, nos dez mandamentos, diz que visitará a iniquidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta gerações. O profeta diz que os pais comeram uvas verdes e os dentes dos filhos se embotaram. 

No Apocalipse a rejeição à Igreja de Laudicéia é feita nestes termos: "porque não és frio nem quente, porque és morno, vomitar-te-ei da minha boca". Jesus nos adverte ainda de que nada, impuro poderá herdar o reino de Deus. 

A melhor bem aventurança na introdução do Sermão da Montanha é a seguinte - bem aventurados os limpos de coração porque eles verão a Deus. Deus não se esquece de nada porque sua memória é perfeita. Cada um será julgado segundo as suas obras. Você acha isso bom ou ruim, caro leitor?

Sempre há possibilidade de compensação. Uma boa obra feita em Deus, sob a Sua vontade e como consequência da fé em Jesus Cristo, cobre uma multidão de pecados. Em Jesus Cristo, e pela sua misericórdia, compensamos muito da nossa antiga maneira errada de viver. Uma vida inteira de erros pode ser recuperada num momento de arrependimento e de fé. 

Ao lado de Jesus estava sendo crucificado um homem que viveu toda a sua vida no pecado e no crime. No entanto, num momento de reflexão e de arrependimento clamou a Jesus: "lembra-te de mim quando entra- res no teu reino". Ele, com certeza, estava pensando em penitências que teria de cumprir, purgatório, reencarnação etc. A resposta de Jesus desconsertou tais expectativas e tem sido ignorada até hoje por muita gente: "hoje estarás comigo no paraíso". 

Nas cartas às Igrejas de Éfeso, Pérgamo e Sardo há a seguinte recomendação em forma imperativa: "arrepende-te".

O julgamento do homem é imperfeito, porque o homem é imperfeito, porém o julgamento de Deus é perfeito porque Ele é perfeito. Ele se lembra de tudo que fizemos ou que deixamos de fazer neste mundo e é por esses atos ou por essas omissões que nós seremos julgados por Deus. A condenação será apenas para aqueles que forem achados em falta perante Deus. 

O arrependimento é sempre uma possibilidade, mas enquanto não acontece estamos em falta, e por isso, condenados. Daí a insistência do profeta: "hoje se ouvirdes a sua voz não endureçais os vossos corações". Ou então esta outra advertência: "antes exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado". (Hebreus3:15 e 13).

Então como se comportar diante da realidade do julgamento? Fazendo nossa a oração do salmista: "ensina-nos a contar os nosso dias de tal maneira que alcancemos corações sábios". Ou esta outra: "Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos e vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno" (Salmo 90:12 e 139:23-24).

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Samuel Barbosa é pastor jubilado da Igreja Presbiteriana do Brasil. Formou-se em teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul em 1960. Posteriormente graduou-se em Letras, Pedagogia, Supervisão Escolar e Especialização em Língua Portuguesa com produtiva carreira acadêmica. Pastoreou as igrejas presbiterianas de Apiaí, Correias e Itararé entre 1961 e 1962. Foi pastor da Igreja Presbiteriana de Itararé durante 32 anos até sua jubilação. Presidiu o Presbitério de Itapetininga por 22 anos e é pastor emérito das Igrejas Presbiterianas de Itararé e Itaberá. 
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